Encontro da Rede Pode Falar na UFS discute Direitos Humanos e saúde emocional e mental de adolescentes

Abuso de tecnologias tem afetado a sociabilidade de adolescentes (Crédito: Arquivo EBC)

Direitos Humanos e a saúde mental e emocional de adolescentes e jovens será o foco do II Encontro Nacional da Rede Pode Falar, que acontece hoje e amanhã (30 e 31) no Auditório da Reitoria da Universidade Federal de Sergipe (UFS). O tema oficial é “Fatores contemporâneos que impactam na saúde emocional e mental de adolescentes e jovens: desafios para a efetivação dos direitos humanos”. 

O evento é organizado pelo Centro de Defesa de Direitos Humanos de Sergipe – Instituto Braços, em parceria com a UFS e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O encontro vai reunir especialistas e a comunidade para debater os desafios contemporâneos que impactam esse público.

Criada em 2023, a partir do Canal Pode Falar, durante a pandemia da Covid 19, a Rede Pode Falar oferece escuta acolhedora, anônima e sem julgamentos para jovens de 13 a 24 anos. Em Sergipe, o programa é coordenado pelo Instituto Braços, que conta com estudantes de graduação inseridos em um projeto de extensão na UFS, e é liderado pela professora Vera Núbia, do Departamento de Serviço Social. 

A Rede Pode Falar reúne Instituições de Ensino Superior (IES) de quatro regiões brasileiras, como aporte no processo de formação de estudantes de graduação de várias áreas, com acompanhamento de professores, bem como de Organizações Não Governamentais.

A Mangue Jornalismo, desde o seu início em abril de 2023, vempublicando várias reportagens sobre a situação de crianças e adolescentes em Sergipe.  Em agosto de 2023, por exemplo, foi publicada a reportagem mostrando que Sergipe é o estado nordestino com maior taxa de maus-tratos contra crianças. São mais de 56 casos para cada 100 mil na faixa etária de 0 a 17 anos.

No ano passado, a Mangue trouxe em uma de suas tantas reportagens o fato de que Sergipe lidera no Nordeste o número de estupros contra crianças e adolescentes. Também são graves os dados de pornografia e exploração sexual infantil.

No começo deste ano, por exemplo, foi produzida a série Infância Sem Futuro, onde três reportagens revelaram, com dados da Unicef, um quadro muito preocupante no estado. Na primeira matéria, a Mangue denunciou que sete em cada dez crianças e adolescentes em Sergipe estão em situação de pobreza. 

A segunda, mostrou que Sergipe tem o maior índice do Nordeste de crianças na escola com atraso e renda abaixo da linha da pobreza.E na terceira matéria, a Mangue Jornalismo anunciou que Sergipe é o estado com a maior proporção do país de crianças em insegurança alimentar.


A Rede Pode Falar se tornou um espaço seguro e necessário 

“É fundamental debatermos de que maneira as mudanças sociais, tecnológicas e econômicas afetam nossa juventude. A Rede Pode Falar se tornou um espaço seguro e necessário para que esses jovens possam se expressarem por elas/eles mesmas/os”, destaca Lídia Anjos, coordenadora do Pode Falar em Sergipe, assistente social e doutoranda em Educação pela UFS.

Para Lídia, esse encontro nacional é uma oportunidade para aprofundar o tema e construir políticas públicas que contemplem a transversalidade da temática, com envolvimento das políticas de educação, cultura, a assistência social.

Lídia: “há pouco investimento em políticas públicas que priorizem crianças e adolescentes”. (Crédito Jadilson Simões/Alese)

Para Hugo Ferreira Monteiro, coordenador técnico do Pode Falar, existe algo muito errado nas famílias e no modelo de educação escolar no país que precisa ser discutido, pois “se um menino de 14 anos quer se matar, há algo nesse universo no qual ele está inserido que precisa ser repensado, precisa ser revisto”.

O evento contará com a presença de autoridades e especialistas, como Mário Volpi (Unicef), Eliane Aquino (Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social), Denise Campos e Vinicius Batista Vieira (Ministério da Saúde), além do pesquisador Marcelo Rasga Moreira (Fiocruz) e do neuropsicólogo e pós-doutor em Estudos da Criança pela Universidade do Minho (Portugal), Hugo Monteiro Ferreira. 

A programação incluirá painéis com relatos de atendentes da Rede Pode Falar e um debate sobre a participação juvenil, que conta com a participação de João Victor Duarte Raffel, jovem delegado da 5ª Conferência Nacional de Saúde Mental.

Um dos destaques do encontro será o lançamento do primeiro livro da Rede Pode Falar, intitulado “Nada Sobre Nós Sem Nós”. O e-book, com capítulos produzidos pelo Unicef e parceiros da Rede Pode Falar, sistematiza a experiência do canal e suas contribuições para a saúde mental.

A entrada para o II Encontro Nacional da Rede Pode Falar é gratuita, sendo que a programação é aberta ao público apenas hoje, 30 de outubro. Amanhã, as atividades serão fechadas, podendo participar apenas as instituições e organizações da Rede, como parte das atividades de planejamento dos eixos que constituem a rede. Será disponibilizado certificado. A expectativa do evento, que terá transmissão online, pela Plataforma TV UFS (YouTube) é fortalecer a articulação da rede para ampliar o alcance e o impacto das ações em todo o Brasil.

*Com informações do Instituto Braços e da Rede Pode Falar

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Cristian Góes

Jornalista pela Universidade Tiradentes, mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal de Sergipe e doutor em Comunicação e Sociabilidade pela Universidade Federal de Minas Gerais. Experiência como repórter e assessor de Comunicação nas áreas sindical e pública.

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