
Sem licitação, a Prefeitura de Aracaju vai gastar R$ 55 mil apenas com uma palestra de uma espécie de coach na abertura da Jornada Pedagógica da rede de educação da capital. O evento em questão marca o início do ano letivo de 2026 e, via de regra, costumava contar com painéis de especialistas reconhecidos em educação, cujas contribuições deveriam ajudar nas práticas pedagógicas do ensino infantil e fundamental das escolas municipais.
Para o ano que vem, a prefeita Emília Corrêa (PL) decidiu inovar e escolheu Lúcia Helena Galvão para falar aos professores. A palestrante se apresenta em seu site oficial como “filósofa, professora há 34 anos na Organização Nova Acrópole do Brasil, escritora e uma das palestrantes mais influentes do Brasil”.
Entretanto, Lúcia Helena Galvão não tem formação acadêmica em Filosofia, mas uma graduação em Relações Internacionais (UnB). “Estudei Filosofia, mas deixei no quinto semestre”, disse ela em uma entrevista. Lúcia também não tem registro na Plataforma Lattes, um sistema oficial de currículos acadêmicos criado e mantido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Lúcia Galvão fará a palestra de 60 minutos na Jornada Pedagógica de Aracaju. O contrato foi celebrado pela Secretaria Municipal de Educação (Semed) com a Kalíope Comunicação, conforme extrato publicado no Portal da Transparência em julho de 2025. O evento é destinado a professores da educação infantil, ensino fundamental e Educação de Jovens e Adultos, além de diretores, coordenadores pedagógicos e administrativos das escolas. Ainda não há tema definido, mas a palestra deve ocorrer entre os dias 21 e 23 de janeiro.
Carlos de Paula, ex-membro da Nova Acrópole, organização a qual Lúcia é vinculada, mantém no YouTube um amplo dossiê sobre a entidade. Ele diz que a Nova Acrópole é uma espécie de seita, com fundamento de religião, mas que não parece para atrair adeptos. “Uma coisa é a Nova Acrópole como se apresenta publicamente, outra coisa são seus documentos e práticas internas, secretas, seus grupos, como o Corpo de Segurança, uma espécie de grupo paramilitar inspirado em uma Legião Romana”, conta Carlos em seu canal.
A empresária Isabella Arruda, filha da palestrante e sócia majoritária da Kalíope, refuta todas as informações sobre Lúcia Galvão e a Nova Acrópole. “É importante esclarecer que muitas das críticas têm origem em matérias antigas já desmentidas, de caráter tendencioso e, em muitos casos, baseadas em informações falsas”, assegura a empresária. (Veja no decorrer desta reportagem a manifestação na íntegra de Isabella Arruda).

Lúcia Helena Galvão não é desconhecida, sendo uma influencer no YouTube e principal nome da Nova Acrópole no Brasil. Em muitas de suas palestras disponíveis nas redes, ela fala de “como encontrar a paz interior” e apresenta “21 conselhos filosóficos práticos” para encontrar essa paz, além da “clareza emocional e mais propósito no dia a dia”.
Alguns dos vídeos dela são: “Quatro dicas filosóficas para o sucesso profissional”, “Altruísmo: A Essência do Verdadeiro Voluntariado”, “Conquistando a harmonia interna e externa através de quatro virtudes”, “Por que criticamos tanto?”, “Como Superar o Vício em Apostas”, “Branca de Neve e a alma humana”, entre outras dezenas.
Em um dos vídeos, ela fala por três horas sobre como vencer a procrastinação e superar os limites internos. “Você vai aprender: por que a procrastinação não é preguiça, mas resistência interior; como a crítica interna nos impede de criar; o papel da constância e da arte no despertar da alma; e a diferença entre perfeição técnica e inspiração real”, enuncia a legenda do material, que acumula mais de 5 milhões de visualizações.
O ‘boom’ na internet fez Lúcia Galvão ter na sua cartela de clientes instituições públicas, a exemplo do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), e empresas privadas como Positivo e Boticário, de acordo com a proposta comercial enviada pela Kalíope Comunicação à Prefeitura de Aracaju. Em 2023, a autodenominada filósofa recebeu R$ 25 mil para falar em um evento no Tribunal de Justiça de Sergipe intitulado de “Vontade: o poder humano da transformação”.
Em documentos da Prefeitura de Aracaju, a pasta de Edna Amorim diz que a contratação vai “fomentar a formação continuada de gestores e professores” da rede municipal, “buscando garantir espaços e tempos para um trabalho de autoconhecimento, de autorreflexão, de maneira que os professores partam de suas histórias pessoais, de vida, de sua subjetividade para então formatar a sua identidade profissional, sempre no sentido de que o aluno aprenda e potencialize o seu interesse pela escola”.
“A contratação de um palestrante externo, com notório saber e experiência na área, garante a atualização dos conhecimentos, a troca de experiências e o acesso a novas abordagens, contribuindo diretamente para a qualidade do ensino oferecido nas escolas municipais”, acrescentou a gestão municipal no termo de referência à contratação. O argumento foi o mesmo suscitado pela Semed ao ser questionada pela Mangue Jornalismo (veja abaixo).
Nas redes digitais, a contratação dessa espécie de coach foi criticada pelo Sindipema, o sindicato dos profissionais em educação da capital. “A prioridade para a utilização desse dinheiro deve ser nas necessidades mais urgentes da rede municipal de ensino: melhorias para a educação pública e profissionais da educação do nosso município”, escreveu a entidade, listando uma série de problemas estruturais existentes na rede municipal.

