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Será Sergipe a Londres de amanhã? A empresa privada dos serviços de água e esgoto do Reino Unido está atolada em dívidas e deverá ser reestatizada

MARCOS MONTENEGRO, especial para Mangue Jornalismo
@ondas.observatorio

Na Inglaterra já são poucos os que acreditam que o colapso da Thames Water possa ser evitado. A Thames, (nome que tomou emprestado do Rio Tâmisa) é a empresa privada que assumiu os serviços de fornecimento de água e esgoto em Londres em 1989, quando do processo emblemático de privatização de empresas públicas, conduzido pela primeira-ministra da época, Margaret Thatcher, a famosa promotora da agenda neoliberal.

A Thames Water é a maior empresa do setor no país, atendendo a um quarto da população do Reino Unido. Quando foi privatizada, sob o argumento de que seria a solução para os problemas de água e esgoto de Londres, a empresa não possuía dívidas.

Mal sabiam os defensores da redução da ação do Estado em todo o mundo que 35 anos depois a empresa patinaria em uma monstruosa dívida de 15 bilhões de libras (que correspondem a inacreditáveis R$ 99 bilhões), em índices crescentes de perdas de água e em casos recorrentes de poluição dos rios e águas costeiras que vêm provocando insatisfação generalizada e manifestações populares pela reestatização dos serviços.

A notícia mais recente não deixa dúvidas sobre o fracasso da privatização dos serviços de água e esgoto na Inglaterra. Em 17 de maio passado, o maior acionista da Thames Water, uma subsidiária do fundo de pensão “Ontario Municipal Employees Retirement System (Omers), registrada em Cingapura, que detém uma participação de 31% na Thames Water, simplesmente decretou em seu balanço anual que seu investimento na empresa de serviços públicos não vale mais nada.

De acordo com Tim Whittaker, diretor de pesquisa do EDHEC Infra & Private Assets Institute, em entrevista ao Financial Times, “com o acionista majoritário anulando o seu investimento, é apenas uma questão de tempo até que o governo assuma o controle”.

A provável reestatização da Thames Water, que inevitavelmente levará o Tesouro inglês a assumir pelo menos parte da dívida da empresa, nos faz refletir sobre o futuro dos serviços de água e esgoto de Sergipe. O Governo do Estado está seguindo a mesma trilha, privatizando os serviços da DESO pelos próximos 35 anos. Será que Sergipe será a Londres daqui a 35 anos?

Marcos Montenegro é engenheiro civil e Coordenador do Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento (ONDAS).

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