A Mangue Jornalismo vai entrevistar todos os candidatos ao Governo de Sergipe. Para garantir a isenção, as perguntas apresentadas são iguais para quase todos eles. As respostas devem ter o mesmo tamanho.

Na segunda entrevista sobre as eleições de 2026, a Mangue Jornalismo conversa com Ricardo Marques, candidato do Partido Liberal (PL) ao governo do Estado. O candidato a vice-governador na chapa, também do PL, é Erico Menezes, que foi vereador de Lagarto em 2012 pelo PSDB.
Natural de Aracaju, Ricardo Marques dos Santos, 57 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e pós-graduado em Comunicação Social e Marketing pela Faculdade Pio Décimo. É casado com Cecília Marques, candidata a deputada estadual pelo PL. Em 2020, foi eleito vereador da capital pelo Cidadania, mesmo partido pelo qual disputou a vice na chapa de Emília Corrêa (hoje no Republicanos) nas eleições municipais de 2024.
Ao Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE-SE), o candidato do PL declarou não possuir bens. Seu companheiro de chapa declarou patrimônio de R$ 609 mil, referente a um sítio de R$ 200 mil, um imóvel avaliado em R$ 400 mil e uma motocicleta de R$ 9 mil.
O plano de governo de Ricardo Marques, denominado “Fé e coragem para mudar”, possui 75 páginas e se divide em 4 eixos integrados. Lá tem, por exemplo, projetos como o “Se não tem água não tem conta”, que tem como um de seus objetivos a revisão do contrato de privatização da Deso. Uma das propostas para a Segurança Pública é o programa “Protege Mulher”, uma política estadual de prevenção ao feminicídio. Veja na íntegra o plano de governo no site do TRE/SE.
Segue a entrevista com o candidato:
Mangue Jornalismo: O Governo Mitidieri formou o conselho de meio ambiente com maioria de secretários e empresários, há gravíssimos problemas nas licenças ambientais, Sergipe é o estado com menos árvores em vias públicas no Brasil e o estado já perdeu quase toda Mata Atlântica. Quais suas propostas para o meio ambiente na cidade?
Ricardo Marques: A questão do Meio Ambiente e da Sustentabilidade é de suma importância no presente, mas pensando no futuro. Todas as ações de um governo precisam ser feitas pensando na proteção e revitalização de nossos ativos ambientais. Algumas de nossas ideias passam pelo fortalecimento da gestão ambiental , modernização da fiscalização e dos processos de licenciamento ambiental estadual, sem deixar de proteger sobretudo os nossos recursos naturais. Tenha certeza que iremos rever nos primeiros meses de nosso governo essa questão do conselho ambiental, precisamos formar um colegiado tecnicamente envolto nas questões ambientais, que entenda, compreenda e que possa nos apontar para uma direção de desenvolvimento sustentável e atento às grandes questões ambientais e de mudanças climáticas.
MG: Em dez anos, Sergipe só cumpriu duas de 20 metas de educação. Professores da rede estadual afirmam que o Governo Mitidieri massacra a categoria. Sergipe, dez anos depois do último levantamento, permanece como o sexto estado com o maior número de analfabetos do país. Quais suas propostas para a educação no estado?
RM: A educação é prioridade em nosso plano de governo. Em especial no que se refere aos professores e funcionários da educação. Precisamos enquanto governo cuidar, valorizar e resgatar a autoestima de nossos servidores. Não existe educação de qualidade sem valorização e respeito aos nossos profissionais. Esse é o nosso primeiro compromisso. Uma outra proposta é um pacto entre estado e municípios para alfabetizar as nossas crianças no tempo certo, nossas crianças precisam aprender a ler e escrever no tempo devido, a educação precisa ser compreendida como um ciclo de aprendizagem que começa na primeira infância e vai até o ensino médio, e o Estado pode ajudar e muito a melhorar os índices e resultados educacionais de nosso Estado que infelizmente estão entre os piores do Brasil.