Em setembro de 2023, Lúcia Helena Galvão foi convidada pelo senador bolsonarista e de extrema direita Eduardo Girão (Novo-CE) para falar no Senado sobre a filosofia estoica. “O estoicismo enfatiza a importância de viver de maneira ética e virtuosa, combatendo a degradação moral”, disse o senador na Agenda Senado. Para ele, propostas que flexibilizam aborto e legalização de drogas refletem essa decadência moral. Lúcia Helena Galvão afirmou na sessão que “a educação falha em não incentivar o desenvolvimento moral”. Um dos fundamentos do estoicismo é aceitação do destino.
Quem também participou dessa audiência no Senado foi o empresário Luiz Felipe d´Avila, candidato à Presidência da República pelo Partido Novo em 2022. Lá ele disse: “Um [parlamentar] estoico no Senado tem que olhar quais os problemas que impedem o Brasil de ser uma democracia plena. Temos três: o populismo; o nacional-estatismo; e um Estado ineficiente. A nossa Constituição só fala em direitos, só toca em deveres quatro vezes”.
Organização ligada a palestrante foi apontada como “seita”
Lúcia Helena Galvão afirma que seu contato com a “Filosofia” ocorreu quando tomou conhecimento, no ano de 1989, da existência da organização Nova Acrópole e, já naquele mesmo ano, começou a lecionar na entidade, tornando-se seu rosto no Brasil.
Fundada em 1957, na Argentina, a Nova Acrópole estaria presente em mais de 50 países, conforme registra seu site. No Brasil, possui sedes nas quatro regiões (em Aracaju, a unidade fica no bairro Farolândia) e ampliou sua presença por meio de ações de voluntariado. A visibilidade é atribuída ao trabalho de divulgação de seus palestrantes, principalmente de Lúcia Galvão, que transformou suas palestras em fenômeno digital.
Quando o “filósofo autodidata” argentino e de herança italiana Jorge Ángel Livraga Rizzi (JAL) a concebeu, a Nova Acrópole foi anunciada como “escola de filosofia”. O fundador seria ligado à Sociedade Teosófica, um movimento esotérico que se consolidou nos Estados Unidos e na Alemanha pós-industrial.


A Teosofia, que JAL foi buscar para constituir a Nova Acrópole, teria dentre seus fundadores a ocultista russa Helena Blavatsky, que se inspirou em filosofias antigas e religiões indianas. Esses fundamentos parecem sólidos na Nova Acrópole de hoje, tanto que Lúcia Galvão oferece o curso: “Clássicos da sabedoria indiana”. Ela também é autora do livro “Helena Blavatsky, a voz do silêncio”. Existem vídeos da palestrante sobre os fundamentos de defendidos por Blavatsky. Curiosamente uma das formas de entrar em contato com a Nova Acrópole é através de uma assistente virtual no site da organização que é chamada de “Helena”.
O problema é que as ideias de Helena Blavatsky são consideradas por acadêmicos como pseudociência e de teor supremacista branco. No livro O Reich de Mil Anos: o imaginário conspiratório da sobrevivência nazista após a Segunda Guerra Mundial(2024), o doutor em História (UFPR) e professor na Universidade Estadual do Paraná (UEPR) Marcos Eduardo Meinerz explica que, “segundo Blavatsky, atualmente a Terra é habitada pela quinta raça-raiz, a raça ariana, sendo seu continente a Europa”. Ele ressalta que essa ideia apresenta “elementos racistas” e propaga que os arianos europeus são uma “raça superior”.

Bebendo de fontes ocultistas, logo após a fundação por JAL, a Nova Acrópole se tornou “uma organização internacional dedicada a estudos filosóficos e suas práticas”. Algumas das críticas sobre a entidade estão relacionadas ao seu suposto uso de estruturas e símbolos paramilitares, além de possível adoção de símbolos que seriam fascistas. No site da organização no Brasil, informa-se que ela atua como escola de “filosofia”, promove “cultura” e pratica “voluntariado”. Dentre suas atividades, está também a venda de livros, incluindo obras da Helena Blavatsky.
Apesar da postura que fomenta a reflexão e o estudo, existe um site intitulado de Nova Acrópole Seita que registra uma série controvérsias e denúncias contra essa organização. “Todo o conteúdo publicado neste site foi produzido para fins educacionais, investigativos e de interesse público. Os materiais são baseados em documentos internos, depoimentos de sobreviventes e análises ideológicas relacionadas à organização Nova Acrópole”, diz o site.
A página faz uma ampla “Declaração Legal” onde garante: “A verdade é que a Nova Acrópole não é apenas uma escola de filosofia. Ela é um sistema cuidadosamente desenhado para recrutar, doutrinar e transformar seus alunos mais leais em soldados de um movimento muito maior – e muito mais obscuro – do que qualquer um imagina ao ingressar”. As bases dessa organização seria o “isolamento progressivo, manipulação emocional, culto à personalidade de JAL, hierarquia rígida, supressão do pensamento crítico, sigilo e destruição de documentos”.
