Pesquisa revela que 45% dos sergipanos desaprovam gestão do governador Fábio Mitidieri e 39% aprovam

Registro com governador com sua chapa para 2026 (Crédito Reprodução Redes Digitais)

O Instituto AtlasIntel divulgou uma pesquisa realizada com mais de 200 mil eleitores de todo país para saber se os brasileiros aprovam ou não as gestões dos governadores e dos prefeitos das capitais. A margem de erro oscila entre um e quatro pontos percentuais, a depender do volume da amostra de cada estado.

Dos 27 governadores, o de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD) aparece apenas na 21ª colocação com aprovação de apenas 39% e desaprovação de 45%. Sobre sua gestão, 16% não souberam avaliar. 

Entre os governadores, quem lidera é Ronaldo Caiado (União), de Goiás, com 80% de aprovação e só 15% de reprovação. O segundo colocado é o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), com 69% de aprovação contra 22% de rejeição.

Na outra ponta está o governador Wilson Lima (União) do Amazonas, com 25% de aprovação e 65% de desaprovação. Acompanha nesse patamar o governador Ibaneis Rocha (MDB), do Distrito Federal, que tem 33% de aprovação e 60% de rejeição.

Sobre os prefeitos de capitais, a pesquisa revelou que das 26 cidades, a prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (Republicanos) ficou na 14ª posição com 49% de aprovação, 37% de reprovação e 14% não souberam avaliar. No país, o prefeito mais bem avaliado, com 82%, é Eduardo Braide (PSD) de São Luís/MA. O pior é Adriane Lopes (PP), de Campo Grande/MS, com 14% de aprovação.

Percentuais de aprovação e reprovação de governadores

Fonte: AtlasIntel 2025

“Não é surpresa que o governador de Sergipe tenha hoje mais reprovação do que aprovação. Esse dado não cai do céu nem é fruto de mau humor momentâneo da população, mas expressa a grande insatisfação da população com um projeto político que governa para poucos, se sustenta em propaganda e alianças de ocasião, e falha em responder aos problemas estruturais do estado”, avaliou a deputada Linda Brasil (PSOL), líder da oposição na Assembleia Legislativa.

Para Linda, o governo de Fábio Mitidieri se apresenta como moderno e eficiente, mas na prática opera um modelo clássico de Estado mínimo para o povo e Estado máximo para os interesses privados. “A perseguição a servidores públicos, a desvalorização do magistério e a privatização de serviços essenciais não são desvios: são escolhas políticas. E escolhas que retiram direitos, enfraquecem o Estado e aprofundam desigualdades”, revela. 

A deputada cita o exemplo da privatização da Deso como fruto de modelo de estado só para os ricos. A empresa pública de água “foi vendida como solução, mas aprofundou problemas históricos e criou novos gargalos, inclusive no abastecimento de água em regiões que antes não enfrentavam esse tipo de crise. Isso evidencia um governo que abdica de governar e transforma direitos básicos em mercadoria”, reforçou Linda.

O líder do governo da Assembleia, deputado Cristiano Cavalcante (União) disse que o que tem visto nas ruas é o contrário. “Tenho acompanhado o governador em atos e entregas, é a receptividade do povo que tenho visto, o diálogo olho no olho, que é uma marca do governador Fábio Mitidieri e ações distribuídas nos 75 municípios, sem exceção, sem contar com os investimentos que vêm sendo realizados em todas as áreas”.

Para o deputado, Sergipe “comemora números como a menor taxa de desemprego de nossa história, incluindo com o amplo investimento na capacitação profissional de jovens e promoção do primeiro emprego; a quantidade de obras nas áreas da educação e infraestrutura, com destaque para o Complexo Maria do Carmo Alves, em Aracaju; as mudanças tributárias que garantiram a competitividade e o processo de renegociação de dívidas, ampliando a arrecadação; programas como o Ciranda Sergipe e Prato do Povo; a ampliação do Programa Mão Amiga; o combate à fome, inclusive com reconhecimento nacional sobre uma pauta tão fundamental; o crescente investimento em segurança pública; o maior quantitativo de concursos já registrado na história e tantos outros”.

