
No 06 de julho, quase 3 milhões de pessoas filadas ao Partido dos Trabalhadores (PT) devem participar do Processo de Eleição Direta (PED) 2025. Por ele, serão eleitas as direções nacional, estaduais e municipais do partido. Em Sergipe, petistas filiados em 65 dos 75 municípios participam do PED. Elas e eles somam 40 mil pessoas.
Três chapas disputam o comando do partido no estado. Uma é liderada pelo senador Rogério Carvalho, outra pela vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Carol Rejane, que tem o apoio da ex-deputada Ana Lúcia; e uma última que tem à frente o presidente do Ibama/SE, Cássio Murilo, apoiado pelo ministro Márcio Macedo.
A Mangue Jornalismo entrevistou a jornalista Carol Rejane que afirmou: “Só seremos maioria na direção do Partido e, eu só serei a Presidenta do PT de Sergipe, se a militância petista deixar de lado a apatia e a descrença, e no lugar, colocar a ‘esperança vermelha’ no coração e na urna. Sem tesão e convicção, será impossível o petismo socialista ganhar das direitas neoliberal e fascistas, agora, em 2026 e nos próximos anos e décadas”.
Segue a entrevista:
Mangue Jornalismo (MJ) – Quem é Carol Rejane?
Carol Rejane (CR) – Caroline Rejane Sousa Santos é uma mulher negra, gorda, com cabelos crespos que de tempos em tempos estão de uma cor diferente. Tenho 46 anos, nascida em Aracaju, filha de um sergipano de General Maynard e de uma paraense de Capanema. Casada e sem filhos. Estudei em escola pública a maior parte da minha vida escolar. Formei-me em Jornalismo na UFS em 2001, comecei no movimento sindical em 2007, na direção do Sindicato dos Jornalistas de Sergipe (Sindijor) e a partir de 2015 passo a integrar a direção da CUT Sergipe. Desde agosto de 2023 estou na vice-presidência da central. Nas horas vagas leio de tudo um pouco e também faço crochê.
MJ – O porquê de sua candidatura à presidência do PT de Sergipe? Teremos uma mulher, jornalista e de esquerda Presidenta do PT em Sergipe?
CR – Estou candidata por indicação do coletivo petista denominado “Articulação de Esquerda”. Só seremos maioria na direção do Partido e, eu só serei a Presidenta do PT de Sergipe, se a militância petista deixar de lado a apatia e a descrença, e no lugar, colocar a “esperança vermelha” no coração e na urna. Sem tesão e convicção, será impossível o petismo socialista ganhar das direitas neoliberal e fascistas, agora, em 2026 e nos próximos anos e décadas. Demorei para aceitar a condição candidata, mas agora que a campanha ganha volume de debates, quero fazer essa disputa/construção do PT. Também sou candidata para lutar por um desfecho diferente do que ocorreu dez anos atrás.
MJ – No material de sua propaganda, fala-se de vencer as posturas vacilantes do PT. Explique melhor isso.
CR – Explico: Dilma ganha as eleições presidências no segundo turno em 2014, com uma diferença de apenas 3,5 milhões de votos, sob o mote “nem que a vaca tussa, mudo os direitos trabalhistas”. Mas em 2015, com Levy no comando da política econômica, Dilma implementa um ajuste fiscal, que custaria caro aos trabalhadores e a ela própria. Em abril de 2015, o congresso da AE/PT afirmou que viveríamos tempos de guerra, onde a burguesia entraria em “modo golpe”. À época, diversos esquerdistas fora do PT, mas principalmente, a maioria da direção nacional petista, achou exagerada e panfletária nossa posição. Nesse mesmo 2015, o Congresso Nacional do PT, realizado em Salvador, aprovou por 55%, apoio a manutenção do ajuste fiscal de Levy/Dilma. O resultado sabemos qual foi: três golpes consecutivos: Dilma destituída, Lula preso e Temer/Bolsonaro presidentes.