Ex-membro montou um Dossiê Nova Acrópole no YouTube
No YouTube, o ex-membro da Nova Acrópole Carlos de Paula montou um longo dossiê com 14 episódios em vídeos onde, segundo ele, jogas luzes sobre a organização. Alguns títulos do seu material são: “A verdade sobre seitas e grupos manipuladores que ninguém conta”; “Nova Acrópole: a religião que não admite ser religião – a igreja de JAL dos últimos dias”, “A história oculta da Nova Acrópole”, “A raiz de uma doutrina preconceituosa”, “Símbolos secretos”, “O que a Nova Acrópole espera dos seus líderes”, “Nova Acrópole e o uso de armas”, entre outros.
A Mangue Jornalismo também encontrou denúncias contra a Nova Acrópole em alguns países. Em setembro do ano de 2023, em Portugal, o vereador de Coimbra, Francisco Queirós, criticou a gestão daquela cidade portuguesa por conceder apoio à Nova Acrópole, alegando que essa organização teria sido considerada “seita”. Há relatos de possíveis sobreviventes de manipulação psicológica, práticas extorsivas e violência física também no México, Espanha e Uruguai.
No final da década de 1990, a Comissão Francesa de Seitas e uma comissão parlamentar da Bélgica classificaram a Nova Acrópole como “seita” junto a outras 171 associações. O governo francês, no entanto, recuou dessa classificação em 2005, mas a Miviludes (Missão Interministerial de Acompanhamento e Combate a Desvios Sectários) continuaria a monitorar as atividades do grupo.
No mesmo ano em que a Comissão Francesa de Seitas removeu a Nova Acrópole da lista de grupos sectários, o Google lançou o YouTube. Foi justamente essa plataforma de compartilhamento de vídeos que fez Lúcia Helena uma personagem conhecida no mundo de palestras de autoconhecimento da Nova Acrópole.


Cards: entrevista para uma das expoentes bolsonaristas e expansão da organização para o Pará (Crédito Redes de Lúcia Galvão)
Sobre denúncias no Brasil e em alguns países, o site Vítimas Nova Acrópole disponibiliza links para o acesso de vários documentos:
1 – “Visão do Judiciário Espanhol sobre Nova Acrópole”;
2 – “Governo Francês: Missão Interministerial de Vigilância e de Luta contra as Seitas”;
3 – “Condenação da Nova Acrópole: Processo de morte com arma de fogo nas dependências da instituição”;
4 – “Condenação de Talal Akbar Husseini – utilização de Nova Acrópole para cometer crimes contra o sistema financeiro”;
5 – “Relatório da Inteligência Nacional sobre Nova Acrópole – indica a associação com a ditadura argentina, perseguição de comunistas e muito mais.
A organização, disse o psiquiatra e criminologista francês Jean-Marie Abgrall no livro Ladrões de Almas: A Mecânica dos Cultos, pegou “emprestado símbolos e ideias elitistas e arianas” por considerar que ela evoca “ideologias de pertencimento, seleção, hierarquia e distinção” – características que, de acordo com o autor, estão presentes em movimentos sectários.
Nova Acrópole nega todas as denúncias
Através de veículos de imprensa em Portugal, a Nova Acrópole refutou todas as acusações feitas contra a organização. Segundo a entidade, tratam-se de acusações infundadas, que não se baseiam em fatos, mas em recortes retirados na internet, “replicando informações dos anos 1980 já comprovadas como falsas e, portanto, descontextualizadas”.
A organização esclareceu ainda que, ao contrário do que foi afirmado, “não teve nenhum tribunal ou decisão judicial a considerá-la como seita” e que o Governo francês não usa esse termo para designar a organização.
No Brasil, em 2017, a Nova Acrópole conseguiu que o Judiciário do Distrito Federal condenasse o Google por não retirar da rede um blog que fazia acusações contra a organização.
Representante de Lúcia Galvão também refuta todas denúncias
A Mangue Jornalismo procurou Lúcia Helena Galvão, por meio da empresária Isabella Arruda, filha da palestrante e sócia majoritária da Kalíope, para apresentar suas versões sobre o assunto.
Isabella disse entender que “a filosofia, como campo de reflexão, naturalmente desperta debates e opiniões distintas. No entanto, é importante esclarecer que muitas das críticas citadas têm origem em matérias antigas, já desmentidas, de caráter tendencioso e, em muitos casos, baseadas em informações falsas”.
A empresária informou que “a Nova Acrópole é uma organização internacional, presente em mais de 60 países, dedicada à difusão da filosofia de maneira prática, cultural e social. Nosso propósito é simples e transparente: tornar a filosofia acessível a todos, como ferramenta para o autoconhecimento e para a construção de uma sociedade mais ética, solidária e fraterna. No Brasil, por exemplo, realizamos inúmeros projetos sociais, culturais e educacionais”.
Ela citou alguns projetos: “Formação em mídias sociais para jovens do Programa Criança para o Bem, em parceria com organizações comunitárias de Brasília, UNESCO e Criança Esperança, oferecendo ferramentas para inclusão digital e empregabilidade. Também “Vivências filosóficas na Fazenda Nova Acrópole, que proporcionam aprendizado, reflexão e contato com valores humanos universais. E “o Encontro Nacional do Instituto Maat, que reuniu estudiosos de diferentes áreas para refletir sobre a justiça nas tradições filosóficas e culturais do mundo.
Segundo Isabella, “são apenas exemplos de uma atuação muito mais ampla, que abrange desde ações de voluntariado, doações de alimentos e atividades culturais abertas ao público, até programas permanentes de formação humana baseados em filosofia clássica”.