No entanto, o deputado Cristiano disse que “é inegável que a população tem pressa – e temos cobrado rotineiramente – as melhorias no abastecimento de água junto à Iguá, principalmente, que é o maior gargalo, hoje, e que estamos trabalhando, em conjunto com o governador Fábio Mitidieri, para solucionar o quanto antes”, promete.

A Mangue Jornalismo também procurou o Governo do Estado para comentar os dados da pesquisa. Por nota, a assessoria do governador afirmou que que “o governo recebe a pesquisa com respeito, mas sem submissão ao sensacionalismo de parte da oposição. Os números mostram um governador competitivo, com base social sólida, governo avaliado como mediano em um cenário nacional difícil e ampla margem para crescer à medida que novas entregas em segurança, infraestrutura e inclusão social forem consolidadas. Quem aposta em fim de ciclo a partir de um retrato de momento provavelmente está confundindo torcida com análise”. Além disso, enfatizou que “Sergipe está entre os cinco estados que mais reduziram a fome”.

Gestão de Mitidieri foi reprovada com nota 1,67 dos professores

Pelo segundo ano consecutivo, a política educacional do Governo de Sergipe foi reprovada por professoras e professores da Rede Estadual. A gestão de Fábio Mitidieri teve nota de apenas 1,67, mais baixa do que a de 2024, que foi de 1,82. Essa nota é dada pelos profissionais do magistério de todo estado, é apurada, organizada e divulgada todo final de ano pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica do Estado de Sergipe (Sintese). 

Além do governador, prefeitos também são avaliados na pesquisa. Todos são avaliados à luz da legislação educacional e recebem notas de zero a 10 diante da política implantada na educação ao longo de 2025. Dos 74 municípios no quais o Sintese representa os educadores, em 69 os prefeitos foram reprovados, o que significa que apenas cinco municípios sergipanos tiveram notas acima de 5,0.

“A nota atribuída ao Governo do Estado na gestão da educação, 1,67, é um reflexo de todo este descaso com a negociação, com o desrespeito a direitos, acentuando a política de empobrecimento de professoras e professores, hoje com uma perda salarial que ultrapassa os 54%, e culminando em algo escandaloso, que são estes altos montantes que deixaram de ser investidos na educação. Esperamos que os órgãos responsáveis tomem as devidas providências”, enfatizou a professora Leila Moraes, vice-presidenta do Sintese.

Péssima nota e denúncia de não aplicação correta dos recursos da Educação (Crédito Sintese)

O presidente do Sintese, professor Roberto Silva, disse que o governo, “não satisfeito em fechar a negociação de forma unilateral após um ano de audiências, alegando não ter verba – mesmo com um crescimento de receita de R$ 3 bilhões em 2025 –, nos últimos três anos também não aplicou corretamente os investimentos mínimos educação, descumprindo o estabelecido pelo Plano Estadual de Educação (PEE), a Constituição do Estado de Sergipe e a Constituição Federal”.

Segundo dados apresentados pelo sindicato, com base no Portal da Transparência, em 2023, o Governo de Mitidieri teria deixado de investir na educação quase R$ 74 milhões. No ano passado, o sindicato encontrou um não investimento de R$ 72 milhões. E até outubro de 2025 foram deixados de investir R$ 301 milhões.

“O que está acontecendo na educação de Sergipe é escandaloso e, por isso, o Sintese já enviou ofícios ao Ministério Público Estadual e ao Ministério Público de Contas, do Tribunal de Contas do Estado, para que se investigue sobre estes altos montantes que deixaram de ser investidos na educação de Sergipe ao longo da gestão de Fábio Mitidieri. As autoridades precisam saber e cobrar o porquê este dinheiro não foi investido. Onde está este dinheiro? E precisa obrigar o Governo de Sergipe a cumprir com o que estabelece a legislação e destinar estes recursos ao seu devido lugar, que é a educação”, cobra o presidente do Sintese.

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