
Na última semana, Igor Baima, presidente do Sindicato dos Servidores em Conselhos e Ordens de Fiscalização Profissional do Estado de Sergipe (Sindiscose) recebeu o apoio e a solidariedade da Central Única dos Trabalhadores (CUT-SE), de lideranças do movimento social, do movimento sindical e de partidos de esquerda no momento em que foi obrigado a comparecer na 1ª Delegacia Metropolitana de Aracaju para prestar depoimento.
O caso envolve a denúncia de uso particular e ilegal de um carro no valor de R$ 224.990, um veículo descaracterizado e comprado com dinheiro público pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Sergipe (Crea-SE).
“A gente está aqui hoje por uma tentativa de intimidação do movimento sindical e do Sindiscose, após o sindicato cobrar a utilização correta de recursos públicos de dinheiro do Crea, que foi usado para comprar um carro de luxo de mais de R$ 220 mil, um veículo que não tem nenhuma identificação. Por essa denúncia que o sindicato fez, o presidente do Crea, o senhor Dilson Luiz, ao invés de tentar esclarecer a compra e a utilização do carro, resolveu amedrontar o sindicato”, afirmou Igor Baima.
O presidente da CUT-SE, Roberto Silva, também esteve presente na 1ª Delegacia Metropolitana para levar a solidariedade da central sindical. “Estamos aqui prestando solidariedade ao presidente Igor Baima do Sindiscose, por essa perseguição do presidente do Crea contra um companheiro em sua atuação sindical, lutando por dignidade e respeito aos trabalhadores e por isso ele está sendo perseguido”, declarou Roberto Silva.
Após prestar o depoimento, Igor Baima acrescentou que é um absurdo que em pleno ano de 2026 ainda existam sindicalistas sendo perseguidos devido à sua atuação sindical. “Agradeço todo o apoio que recebi das organizações sindicais e do movimento social porque a gente não pode ter medo de exercer a atuação sindical, de fazer o que é certo, e não podemos também dar nenhum passo para trás diante deste tipo de intimidação”, frisou Igor Baima.
A CUT convoca todos os sindicatos filiados da central sindical para manifestarem solidariedade ao presidente do Sindiscose. “Reforçamos que Igor e os demais não estão sozinhos nesta luta contra essa injustiça, esta prática antidemocrática e antissindical”, disse o presidente da CUT, professor Roberto Silva que também foi processado e perseguido no Judiciário, mas pelo governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD).
Crea-SE garante que segue os trâmites e normativos legais
Por meio de nota enviada para a Mangue Jornalismo, o Crea-SE “informa que todos os procedimentos administrativos relacionados à aquisição e utilização de veículos institucionais seguem os trâmites e normativos legais, bem com os critérios técnicos aplicáveis ao funcionamento do Conselho, tudo em estrita observância dos princípios do Direito Administrativo que regem os atos da administração pública”.
O conselho garantiu que “o veículo citado integra o patrimônio institucional da autarquia e é utilizado unicamente em atividades relacionadas às demandas administrativas e institucionais do Crea-SE”.
A nota conclui informando que “o Conselho esclarece ainda que tem prestado todas as informações solicitadas pelos órgãos competentes, lembrando que o processo de aquisição do veículo em comento, sempre esteve disponível para consulta pública no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) e no Portal da Transparência do Crea/SE”.
Dilson Luiz diz que boletim de ocorrência não tem relação com Crea-SE e sindicato
O presidente licenciado do Crea-SE, Dilson Luiz (afastado porque é candidato à reeleição no conselho) disse que o caso que envolve o boletim de ocorrência na delegacia de polícia e o sindicalista Igor Baima não tem nenhuma relação com Crea-SE nem com o sindicato presidido pelo Baima.
“A questão é pessoal, é minha, é o meu CPF Dilson Luiz contra o CPF do senhor Igor Baima e uma outra pessoa. Trata-se de injúria, calunia, difamação, inclusive de invasão de propriedade particular. Isso não tem relação com o sindicato nem com Crea-SE”, afirmou Dilson.
Segundo ele, Igor queria reajuste para o pessoal representado pelo sindicato e o pedido não foi acolhido. “Mostramos que temos condições por conta da Lei de Responsabilidade Fiscal. Depois disso, ele passou a fazer denúncias da aquisição de um veículo e todo processo está na Justiça Federal. A questão é Igor passou a usar as redes sociais para me acusar pessoalmente e, então, como pessoa física, prestei um boletim de ocorrência. Ele e uma outra pessoa chegou a fazer fotos dentro de minha propriedade. Insisto: essa questão nada tem contra o sindicato e o Crea-SE”, reafirma Dilson.
IRACEMA CORSO
(CUT/SE)
CRISTIAN GÓES
(EDIÇÃO)