A empresa diz que, “quanto às classificações de décadas passadas em alguns países europeus, cabe destacar que não houve qualquer condenação judicial contra a Nova Acrópole. Ao contrário, seguimos legalmente estabelecidos em todos os países onde atuamos, sempre respeitando as legislações locais. É natural que instituições independentes e inovadoras enfrentem incompreensões em sua trajetória, mas acreditamos que o melhor critério para avaliação do nosso trabalho está nos resultados concretos e na transformação positiva que geramos nas comunidades”.
Especificamente sobre Lúcia Helena Galvão, sua mãe, Isabella disse que “sua formação soma-se a mais de três décadas de dedicação ao estudo e ensino da filosofia. Ela é reconhecida nacional e internacionalmente como palestrante e autora de destaque, com milhões de seguidores que acompanham suas aulas e publicações. O caráter motivacional que muitos identificam em suas falas não tem relação com práticas de “coaching”, mas sim com a própria essência da filosofia: inspirar reflexões que conduzam a uma vida mais consciente e virtuosa. Por tudo isso, acreditamos que reduzir nossa atuação a rótulos imprecisos ou a críticas já superadas não faz jus ao alcance cultural, social e humano do trabalho desenvolvido”.
Isabella concluiu afirmando que “a Nova Acrópole seguirá firme em seu compromisso de oferecer filosofia viva e transformadora, promovendo a cultura e o voluntariado em benefício da sociedade”.
Semed alega que palestra “está diretamente relacionada aos eixos prioritários da formação docente e aos desafios pedagógicos”
Em nota encaminhada para a Mangue Jornalismo, a Secretaria Municipal de Educação de Aracaju disse que a sugestão pela palestra partiu do Departamento de Educação Básica (DEB) e do Centro de Aperfeiçoamento e Formação Continuada da Educação (CEAFE). Foram “considerados vários nomes que pudessem estar alinhados ao tema da Jornada Pedagógica, mas após um consenso” optou-se por Lúcia Helena Galvão, acrescentou a pasta.
Questionada sobre este ser um gasto prioritário ante as demandas urgentes da rede municipal na capital sergipana, a Semed disse que a contratação é vista como um investimento porque o painel “ajudará o professor a incorporar na prática pedagógica princípios do humanismo clássico, promovendo o respeito, o autoconhecimento e a convivência harmoniosa”.
O texto ainda destaca que a palestra foi escolhida por “está diretamente relacionada aos eixos prioritários da formação docente e aos desafios pedagógicos previstos para o ano letivo de 2026, sim, justifica esse investimento, pois estará contribuindo para o planejamento e a qualificação das práticas educacionais”.
Por fim, a pasta disse que todas as suas ações de cunho pedagógico são posteriormente avaliadas com “uma pesquisa de satisfação para os participantes”, cujo objetivo é coletar o “feedback sobre a qualidade do conteúdo, a clareza do palestrante e a relevância das informações apresentadas para a prática pedagógica”. A Semed acrescentou, no entanto, que mensurar o impacto da palestra no trabalho dos professores e gestores é algo “subjetivo, pois tudo que se relaciona com a educação é processual”.



Respostas de 25
Que matéria agressiva. Título agressivo. O senhor jornalista desconhece o trabalho da ilustre professora e muito mais desconhece o seu impacto. Na vida de centenas de milhares de pessoas. Pagam milhões para banalidades artísticas, o que é 55k para a equipe da mundialmente reconhecida Nova Acropole. Contraproducente uma propagação de ideias tão afrontosas dentro de um texto desrespeitoso.
Obrigado por seu comentário, que integral e democraticamente foi publicado.
A Mangue não fez críticas agressivas, não acusou e nem denunciou ninguém de nada. A reportagem completa apenas apresentou fatos assentados em fontes, com amplo espaço para posições contrárias entre as fontes.
Mangue Jornalismo.
Eu sei o porquê desta deplorável crítica e maligna inveja contra a Nova Acrópole e a Professora Lúcia Helena: recalque e incompetência de esquerdopata.
Obrigado por seu comentário, que integral e democraticamente foi publicado.
A Mangue não fez críticas e muito menos nutre qualquer tipo “maligna inveja”, apenas apresentou fatos assentados em fontes.
Vamos avaliar com profissionais devidamente formados em Psicologia a possibilidade da pequena equipe da Mangue sofrer de “recalque”.
Mangue Jornalismo.
Lucia Helena é Maravilhosa! Muito feliz por Aracaju está trazendo e proporcionando conteúdo de qualidade para o sistema educacional! Estão de parabéns
Giovani, é capaz de perceber que sua crítica é recalque e incompetência?
Faltou aos autores dessa matéria somente uma coisa fundamental: ao menos assistir a um único vídeo da palestrante e, independente do tema veria citações a Platão, Aristóteles, Marco Aurélio, Fernando Pessoa, Gibran, poetas, filósofos, linhas de pensamento de toda ordem. Qualquer um dos vídeos que optassem por assistir, qualquer um, falaria invariavelmente sobre fraternidade, justiça, amor, equilíbrio, tudo com foco na filosofia de todas as nações e de todos os tempos. Se os autores dessa matéria tivessem assistido a um único vídeo dessa senhora e não apenas se baseado nos títulos, o mínimo que iria acontecer aqui é que refletiriam um pouco mais, ao menos, em 3 quesitos: o de indentifica-la como coach, o de questionar a capacidade dela de transmitir conhecimentos pelo fato do nome dela não aparecer numa lista de sábios aceitos pelo sindicato e o de tentarem em algum momento da matéria relacioná-la com bolsonarismo e outros ismos já que em seus vídeos é uma combatente ferrenha e pacífica dos extremismos de toda ordem. Espero que essa palestra se concretize, pois será de grande valia para os professores e, consecutivamente, para os seus alunos.
