Na eleição deste ano, cada estado elege dois senadores para a Casa. Outros dois nomes acompanham cada candidatura e podem chegar ao Senado em caso de renúncia, morte, cassação ou afastamento do titular.
As chapas que disputam as duas vagas no Senado por Sergipe nas eleições de 2026 reproduzem uma prática comum na política local: a escolha de familiares, aliados políticos e empresários para ocupar as suplências.
Embora os suplentes só assumam a cadeira em caso de vacância ou afastamento temporário do titular, eles passam a exercer o mandato no Senado com os mesmos poderes do senador eleito, inclusive com direito a voto em plenário e nas comissões.
A função do suplente é substituir o senador ou senadora eleita quando há afastamento do cargo. Na última legislatura, por exemplo, pelo menos 20 suplentes assumiram mandatos. O mais comum é que isso ocorra quando os eleitos deixam o Senado para ocupar ministérios no Executivo federal.
O suplente também pode assumir a cadeira em caso de afastamento por motivos pessoais ou de saúde, além de situações como renúncia, morte ou cassação do titular.
Um exemplo recente é o do agora ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino, que deixou o cargo de senador pelo Maranhão em 2024 para assumir uma cadeira na Corte. Ele foi substituído por Ana Paula Lobato (PSB), sua primeira suplente.
Cada senador tem dois suplentes. A renovação do Senado ocorre a cada quatro anos, de forma alternada: em uma eleição, cada estado escolhe dois senadores; na seguinte, apenas um.
Formalmente, a escolha dos suplentes ao Senado é feita na formação das chapas durante as convenções partidárias. Os três nomes podem formar uma chapa pura — com todos os candidatos do mesmo partido — ou reunir integrantes de diferentes legendas.
Em Sergipe, a composição das chapas atende a interesses diversos. Há casos em que a escolha reforça vínculos familiares, como o Delegado André David (Republicanos), cuja cunhada é sua suplente, e outros em que a presença de empresários aproxima as candidaturas de grupos com atuação econômica no estado, a exemplo de Rogério Carvalho (PT).
Ao todo, são 20 candidatos a suplente nas chapas dos dez candidatos ao Senado em Sergipe. Abaixo, a Mangue Jornalismo apresenta os nomes que podem assumir as cadeiras em caso de substituição dos titulares, em ordem de candidato, primeiro e segundo suplentes.



André Moura (União Brasil)
Ricardo Vasconcelos (PSD): tem 41 anos e preside a Câmara de Vereadores de Aracaju, onde exerce mandato desde 2020. Declarou patrimônio de R$ 506.400, incluindo um apartamento em Aracaju avaliado em R$ 500 mil.
Selma França (PSD): 66 anos, vereadora. Já foi suplente de vereador em 2004, em 2016 e foi eleita vereadora em 2024, pelo PSD. Declarou patrimônio de R$ 4.252,52.



Coronel Rocha (PL)
José Olívio (PL): 55 anos, economista. Declarou patrimônio de R$ 700 mil, referente a um apartamento residencial.
Sgt. Krisvania (PL): 52 anos, policial militar. Já disputou o cargo de deputada estadual, em 2014, pelo Partido Trabalhista Cristão, o PTC (a sigla trocou de nome em 2022 e passou a se chamar Agir), e de vereadora de Aracaju, em 2012, pelo Partido da Mobilização Nacional (PMN), hoje chamado apenas de Mobilização Nacional.



Delegado Alessandro Vieira (MDB)
Adriana Carvalho (MDB): 42 anos, assistente social e empresária. É casada com Samuel Carvalho, prefeito de Nossa Senhora do Socorro. Declarou patrimônio de R$ 513.949,24. É sócia de duas empresas, ambas sediadas em Aracaju.
Joãozinho de Solinha (MDB): 62 anos, pecuarista. Foi candidato a vice-prefeito de Lagarto em 2020, pelo extinto Democratas (o partido se fundiu ao PSL em 2019 para criar o União Brasil). Declarou patrimônio de R$ 5.985.643,44, formado principalmente por imóveis rurais, além de veículos, um trator, um apartamento e aplicações financeiras.



Delegado André David (Republicanos)
Rebeka Maia (Republicanos): 41 anos, empresária e esposa de André David. Não teve patrimônio informado ao TSE. Rebeka é irmã de Kaynara Silva Maia, cuja empresa é alvo de investigação na Polícia Civil de Sergipe por supostas irregularidades em contratos firmados com a prefeitura de Aracaju para o fornecimento de kits escolares. Foi a Mangue Jornalismo quem revelou os vínculos da cunhada de André David com a gestão Emília Corrêa, da qual ele foi secretário. Leia a reportagem completa.
Tenente-coronel Iris: 47 anos, policial militar. Foi candidata a deputada estadual em 2018 pelo Rede. Declarou patrimônio de R$ 477.220,68, incluindo um apartamento, uma casa, quatro terrenos ou lotes e dois veículos.



Eduardo Amorim (Republicanos)
Adailton Souza (Republicanos): 60 anos, servidor público municipal, foi prefeito de Itabaiana entre 2020 e 2024. Assim como o candidato ao Senado, é aliado de Valmir de Francisquinho (Republicanos), que disputa o governo de Sergipe. Declarou patrimônio de R$ 145.707,14.
Danilo de Joaldo (Republicanos): 43 anos, empresário. Disputou a Prefeitura de Itabaianinha em 2016 pelo PMDB, e em 2020, pelo DEM. Declarou patrimônio de R$ 30 mil, referente a um terreno em Estância.