MG: Existe uma reclamação generalizada das pessoas que precisam do serviço de saúde na rede estadual: hospitais regionais não funcionam como deveriam, faltam remédios básicos, não se consegue fazer exames simples e muito menos há atendimento de especialistas, faltam leitos para internação. Quais suas propostas para saúde em Sergipe?
RM: A saúde de Sergipe está na UTI, precisando urgentemente de atenção e cuidado. Todos os dias recebo reclamações de pessoas da grande Aracaju, mas de todo o Estado me reclamando do descaso e falta de um atendimento digno e humano. As nossas propostas passam por uma estratégia permanente para a redução de filas de consultas, exames e cirurgias, criação de novos hospitais regionais e centros de especialidades e de diagnóstico por imagens nas principais cidades do interior, somado a isso queremos ainda promover uma política efetiva de valorização dos profissionais da saúde e adotar mecanismo de transformação digital na rede, implantando tecnologias que facilitem a vida do usuário e que nos forneça dados sólidos e concretos sobre a saúde.
MG: Todo setor cultural no Estado de Sergipe se transformou e se resumiu apenas em megafestas pontuais, com contratações milionárias de artistas e estruturas. Não se tem notícia de política pública para a Cultura. Quais suas propostas para esse setor?
RM: Quero deixar registrado que não sou contra as grandes festividades que acontecem em nosso Estado, até porque elas geram um emprego temporário, renda e movimentam a nossa economia. Mas entendo que cultura se faz muito além disso, é preciso valorizar e incentivar também nossas manifestações culturais e artísticas, reconhecer nossos mestres e mestras, grupos tradicionais através de uma política permanente de circulação cultural por todo o Estado. Precisamos ainda ampliar nosso mapa cultural, e conectá-lo ao turismo e a
cadeia produtiva para que possamos beneficiar os nossos produtores culturais e trazer um retorno maior ao Estado.
MG: O Brasil saiu do Mapa da Fome, mas em quase metade dos domicílios em Sergipe existe insegurança alimentar, há pessoas passando fome. Sete em cada dez crianças e adolescentes aqui no estado estão em situação de pobreza, revelou Unicef. Quais suas propostas para o combate à pobreza e a desigualdade social.
RM: Não podemos achar normal que pessoas passem fome ou que não tenham o que comer em Sergipe. Temos uma situação peculiar em nosso Estado, lideramos negativamente os índices de obesidade infantil e de desnutrição infantil. Essa é uma realidade inconteste que mostra que estamos errando na condução de políticas públicas de combate a pobreza e desigualdade. As nossas propostas para resolver esse problema passam pela criação de Armazéns Solidários para que famílias de baixa renda possam comprar alimentos com valores subsidiados, redução de impostos para alimentos que compunham a cesta básica, ampliação e qualificação dos serviços ofertados por nossos CRAS e CREAS, bem como uma atenção e foco em políticas públicas de emprego e renda para as famílias mais vulneráveis para que elas possam sair do ciclo da pobreza e miséria através do trabalho e geração de renda.
MG: Números do Ministério da Justiça revelam que Sergipe reduziu a violência, mas ao mesmo tempo é um dos campeões nacionais de violência policial. Nos últimos anos mais de 1000 jovens negros na periferia foram mortos pelo Governo do Estado. Quais suas propostas para a Segurança Pública?
RM: O nosso governo tem como objetivo central na segurança pública o combate ao crime organizado e a criminalidade violenta, bem como a reestruturação do policiamento preventivo e comunitário. Para além disso, queremos melhorar de maneira significativa o atendimento, escuta e proteção para as mulheres, crianças e demais grupos vulneráveis. Soma-se a isso nossa iniciativa de valorizar os profissionais de Segurança Pública através de ações efetivas e continuadas de reconhecimento pelo serviço prestado.