Obrigado por seu comentário, que integral e democraticamente foi publicado.
Sim, antes da reportagem vimos alguns vídeos e eles são bons.
A Mangue, em nenhum momento questionou a capacidade da senhora Lúcia Helena em transmitir seus conhecimentos, muito pelo contrário, mostramos que suas palestras nas redes ultrapassam milhões de acesso. A reportagem em questão apenas apresentou fatos assentados em fontes, a exemplo do contrato da palestra, da informação da própria Lúcia de que não é formada em Filosofia, etc, etc.
Mangue Jornalismo.
A Lúcia pode ser tudo, menos pacífica, menos centrada e não-extremista. A máscara que ela veste nos vídeos é o oposto do que ela realmente é.
Criticar é fácil, quero ver é vocês fazerem melhor. Lucia Helena é filosofa sim pelos conhecimentos e pela sua trajetória e senso ético e moral. Vocês demonstram uma posição política esquerdista, e a combatem dado que os valores filosóficos estoicos estão conectados com os valores da direita, coisa que a esquerda desconhece totalmente, valores! Claramente vocês nunca assistiram nenhum video da professora, são muito educativos, inspiradores e com alevado conteúdo ético e moral, recomendo que vocês assistam, estão precisando.
Obrigado por seu comentário, que integral e democraticamente foi publicado.
A Mangue não fez críticas e nem opinou sobre “valores”, apenas apresentou fatos assentados em fontes.
Em hipótese alguma é propósito da Mangue Jornalismo fazer, e muito menos “fazer melhor”, que a senhora Lúcia Helena.
Obrigado pela sugestão de assistir os vídeos. Sim, já vimos alguns.
Mangue Jornalismo.
Senso ético e moral? É moral tornar-se famosa às custas de milhares de voluntários que promoveram o nome dela, ficar milionária em função disso, comprar imóveis no nome dela e alugar esses imóveis para escolas continuarem sustentando a riqueza dela? Qualquer um que participa da Nova Acrópole sabe que ela não vale 1 centavo, mas tolera ela porque tornou a instituição famosa.
Se ela NÃO TEM FORMAÇÃO EM FILOSODIA, NÃO É FILÓSOFA! A graduação dela é em Relações Internacionais. Ou seja, filósofa ela não é.
Muito se questionou o gasto público de R$ 55 mil em uma palestra de Lúcia Helena Galvão, vinculada à Nova Acrópole. No entanto, cabe ponderar: mil vezes preferível um investimento em filosofia aplicada à vida, que estimula a reflexão e a evolução do ser humano em sociedade, do que a quantia, muitas vezes muito maior, direcionada a shows e eventos que pouco ou nada acrescentam ao desenvolvimento intelectual e ético da população.
Convém lembrar que alguns dos maiores nomes da história do pensamento — Sócrates, Descartes, Rousseau, Spinoza, Nietzsche, entre outros — não possuíam formação acadêmica em filosofia, e nem por isso deixaram de ser reconhecidos como expoentes que moldaram a cultura e a consciência ocidental.
Ao desqualificar a palestrante e o movimento a que pertence, o autor do texto demonstra desconhecer aquilo que julga. Não se trata aqui de seita, religião ou crendice, mas de um convite à reflexão sobre nós mesmos e sobre nosso papel na sociedade. Fica, portanto, a sugestão: antes de desmerecer, que se conheça o conteúdo dessas palestras. O próprio crítico, ao ouvir com atenção, perceberia que não há nada de obscuro, mas sim uma oportunidade de diálogo filosófico acessível e enriquecedor.
Obrigado por suas considerações.
Mangue Jornalismo
Realmente muito tendenciosa a matéria!! Quisera que os que se consideram tanto, tô esses cinco por cento da capacidade da professora Lúcia Helena!! Uma mente brilhante e dona de uma incrível sabedoria!!
Sou bacharel em filosofia e há anos estudo a obra de Helena P. Blavatsky dentro do campo da História das Ideias e do Esoterismo Ocidental — uma área que vem crescendo com vigor e rigor acadêmicos, sobretudo em universidades europeias, com centros dedicados a compreender tradições esotéricas em seu contexto histórico, filosófico e cultural (ex.: Universidade de Amsterdã – Centre for the History of Hermetic Philosophy and Related Currents – https://www.uva.nl/en/discipline/religious-studies/western-esotericism/article.html).
Antes de mais, é justo reconhecer que a matéria tem méritos:
– cumpre papel legítimo ao fiscalizar gastos públicos com eventos educacionais;
– traz dados oficiais do contrato e ouve a defesa da palestrante e da Prefeitura;
– lembra que a Nova Acrópole já foi questionada por órgãos públicos em outros países.
Não pretendo entrar em debates políticos, como é inegável perceber no seio desta matéria, mas posso contribuir para esclarecer um ponto específico da reportagem: a suposta associação direta Teosofia ? Blavatsky ? supremacismo branco/nazismo.
A reportagem cita — com base no livro O Reich de Mil Anos: o imaginário conspiratório da sobrevivência nazista após a Segunda Guerra Mundial (2024), do professor Marcos Eduardo Meinerz — que “segundo Blavatsky, atualmente a Terra é habitada pela quinta raça-raiz, a raça ariana, sendo seu continente a Europa”, acrescentando que essa crença conteria “elementos racistas” e teria sido adotada pelos nazistas.