Em 2022, Lula eleito para o terceiro mandato, no segundo turno, com uma diferença ainda menor que a verificada entre Dilma versus Aécio: 2 milhões de votos. Hoje, dez anos depois, há ainda no PT e na esquerda, quem duvide ou evite falar que vivemos tempos de guerra, no mundo e no Brasil. Estou candidata e quero ser presidenta do partido em Sergipe, para junto com as próximas direções, municipais, estadual e nacional, superar essa postura vacilante, e implementar uma linha política militante e socialista no partido, em Sergipe e nacionalmente. Por isso, temos uma campanha casada com Valter Pomar para a presidência nacional do PT (número 120). Nossa chapa nacional se chama “Em tempos de Guerra, A Esperança é Vermelha (número 220). Meu número é o 320. Nossa chapa estadual tem o mesmo nome da chapa nacional, mas o número é o 420. E nos municípios, estamos compondo mais de 22 chapas. Destaque para Aracaju, onde a Articulação de Esquerda apoia a candidatura de Camilo Daniel para a presidência municipal do PT, para fortalecer a oposição ao governo de extrema direita.

MJ – Você disputa a presidência do PT estadual com o senador Rogério Carvalho que anunciou que reuniu mais de 50 chapas em seu favor. Quem disputa também é Cássio Murilo, apoiado pelo ministro Márcio Macedo. Ou seja, sua candidatura é mesmo para valer ou só para manter a ilusão de uma disputa?
CR – Como já dito acima, não vendo ilusão. Sou mulher de luta. O Partido do Trabalhadores tem, em Sergipe, 40 mil filiados e, obviamente, nem todos estão nas chapas que disputam as eleições municipais. A minha candidatura e nossa chapa estadual composta por mais de 220 militantes, tem como objetivo colocar uma proposta para a militância raiz do PT de Sergipe que está espalhada em nosso estado, que está desgostosa com os rumos do partido.Entrei oficialmente no PT em 2015. Mas, foi em 1999, quando estudava jornalismo na UFS, que tive meu primeiro contato com pessoas do partido, atuantes no movimento estudantil. Em 2000, integro a gestão “ComPosição” do DCE/UFS. Em 2007, passo a condição de dirigente do Sindicato dos Jornalistas. Meu primeiro voto em 1996, foi no PT, então desde jovem faço parte da nação petista. Mas foi em 2014, quando passei a acompanhar mais de perto os debates e mobilizações promovidos pela CUT/SE, principalmente durante a campanha presidencial, que tudo mudou na minha vida. Veja, Dilma em 2014, ganha as eleições presidências no segundo turno, com uma diferença pequena, sob o mote “nem que a vaca tussa, mudo os direitos trabalhistas”. Mas em 2015, com Levy no comando da política econômica, Dilma implementa um ajuste fiscal, que custaria caro aos trabalhadores e a ela própria. É nesse processo que sou convencida a me filiar ao PT e a integrar a direção da CUT/SE, para disputar os rumos da CUT nacional, do PT e do Governo Dilma.
MJ – Se você for eleita presidenta do PT, o partido terá candidato ao cargo de governo de Sergipe? Rogério Carvalho diz que é candidato ao Senado. O PT vai apoiar à reeleição de Fábio Mitidieri (PSD)?
CR – Em dezembro de 2024, a Articulação de Esquerda construiu com as demais tendências do PT, uma resolução política onde está explícito o seguinte “Orientamos a militância e as direções municipais do PT para construir ampla frente de esquerda que priorize a construção com os partidos de esquerda e as diversas organizações e coletivos populares que lutam concretamente em seus territórios por direito…nessa perspectiva, a direção executiva do PT Sergipe vai iniciar diálogos com as lideranças do partido, com movimentos sociais e sindicais para a construção do programa partidário e das candidaturas petistas na disputa ao Governo e ao Senado em 2026… é muito importante deixar nítida nossa linha política: todas as candidaturas do PT de Sergipe em 2026 serão de combate aos projetos neoliberais e da extrema direita.” Minha candidatura e nossa chapa estadual defende essa resolução de dezembro.
