“Perdi meu apartamento por causa de jogos de azar online”, os relatos de pessoas em Aracaju viciadas em apostas

O vício em jogos online é uma doença que tem crescido sem controle nos últimos anos. (Crédito: Pexels/Imagem ilustrativa)

“Antes de começar, peço empatia e muito respeito. Se for para me julgar, não comente. Estou aqui para contar algo que vivi com jogos. Não estou tirando minha responsabilidade, entrei porque quis, mas digo uma coisa: não consegui sair na hora que quis. Chorei vários e vários dias, pedia força a Deus para me tirar de lá. Não sabia o que fazer, só chorar. Por causa do vício em jogos, perdi a herança que meu pai me deixou, meu apartamento”. Este relato é de “Alice”, 28 anos, profissional da saúde que atua em Aracaju.

Apesar de ela autorizar sua real identificação e a publicação do seu desabafo, a Mangue Jornalismo optou por usar o nome “Alice”, preservando e protegendo sua identidade e família. O mesmo ocorreu com os relatos de outras duas vítimas de jogos de azar online entrevistadas para esta reportagem. Para protegê-las, a Mangue usou os nomes ficcionais de “Rosa” e “Cláudia”. Na história das três, somente seus nomes próprios foram alterados. A Mangue entrou em contato com dois jovens que se reconhecem viciados em jogos, mas eles não quiseram falar, mesmo com garantia de anonimato.

O vício em jogos de azar, que hoje estão na palma da mão no aparelho celular, não é mi mi mi, não é brincadeira, não é frescura. É uma doença registrada na Organização Mundial da Saúde (OMS) como ludopatia, o desejo incontrolável de continuar jogando. Ela tem na OMS a Classificação Internacional de Doença como “mania de jogo e apostas” (CID: 10-Z72.6) e “jogo patológico” (CID: 10-F63.0). O vício atinge todas as classes sociais, a maioria de homens entre 18 e 40 anos.

Alguns pacientes com esse transtorno chegam nas unidades públicas de saúde. Dados do Ministério da Saúde indicam que houve um grande crescimento de atendimentos ambulatoriais de pessoas com vício em jogos de azar online, principalmente depois do aparecimento das bets, empresas de apostas e cassinos virtuais. A procura por socorro nas unidades do SUS no país saltou de 65 pessoas no ano de 2019 para 1.292 em 2024. O Intercept Brasil constatou que esse aumento foi impulsionado por três estados: Rondônia (415 atendimentos em 2022), Roraima (465 em 2023) e Sergipe (692 em 2023). Ou seja, Sergipe teve o maior número no país, em 2023, de atendimentos pelo SUS a pessoas viciadas em jogos de azar. Além disso, naquele ano, três pessoas receberam no estado o auxílio-doença pelo INSS por conta desse vício. “É uma patologia, e não uma escolha do indivíduo ou um desvio de caráter”, explica a psicóloga Ana Cristina Novelino Penna Franco.

Jogos, cassinos e bets têm acesso facilitado e ao alcance das mãos (Crédito: Dayene Paz)

Dados apresentados na CPI das Apostas Esportivas no Senado estimam que 25 milhões de pessoas no Brasil jogam online regularmente. Só entre janeiro e março deste ano, os brasileiros teriam movimentado cerca de R$ 30 bilhões em cada mês em apostas online. Segundo dados do Banco Central, os recursos oriundos do Bolsa Família desperdiçados em bets chegaram a R$ 3 bilhões em agosto do ano passado. Um levantamento do Instituto Locomotiva em 2024 aponta o perfil de quem joga nas bets.

A psicóloga Ana Franco diz que é importante reconhecer que os jogos online de azar estão cada vez mais presentes na rotina, dentro de casa, podendo causar dependência e prejuízos sociais, psicológicos e financeiros em pessoas das mais diversas idades e situações de vida. Ela defende a regulamentação urgente desses jogos. “Apesar da grande quantidade de pessoas declaradas como jogadores patológicos, sabe-se que os números ainda são bastante conservadores, já que existe uma dificuldade das pessoas reconhecerem o problema e procurarem ajuda”, ressalta.


“Saiam enquanto é tempo, isso não é coisa de Deus”

“Tenho 28 anos, sou mãe de um príncipe lindo, casada e no início do ano passado acabei me envolvendo com jogos online. Sim, é difícil, muito difícil contar essa parte da minha história, mas Deus vem falando comigo para eu compartilhar um pouco da minha história para tentar ajudar alguém próximo que esteja preso nesse ciclo maldito e vicioso”, revela Alice. Ela afirma que nunca teve nenhum tipo de vício, não bebe, não fuma, não era compulsiva. “Nunca imaginei que enfrentaria esse tipo de vício na minha vida”, completa.