Esse tipo de leitura pode ser relevante para entender como certos grupos reinterpretaram a Teosofia no século XX, mas não reflete com precisão o texto original de Blavatsky, tampouco suas ideias, que apresentam a “quinta raça-raiz” como um ciclo histórico-esotérico misto e não restrito à Europa, rejeitando divisões rígidas entre “arianos” e “semitas” e reconhecendo ampla variação entre povos. É importante salientar que desde o início o primeiro objetivo da Sociedade Teosófica, fundada por Blavatsky e seus colaboradores, foi (e continua sendo até hoje) “formar um núcleo da Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo, casta ou cor”.
Além disso, a própria Blavatsky definia ocultismo não como busca de poder racial ou dominação, mas como um ideal ético e universalista, oposto a qualquer motivação egoísta ou segregacionista:
“O verdadeiro ocultismo é a grande renúncia do eu, incondicional e absoluto, em pensamento e ação. […] Ele exige altruísmo — ‘não para si mesmo, mas para o mundo se vive’ — e não admite distinções de raça, cor, religião ou posição social como barreiras à sabedoria.”
(H. P. Blavatsky, Studies in Occultism, [from Lucifer Magazine, 1887–1888], Theosophical University Press, 1983, trad. nossa)
Blavatsky usa “quinta raça-raiz” como um estágio esotérico da evolução humana, não como categoria biológica moderna. Ela própria reconhece que chamar essa raça de “ariana” é apenas um uso convencional e pouco adequado:
“A árvore genealógica da quinta raça-raiz — geralmente, embora dificilmente de forma correta, chamada de raça ariana.”
(The Secret Doctrine, II, p. 434 — trad. nossa)
“Os registros pertencem à quinta raça, que, embora geralmente chamada ariana, nunca foi inteiramente assim, pois sempre foi amplamente misturada.”
(II, p. 429 — trad. nossa)
Ela chega a rejeitar divisões raciais rígidas:
“A doutrina oculta não admite divisões tais como ‘ariana’ e ‘semita’…”
(II, p. 200 — trad. nossa)
E descreve grande variação fenotípica:
“As raças arianas, por exemplo, hoje variam do castanho-escuro, quase negro, até um tom branco-amarelado…”
(II, p. 249 — trad. nossa)
Quando chama Europa de “quinto continente”, trata-se de uma geografia esotérica (Lemúria, Atlântida etc.), não da afirmação de que a raça ariana seja exclusivamente europeia:
“Da primeira até a quinta, nossa raça-raiz ariana — a Europa deve ser chamada o quinto grande continente.”
(II, p. 8 — trad. nossa)
Além disso, Blavatsky localiza a origem mítica no extremo norte e descreve migrações para Ásia e Europa:
“A raça ariana nasceu e se desenvolveu no extremo norte, embora, após o afundamento do continente da Atlântida, suas tribos tenham emigrado mais ao sul para a Ásia.”
(II, p. 768 — trad. nossa)
“A terceira sub-raça do tronco ariano, nascida e desenvolvida na Europa e na Ásia.”
(II, p. 753 — trad. nossa)
O próprio marco “histórico” é atribuído aos arianos indianos:
“…o ‘período histórico’ começou com os arianos indianos, com seus Vedas…”
(II, p. 714 — trad. nossa)
Outro ponto pouco conhecido é que o próprio regime nazista não aceitou a teosofia como ideologia e a reprimiu duramente. Pesquisas recentes em história do esoterismo mostram que, entre 1934 e 1937, o SD (Sicherheitsdienst, serviço de segurança da SS) e a Gestapo, vigiaram, censuraram e dissolveram sociedades teosóficas na Alemanha — inclusive aquelas cujos líderes tentaram alinhar-se ao nazismo. Hermann Rudolph e Hugo Vollrath publicaram panfletos exaltando Hitler e buscando apresentar a teosofia como fundamento espiritual do nacional-socialismo; ainda assim, suas organizações foram banidas como “associações maçônicas” e classificadas como ameaças ideológicas. Johannes Maria Verweyen, secretário-geral da Sociedade Teosófica (Adyar) na Alemanha, defendeu políticas antissemitas e exaltou Hitler, mas sua sociedade foi igualmente proibida em 1937; ele próprio acabou preso em 1941 e morreu em Bergen-Belsen.
Esse histórico mostra que, mesmo quando alguns dirigentes tentaram instrumentalizar a teosofia para fins nacionalistas, o Terceiro Reich a tratou como concorrente e perigosa, não como aliada, o que reforça que a cosmologia de Blavatsky não foi absorvida nem serviu de base à ideologia racial nazista.
(ver Staudenmaier, Peter, Between Occultism and Nazism: Anthroposophy and the Politics of Race in the Fascist Era, Brill, 2014, especialmente pp. 223–228)
Portanto, reduzir essa cosmologia — complexa, mitológica e não científica — a uma frase curta que a liga a “supremacia branca europeia” não é correto. Blavatsky fala de ciclos de civilizações misturadas, recusa divisões étnicas rígidas e inclui amplas origens e migrações. E, quando grupos posteriores reinterpretaram e tentaram cooptá-la para o nazismo, foram rejeitados e reprimidos pelo próprio regime.