Edvaldo Nogueira (PDT)
Joaquim Ferreira (PDT): Engenheiro químico e empresário no setor de gás e energia. Disputou a Prefeitura de Estância em 2024. Declarou patrimônio de R$ 938.708,91, incluindo participações em duas empresas e 50% de um imóvel residencial em Aracaju.
Cris Teixeira (PDT): 51 anos, empresária do ramo de caminhões em Itabaiana. Já havia concorrido a 1ª suplente de senador pelo PTB, em 2018. Declarou patrimônio de R$ 559.034,77, incluindo dois veículos, participações em empresas, R$ 100 mil em espécie e R$ 30.850,28 em poupança.



Iran Barbosa (PSOL)
Magal da Pastoral (PSOL): 73 anos, engenheiro. É coordenador da Pastoral Carcerária em Sergipe e presidente do Instituto Amigos da Inclusão Social. Já foi candidato a vereador de Aracaju em 2004, 2008 e 2012, pelo PT, e em 2020, pela Rede. Declarou patrimônio de R$ 2.840.203,88, incluindo R$ 739.333,33 em VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre, um plano de previdência privada voltado para acumular dinheiro a longo prazo e ajudar na sua aposentadoria), R$ 511.321,39 em um apartamento e R$ 262.309,22 em fundos de investimento.
Núzia Costa (PSOL): 61 anos, servidora pública civil aposentada e escritora. É casada com o candidato a deputado federal Dr. Emerson (PSOL). Foi candidata a vereadora de Aracaju em 2020, pelo Cidadania. Declarou patrimônio de R$ 15 mil, referente a um apartamento.



Renatinha (Democracia Cristã)
Neide Alves (DC): 51 anos, comerciante. Não declarou bens à Justiça Eleitoral.
Selma Bispo (DC): 43 anos, frentista. Disputou uma vaga de vereadora de Estância, município no litoral sul do estado, em 2024, também pelo DC. Declarou patrimônio de R$ 70 mil, referente a uma casa na cidade.



Rodrigo Valadares (PL)
Glória Sena (Podemos): Servidora pública federal. Já foi candidata a vereadora de Barra dos Coqueiros, na região metropolitana, em 2008 e 2012, e a vice-prefeita do município, em 2004. Declarou patrimônio de R$ 600 mil, referente a uma casa.
Marina Castro (Podemos): 47 anos, advogada. Declarou patrimônio de R$ 1,53 milhão, incluindo um apartamento de R$ 1,2 milhão e três veículos.



Rogério Carvalho (PT)
Bruno Costa (PT): 43 anos, empresário, natural de Brasília. Declarou patrimônio de R$ 613.016,48. Reportagem da Mangue Jornalismo publicada há duas semanas revelou trechos do acordo de colaboração premiada firmado com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) no qual Costa admitiu ter sonegado quase R$ 17 milhões em impostos e utilizado os pais como ‘laranjas’ em empresas do ramo de grãos usadas para fraudar o Fisco mineiro.
O documento, assinado por ele e por seu advogado, registra a confissão da prática ou participação em “crimes de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, contra a ordem tributária e contra a administração pública” no estado. Os delitos teriam ocorrido entre 2017 e 2019. Costa disse à Mangue na ocasião que “tratar meus pais, familiares diretos meus, como ‘laranjas’ chega a ser insidioso. Denúncias, todos os órgãos de controle podem fazer”. E completou: “O que interessa a mim e à sociedade é que a Justiça mineira me absolveu em primeira e segunda instância, demonstrando a minha inocência”.
Importante ressaltar, porém, que o TJ-MG absolveu o empresário com base no princípio do “bis in idem”, segundo o qual uma pessoa não pode ser punida ou processada mais de uma vez pelo mesmo fato. Ou seja: os mesmos fatos descritos na denúncia criminal já haviam sido abrangidos pelo acordo de colaboração premiada que Costa celebrou e foi homologado pela própria Justiça em 2022.
A relação de Bruno Costa com Sergipe era desconhecida ao menos até 5 de agosto passado, quando o empresário teve seu nome oficializado como candidato a suplente de Rogério Carvalho na convenção partidária do PT.
Questionado sobre a escolha do empresário, o senador petista declarou o seguinte à rádio Fan FM, em 6 de agosto de 2026: “[…] O Bruno, eu o conheci junto com o vice-presidente Geraldo Alckmin, portanto, foi… a gente começou a conversar, deu liga, porque ele já investe aqui no estado de Sergipe, tem projetos para investir mais aqui e acho que a gente… Eu vou estar exercendo cargo de senador, ter suplentes que possam ajudar com ideias, que possam contribuir com o desenvolvimento do estado, acho que isso é extremamente importante. É importante dizer que o suplente só assume na ausência do senador, né?! Então, o Bruno foi uma invenção do gabinete do vice-presidente Geraldo Alckmin”.
Fabiano Oliveira (PSD): 55 anos, empresário do setor de shows e mega-eventos. Já disputou a vice-prefeitura de Aracaju, em 2024, ao lado de Luís Roberto (PDT). Foi eleito vereador da Câmara Municipal da capital em 2020. Também disputou o cargo de vice-governador de Sergipe, em 2006, com João Alves (PFL). Declarou patrimônio de R$ 1.927.826,41.