MG: O governador Fábio Mitidieri privatizou a água com a venda da Deso. A promessa de melhoria no acesso e abastecimento de água não se cumpriu, pelo contrário, a Iguá só produz revolta. Caso seja eleito, irá reverter a venda da Deso? Vai privatizar o Banese e outras empresas públicas.
RM: Essa questão da água é uma de nossas prioridades máximas em nosso futuro governo. Não há que se falar no momento em revisão da venda da DESO ou rasgar o contrato. Qualquer promessa nesse sentido é populismo barato. Isso causaria um desastre econômico e jurídico em Sergipe sem precedentes. O que proponho e defendo é a revisão do contrato de concessão com a IGUÁ de forma a avaliar sua capacidade de planejamento, fiscalização e acima de tudo a defesa do interesse público, garantindo água de qualidade e a todo tempo. Se não tem água, não deve ter conta. Esse é o meu principal compromisso nessa aérea.
MG: Não é de agora, mas é altíssimo o nível de insatisfação dos servidores públicos com as gestões do governo de Sergipe: muitos cargos em comissão, péssima remuneração, falta de plano de carreira, interferência política na gestão pública. Qual será a relação do seu governo com os servidores públicos?
RM: Um governo é feito pelos servidores, sejam eles concursados ou de comissão. E precisamos entender que os serviços e nossa atuação enquanto funcionários públicos e gestores deve ser sempre a população que paga impostos e os nossos salários. Mas, enquanto futuro governador defendo o diálogo permanente e constante com os servidores públicos estaduais que contará com reuniões periódicas e um calendário anual de negociações e ações efetivas de valorização e reconhecimento profissional de todos os nossos servidores públicos.
MG: Sergipe não tem grandes indústrias, o comércio é concentrado na capital e em uma ou duas cidades do interior, não há emprego para a juventude. Sergipe é o 9º estado do Brasil com a pior remuneração média para trabalhadores pretos e pardos, que é maioria de nossa população. Ao mesmo tempo, há uma forte concentração de renda. Tem pouca gente muito rica aqui. Quais suas propostas para o desenvolvimento do estado, especialmente no campo do emprego?
RM: A falta de emprego é um problema crônico e que tem se agravado com o passar do tempo. Muitos jovens têm deixado nosso Estado para buscar oportunidades em outros lugares. Nós precisamos atrair indústrias, empresas através de benefícios e incentivos fiscais. Temos como missão reindustrializar o interior do Estado, regionalizar os programas de primeiro emprego de acordo com as vocações econômicas de cada região e promover programas de qualificação profissional e técnica pensando nas profissões do futuro.
MG: Sendo eleito, quais serão seus atos no primeiro dia como governador?
RM: Meu primeiro ato seria determinar um diagnóstico completo da situação financeira, administrativa e estrutural do Estado, com transparência para a sociedade. Precisamos saber exatamente o que estamos recebendo, quais são as prioridades e onde estão os problemas mais urgentes. Ao mesmo tempo, determinaria a criação de uma força-tarefa para enfrentar as filas da saúde, especialmente de consultas, exames e cirurgias, e iniciaria imediatamente um plano emergencial para garantir medicamentos e atendimento digno à população.Também convocaria uma reunião com os servidores públicos e representantes das categorias, porque quero começar o governo pelo diálogo e pela valorização de quem faz o Estado funcionar todos os dias.E faria questão de uma coisa: abrir as portas do governo para a sociedade. Meu primeiro dia não será apenas de decretos. Seria o início de um governo presente, transparente e disposto a ouvir. Sergipe não precisa de um governador que prometa resolver tudo em um dia. Precisa de um governador que, desde o primeiro dia, saiba exatamente o que precisa ser feito, tenha coragem para fazer e preste contas à população de cada decisão tomada.
(Com supervisão de Wendal Carmo)
TRANSPARÊNCIA:
Cada pergunta poderia ser respondida em até 15 linhas e os candidatos foram informados de que, se o tamanho da resposta ultrapassasse o limite determinado, haveria edição, mantendo-se a ideia central do candidato em cada resposta.