Em resumo: é legítimo questionar políticas públicas e avaliar grupos atuais que se inspiram em tradições antigas. Mas é intelectualmente mais honesto apresentar Blavatsky a partir de seus textos primários: “ariano” nela é um termo esotérico-histórico, heterogêneo e misto, não um marcador biológico ou supremacista. A ligação direta Teosofia ? supremacismo branco ou nazismo é uma simplificação anacrônica que empobrece o debate — que deve ser feito com o texto de Blavatsky aberto, não com paráfrases que comprimem uma cosmologia complexa em slogans ou que ecoam preconceitos ultrapassados contra àquela escritora.
(Convido o leitor imparcial a tirar suas próprias conclusões, consultando diretamente a edição original de A Doutrina Secreta [Unabridged Verbatim Theosophical University Press, 1888] e que foi citada amplamente neste meu comentário. Pode-se encontrá-la e baixá-la gratuitamente junto com outras obras neste link a seguir: https://www.theosociety.org/pasadena/ts/h_bio-hpb.htm) ou adquiri-la impressa nas grandes livrarias (amazon.com, etc.).
Acredito que as críticas a escolha de palestrantes estão mais que corretas: mais do que uma única versão de moral, por mais livremente baseada que seja em filosofia clássica, os professores precisam de conteúdo científico sobre as condições sociais, neurais e pedagógicas dos alunos hoje.
Escolher uma palestrante tendo por base ser famosa no YouTube, e não pela formação, parece indicar que os professores deveriam fazer o mesmo. Ou seja, procurar lacrar mais com os alunos.
Poderia até dar certo. A aula seria dada. Mas com que conteúdo? Eu vi essa Helena Galvão fazendo umas citações tão obviamente adaptadas para a ideia que ela queria, que fiquei arrepiada.
O professor de filosofia, ou quando matéria, tem que ensinar essa mesma matéria. Não usar as fontes livremente, para adapta-las a defesa de sua própria opinião.
E se, por um lado, a nova acrópole resgata um pouco da simplicidade da filosofia antiga, ela, por outro lado, trata como um saber de poucos, a ser resumido a bem prazer para os muitos. O próprio sistema “sala de aula” abre pouquíssimo espaço para qualquer debate. Quem gosta fica, quem não gosta, sai da bolha. Tudo bem, mas isso é opinião. Não é filosofia.
Os objetivos da Instituição fundada por Blavatsky (A Sociedade Teosófica) podem ser encontrados na página da sua filial no Brasil a partir do link: https://sociedadeteosofica.org.br/quem-somos/
Essa senhora, cuja “formação filosófica” se deu exclusivamente na instituição teosofista chamada Nova Acrópole, presta um grande desserviço ao ensino de filosofia no Brasil. A Nova Acrópole é uma escola de teosofia, dessa teosofia obscurantista, concebida pela ocultista Helena Blavatsky. É lamentável que muitos no Brasil não consigam compreender que teosofia e filosofia são coisas absurdamente distintas e incompatíveis. Isso se deve, no meu entendimento, à pobreza de nossa formação filosófica. Parabéns pela matéria.
Em continuidade aos comentários anteriores (ambos publicados pelo perfil “Santos” em 30/09/2025), posso trazer aqui exemplos documentais que ilustram como certas interpretações pós-Blavatsky de autores teosóficos secundários, especialmente Charles Webster Leadbeater, introduziram leituras racializadas estranhas ao espírito universalista da Teosofia original. Foram esses, e não Blavatsky, que introduziram ruído racista na literatura teosófica.
As formulações de Leadbeater, publicadas nas primeiras décadas do século XX, mostram uma tentativa de traduzir conceitos espirituais em categorias morais e biológicas, refletindo os preconceitos da época. Em O Homem Visível e Invisível (1903), Leadbeater descreve “algumas das raças negras inferiores” como representantes de um estágio “prematuro” da evolução e caracteriza o “selvagem” como “uma criatura de impulsos violentos e frequentemente viciosos”, associando a cor “verde-sujo” à “trapaça, perfídia e avareza” (Leadbeater, 1903, pp. 87-89). Afirma também que “a devoção indicada pelo tom cinza-azulado deve ser um culto fetichista, amplamente tingido de medo e movido por interesse próprio” (p. 87). Trata-se de uma linguagem que moraliza e hierarquiza a diversidade humana, algo muito diferente do que em A Doutrina Secreta de Blavatsky, onde “raça” é um conceito simbólico e cíclico, não biológico.
Essa tendência reaparece em “Salvo por um Espírito” (1911), tradução do conto “Saved by a Ghost” da coletânea “The Perfume of Egypt”, em que Leadbeater divide a sociedade colonial em “brancos”, “negros” e, “por fim e o pior, os mestiços — uma raça mista que parecia combinar todas as piores qualidades de ambos os progenitores” (Leadbeater, 1911, p. 205). O texto associa a mestiçagem à degeneração moral e à violência, expressando um discurso claramente marcado pelo racismo científico e pelo imaginário imperial de sua época. Tais representações, hoje indefensáveis, ilustram como, após Blavatsky, alguns escritores chamados de “teosóficos” reinterpretaram de forma reducionista o vocabulário espiritual das “raças-raízes”, invertendo o sentido ético e cosmológico que, nos textos fundacionais, apontava para a unidade essencial da humanidade.
