Diante da péssima atuação da maioria dos membros do Congresso Nacional nos últimos dias, a população brasileira reagiu com indignação. Em Aracaju, o final de tarde e início da noite de ontem, 21, domingo, foi registrado um ato público histórico. Centenas de manifestantes tomaram a Praia da Cinelândia, na Atalaia, e disseram em ato e bom som: não à anistia e o projeto de blindagem parlamentar.
Enquanto pautas prioritárias para os trabalhadores seguem ignoradas, como a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, o fim da escala 6×1, a taxação dos super-ricos e a ampliação de direitos sociais, deputados federais avançaram com projetos como o que garante a impunidade deles mesmo e a anistia para os criminosos que tentaram dar um golpe de estado.
Sobre a impunidade parlamentar, conhecida com a PEC da Blindagem, a proposta aprovada com voto favorável de três deputados por Sergipe, busca restringir e barrar completamente a ação da polícia e do Judiciário sobre membros do Legislativo. A ideia é tentar proteger deputados e senadores que estão implicados diretamente nas investigações de desvio de recursos públicos, via emendas parlamentares, e aqueles que também atuaram na tentativa de golpe de estado.
No dia seguinte da PEC da Blindagem, a aprovação na Câmara dos Deputados do que requerimento de urgência da anistia aos condenados dos ataques de 8 de janeiro de 2023 foi o estopim para levar milhares de pessoas às ruas pelo país. A Mangue publicou a reportagem mostrando que sete dos oito deputados federais de Sergipe votaram para acelerar a anistia e livrar o ex-presidente Jair Bolsonaro da cadeia.
Em várias capitais, jovens, mulheres, trabalhadores, aposentados, gestantes, pessoas LGBTQIA+, artistas, Pessoas com Deficiência, e militantes de movimentos sociais e partidos de esquerda ocuparam praças, ruas e avenidas para dizer que não aceitam a impunidade institucionalizada.
Para o professo Alexis Pedrão, do PSOL, a mobilização nas ruas é uma resposta necessária e histórica. Segundo ele, mais de 80% da população brasileira é contra essa movimentação do Congresso Nacional, que estaria legislando de costas para o povo. “Chamam de PEC da blindagem, mas é a PEC da bandidagem. Estão tentando salvar a família Bolsonaro, a alta cúpula das Forças Armadas, e criar um clima de impunidade. É como se a raposa tomasse conta do galinheiro”, analisou. Alexis ressaltou que a luta deve acontecer agora, sem esperar pela eleição.
Fábio Henrique, presidente do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Sergipe, destaca que a juventude tem papel decisivo na política. Ele lembrou que o movimento estudantil sempre esteve na linha de frente das lutas democráticas, desde a ditadura até hoje. “Tentaram derrubar um presidente legitimamente eleito. Agora querem perdoar os golpistas e blindar corruptos. A juventude precisa estar na rua para dizer que não aceita isso”, afirmou. Fábio também destacou que as pautas sociais ignoradas pelo Congresso afetam diretamente os estudantes, como o direito à educação pública de qualidade, ao transporte, à moradia e ao trabalho digno.
A jornalista e militante do PT, Wanessa Fortes também marcou presença no ato. Para ela, o ato demonstra o tamanho do descontentamento popular com o Congresso e representa o grito das ruas dizendo que não é esse o rumo que o Brasil deve seguir. A militante ressaltou que os protestos funcionam como pressão direta sobre os deputados federais de Sergipe para que revejam suas posições. “Ou eles recalculam a rota e se colocam ao lado do povo, ou receberão a resposta nas urnas”, destacou.
Veja algumas das principais imagens do ato:




















