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Mangue conquista dois prêmios de Jornalismo com reportagens sobre mulheres guerreiras de Sergipe

Produções retratam a resistência de rendeiras de Divina Pastora e a reinvenção de costureiras diante dos desafios da profissão.

(Crédito: Divulgação/ Ascom Sebrae)

Há histórias que se entrelaçam como fios, atravessam gerações e resistem ao tempo. Foi olhando para os ofícios que sustentam as vidas de mulheres sergipanas que a Mangue Jornalismo conquistou dois lugares de destaque no 13º Prêmio Sebrae de Jornalismo 2026, entregue em cerimônia ocorrida nesta segunda-feira (14), em Aracaju. 

Na categoria Texto, a repórter Díjna Torres ficou em segundo lugar com a reportagem Mulheres entrelaçam renda Irlandesa de Divina Pastora com fios de resistência e autonomia para que patrimônio não desapareça. A publicação trata da renda Irlandesa da cidade de Divina Pastora, distante cerca de 39 km da capital sergipana.  A arte que atravessa gerações e trilha um caminho de autonomia financeira e emocional das mulheres, é considerada patrimônio cultural imaterial do Brasil desde 2009, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e registrado oficialmente no Livro de Registros de Saberes.

“Ganhar um prêmio como este é uma forma de celebrar a existência e a resistência de mulheres em todas as áreas, e é muito importante destacar que isso também só foi possível através do jornalismo independente que é produzido de maneira responsável pela Mangue, viabilizando reportagens que acessam histórias que precisam ser contadas”, afirma Díjna.

Apesar de ser o único patrimônio cultural imaterial de Sergipe, este “saber-fazer” encontra obstáculos para sobreviver. As rendeiras contam que mesmo com a valorização nacional e internacional, ainda não conseguem viver exclusivamente da renda Irlandesa por falta de investimento contínuo em educação patrimonial, turismo cultural e políticas públicas permanentes. 

 (Créditos: Arquivo pessoal/ASDEREN)

Já na categoria Áudio, a repórter Luísa Monte e o editor de som Hector Souza, conquistaram o primeiro lugar com a audiorreportagem Mulheres alinham histórias e sonhos, e reinventam a profissão-arte da costura em empreendimentos fantásticos. A produção conta a história de costureiras que lidam diariamente com os desafios da baixa remuneração, jornadas exaustivas e pouca valorização da geração atual. Provocada pelos rumores de que a profissão estaria chegando ao fim, a repórter revelou um movimento diferente: as costureiras se reinventaram, transformaram a própria atividade e hoje encontram no empreendedorismo e na prestação de serviços terceirizados novos caminhos para seguir costurando histórias e sonhos.

Edna, de 65 anos, costureira desde os 15, aprendeu o ofício com suas tias.
(Crédito: Luísa Monte)

“É uma felicidade grande para mim ser contemplada com um prêmio em uma reportagem tão especial. Fico feliz de dar voz para mulheres que mantêm vivo o ofício da costura e que se reinventam diante de tanta desvalorização. Vida longa a elas e ao jornalismo”, comemora Luísa. 

Para Hector, se atentar à sonoridade foi essencial para aproximar o ouvinte do universo da costura. “O tema já traz uma ambientação do cotidiano da população brasileira. O som não podia sair desse universo, tinha que ter um caráter informativo, mas também uma sonoridade confortável, quase que caseira para quem ouvir. Fico feliz com esse reconhecimento. Isso engrandece ainda mais o veículo que já vem se destacando em premiações, alcançando outros formatos para além do texto”, completa. 

Em maio, a Mangue figurou entre as finalistas do Prêmio Primeira Infância em Pauta 2026, iniciativa nacional promovida pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal para reconhecer produções jornalísticas voltadas aos desafios e direitos da infância no Brasil. O único veículo de jornalismo independente de Sergipe concorreu com uma audiorreportagem de autoria da repórter Gabriella Salmeron e do produtor audiovisual Hector Sousa que abordou como o racismo atravessa a experiência de crianças negras desde os primeiros anos de vida, afetando autoestima, pertencimento e relações sociais. Ouça aqui

“É importante pontuar que a Mangue Jornalismo sobrevive exclusivamente do seu apoio, caro leitor. Não aceitamos publicidade, emendas parlamentares ou patrocínio de empresas privadas. Por isso, reiteramos mais uma vez, que para a sobrevivência deste tipo de fazer jornalístico, crítico e independente, contamos com o seu apoio”, reforça o editor-chefe da Mangue, Wendal Carmo.

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Rossella Cecília

Repórter em formação, baiana e graduanda em Jornalismo pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Suas linguagens favoritas da comunicação são a fotografia e o texto, fortes aliados na contação de histórias. Acredita que o jornalismo independente é lugar de resistência contra as armadilhas da imprensa burguesa.

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