As descrições de Leadbeater, que ele alegou serem resultado de uma “clarividência treinada”, contrastam fortemente com a diretriz antirracista atribuída aos “professores espirituais” de Blavatsky (chamada por ela de mestres ou mahatmas). No documento atribuído àquele que ficou conhecido por “Maha-Chohan” é dito:
“A raça branca deve ser a primeira a estender a mão da fraternidade às nações escuras, a chamar os pobres e desprezados “negros” de irmãos.”
(Barker, 1923, “Visão do Chohan sobre a Sociedade Teosófica”, p. 505)
Esses exemplos reforçam a importância de distinguir entre o pensamento de Blavatsky (e seus mestres) e certas derivações posteriores que se afastaram, no campo teórico e prático, do princípio teosófico da fraternidade universal, primeiro objetivo declarado da Sociedade Teosófica.
Referências:
Leadbeater, C. W. (1903). Man visible and invisible: Examples of different types of men as seen by means of trained clairvoyance. New York: John Lane, The Bodley Head.
Leadbeater, C. W. (1911). The perfume of Egypt and other weird stories. Adyar, Madras, Índia: The Theosophist Office.
Barker, A. T. (Transc.). (1923). The Mahatma Letters to A. P. Sinnett. Appendix 2: “The Mahatma Letters to A. P. Sinnett. View of the Chohan on the T.S.”. Theosophical University Press.
Em continuidade aos comentários anteriores (ambos publicados pelo perfil “Santos” em 30/09/2025), posso trazer aqui exemplos documentais que ilustram como certas interpretações pós-Blavatsky de autores teosóficos secundários, especialmente Charles Webster Leadbeater, introduziram leituras racializadas estranhas ao espírito universalista da Teosofia original. Foram esses, e não Blavatsky, que introduziram ruído racista na literatura teosófica.
As formulações de Leadbeater, publicadas nas primeiras décadas do século XX, mostram uma tentativa de traduzir conceitos espirituais em categorias morais e biológicas, refletindo os preconceitos da época. Em O Homem Visível e Invisível (1903), Leadbeater descreve “algumas das raças negras inferiores” como representantes de um estágio “prematuro” da evolução e caracteriza o “selvagem” como “uma criatura de impulsos violentos e frequentemente viciosos”, associando a cor “verde-sujo” à “trapaça, perfídia e avareza” (Leadbeater, 1903, pp. 87-89). Afirma também que “a devoção indicada pelo tom cinza-azulado deve ser um culto fetichista, amplamente tingido de medo e movido por interesse próprio” (p. 87). Trata-se de uma linguagem que moraliza e hierarquiza a diversidade humana, algo muito diferente do que em A Doutrina Secreta de Blavatsky, onde “raça” é um conceito simbólico e cíclico, não biológico.
Essa tendência reaparece em “Salvo por um Espírito” (1911), tradução do conto “Saved by a Ghost” da coletânea “The Perfume of Egypt”, em que Leadbeater divide a sociedade colonial em “brancos”, “negros” e, “por fim e o pior, os mestiços — uma raça mista que parecia combinar todas as piores qualidades de ambos os progenitores” (Leadbeater, 1911, p. 205). O texto associa a mestiçagem à degeneração moral e à violência, expressando um discurso claramente marcado pelo racismo científico e pelo imaginário imperial de sua época. Tais representações, hoje indefensáveis, ilustram como, após Blavatsky, alguns escritores chamados de “teosóficos” reinterpretaram de forma reducionista o vocabulário espiritual das “raças-raízes”, invertendo o sentido ético e cosmológico que, nos textos fundacionais, apontava para a unidade essencial da humanidade.
As descrições de Leadbeater, que ele alegou serem resultado de uma “clarividência treinada”, contrastam fortemente com a diretriz antirracista atribuída aos “professores espirituais” de Blavatsky (chamada por ela de mestres ou mahatmas). No documento atribuído àquele que ficou conhecido por “Maha-Chohan” é dito:
“A raça branca deve ser a primeira a estender a mão da fraternidade às nações escuras, a chamar os pobres e desprezados “negros” de irmãos.”
(Barker, 1923, “Visão do Chohan sobre a Sociedade Teosófica”, p. 505)
Esses exemplos reforçam a importância de distinguir entre o pensamento de Blavatsky (e seus mestres) e certas derivações posteriores que se afastaram, no campo teórico e prático, do princípio teosófico da fraternidade universal, primeiro objetivo declarado da Sociedade Teosófica.
Referências:
Leadbeater, C. W. (1903). Man visible and invisible: Examples of different types of men as seen by means of trained clairvoyance. New York: John Lane, The Bodley Head.
Leadbeater, C. W. (1911). The perfume of Egypt and other weird stories. Adyar, Madras, Índia: The Theosophist Office.
Barker, A. T. (Transc.). (1923). The Mahatma Letters to A. P. Sinnett. Appendix 2: “The Mahatma Letters to A. P. Sinnett. View of the Chohan on T.S.”. Theosophical University Press.
A mesma não é professora. Não possui nenhuma formação que justifique tal título. Manipula incautos que não conhecem as referências que ela cita de forma confusa e manipuladora. Procura pelo vídeo que o Vitor Lima destrincha ela falando sobre platão então entenderá porque é um perigo ela disseminar desinformação, ainda mais com dinheiro público.
Sua instituição tem como máxima “Não há nada superior a verdade” e não houve nenhuma mentira na matéria. Deixem de ser hipócritas.
Oi Paulo, gostaria de saber mais, verdadeiramente, você já a conheceu ou tomou conhecimento sobre quem ela é por alguém de confiança?