Os governos do PSD, do União, do PL e demais partidos que formam “o centrão” privatizam o serviço público, desrespeitam servidores e trazem somente a ilusão de desenvolvimento, pois quando olhamos de forma mais profunda, o que o governo do Estado e a prefeitura de Aracaju apresentam como resultados dos “seus trabalhos” , são, na verdade reflexo do que foi implantado pela política do governo federal e não algo que efetivamente produziram.
MJ – Ainda falando em eleições no próximo ano, como devem ficar as chapas para o Senado e para a Câmara dos Deputados? Têm vagas para Rogério Carvalho, Márcio Macedo, João Daniel?
CR – Queremos vencer as eleições internas do PT para construir, com todas as pré-candidaturas petistas e dos demais partidos de esquerda, uma frente popular na disputa das eleições estaduais de 2026. Onde no primeiro turno, Lula pode ter mais de um palanque. Na nossa avaliação, somente um bloco social e partidário com programa de transformações estruturais garante a chegada da candidatura petista ao governo no segundo turno, a reeleição de Rogerio ao Senado e a ampliação das bancadas parlamentares do PT e das esquerdas, no congresso federal e na ALESE. Dentro do PT e numa aliança com as esquerdas, tem vaga para toda militância que se dispuser a participar das em 2026. Não é por falta de nomes. Há militantes que podem, perfeitamente, concorrer para todos os cargos.

MJ – Na Assembleia Legislativa de Sergipe o PT não existe de fato, apesar de ter um deputado estadual, mas que se comporta como governista. O PT é ou não oposição?
CR – Essa é mais uma das divergências públicas do nosso grupo político, com os demais setores do PT. Para a Articulação de Esquerda, a solução correta pra essa constrangedora situação é: ganharmos as eleições internas do partido, contra a dissimulação de quem só vê problema em Sergipe e contra a ilusão de quem acredita que “Lula lá de cima vai resolver tudo sobre nós”
MJ – Você, presidenta do PT, vai implantar algum modo diferente de fazer partido em Sergipe para enfrentar a extrema-direita? Por exemplo, para atrair a juventude e outros setores?
CR – Sim, é preciso que os diversos setores da militância petista, jovens, negros, negras, LGBTQIAPN+, mulheres, movimento sociais, sindicais sejam protagonistas nesse processo de enfrentamento, pois cada um em sua casa, sem bairro, seu território, faz o enfrentamento a direita neoliberal e à extrema-direita. O papel do Partido dos Trabalhadores é ajudar esses militantes nesse processo. Mas para enfrentar e derrotar a extrema direita, o PT deve ser firme também no combate aos neoliberais e ao centrão.
MJ – Carol, presidenta do PT de Sergipe, como será a relação com o PSOL?
CR – O PT tem a missão histórica de liderar o povo brasileiro na luta pelo bem-estar social, pelas liberdades democráticas, pela soberania nacional, pela integração regional, pelo meio ambiente, pelo desenvolvimento e pelo socialismo. Para dar conta destas tarefas, é necessário que PT, o PSOL e os demais partidos democrático-populares, os movimentos sociais, os sindicatos, as centrais e as frentes, assim como o conjunto da militância de esquerda, – superemos nossas limitações, dificuldades e erros. Há três questões especialmente urgentes: a nossa presença cotidiana e militante junto à classe trabalhadora; a ampliação dos investimentos no bem-estar social e na reindustrialização; e a reafirmação do nosso objetivo socialista. Sem dar conta dessas questões, não conseguiremos enfrentar e derrotar nem a extrema-direita, nem a direita tradicional.



Uma resposta
O PT na assembleia NÃO tem representante!