Alice garante que não começou a jogar online por ganância. “Não foi. Quando você está nesse ciclo, o dinheiro naquele momento perde até o seu valor, eu só queria tentar recuperar e não conseguia enxergar o tanto de dinheiro que já tinha sido perdido. Foram dias, meses, guardando aquilo ali sozinha, sem coragem de contar para ninguém, medo de contar para meu esposo e acabar com meu casamento, e fazer meu filho sofrer”, conta.

Desesperada e afundada em dívidas por conta do vício em apostas online, ela lembra que um dia saiu do apartamento pela madrugada e foi parar na casa de uma tia. “Eu me desabei. Chorou eu, chorou ela e ela só sabia me abraçar e me pediu pelo amor de Deus para contar tudo. Eu sempre fui organizada, e do nada estava pedindo dinheiro emprestado para meus familiares, amigos e conhecidos próximos. Nunca fui disso. Minha família estava desconfiando, só não imaginava a proporção”, relata Alice

Ela conta que o vício não a fez perder só bens materiais, mas a vontade de sair, aumentou a ansiedade, perdeu confiança, credibilidade, afastou-se de Deus. “Fica uma sensação de vergonha. Eu perdi a herança que meu pai me deixou, meu apartamento. Ele trabalhou tanto para deixar todos bem. Eu não consigo me perdoar, eu peço a Deus todos os dias que Ele e meu pai me perdoem por isso, se não meu coração não vai sossegar”, desabafa Alice.

Graças a apoios, ela está em processo de superação. “Eu ainda não superei, ainda vivo dias difíceis quando lembro de tudo que aconteceu, ainda não consigo me perdoar, sinto falta do meu cantinho, da minha alegria, da vontade de viver. Peço a Deus que não falte saúde e trabalho para mim nem para meu esposo. Tenho fé, mesmo que pareça distante, que vamos reconstruir nosso lar”. Ela faz questão de divulgar sua história para ajudar quem passa pela mesma situação. “Isso não é coisa de Deus!! Saiam enquanto é tempo, não voltem, não queriam recuperar, só vai te arrastar cada vez mais para o fundo do poço”.

O vício em jogos quase destruiu a família de Alice. (Crédito: Pexels/Imagem ilustrativa)

“Todo dinheiro que entrava na loja era para jogar”

Cláudia tem 32 anos e era dona de uma loja de roupas na Zona Norte de Aracaju. Era, pois não tem mais a loja. “Comecei a jogar online por curiosidade. Apareceu no celular. Era um passatempo. Jogava o mínimo no cartão. Fui ganhando e tudo que ganhava, jogava. Em vez de sacar, preferia apostar. Perdia uma rodada, mas ganhava na seguinte e não sacava. De uma hora para outra, entrei na fase de perder. O que jogava, perdia e queria recuperar, mas não vinha. No fim do dia, estava com prejuízo de mais de R$ 300,00”, contou.

A empresária conta que todo dia acordava com a missão de recuperar o que perdeu no dia anterior. “Era o mesmo: jogava, ganhava uma rodada e perdia duas, mas não parava. Mudava de joguinho, passei pelo Tigrinho, Tourinho, Vaquinha, cassino, aposta em jogos de futebol e o azar era o mesmo. Era uma bola de neve que não se desmancha, só crescia. Acho que gastava uns R$ 2 mil ou mais por semana, o faturamento de 15 dias”, contabiliza.

Cláudia, mesmo torrando as economias da loja e jogando todos os dias, disse que não se sentia viciada. “Só percebi que as coisas não estavam bem quando comecei a vender quase de graça as roupas para quem pagasse no Pix, no meu Pix, não no da loja. Aí eu assumo: fazia isso para jogar”, confessa. Ela é divorciada, tem um filho de 11 anos e sua irmã a ajudava na loja. “Ninguém sabia de nada. Só depois minha irmã descobriu. O dinheiro não entrava no caixa, eu ficava o tempo todo no celular e ela me pegou jogando”.

Sem receber o real valor pelas vendas, sem pagar fornecedores das roupas, sem repor as peças, deixou de pagar aluguel e fez empréstimos. Passava pelo Calçadão, no Centro de Aracaju, e lá entrava nas empresas de agiotas. Os empréstimos não eram para resolver a loja, mas para manter o vício do jogo. “Estava cega. Não pensava em nada, queria recuperar o prejuízo. Jogava, ganhava pouco e perdia muito. Foi o fim. Tive me desfazer da loja e ainda tenho R$ 52 mil de dívidas. Devo, mas tenho como pagar”, afirma Cláudia.

Ela está desempregada e, junto com seu filho e sua irmã, sobrevivem de um benefício do INSS que sua mãe recebe. “Não procurei ajuda psicológica. Acho que essa quebra geral me curou, foi uma lição. Nunca mais joguei apostado, não tenho dinheiro (risos)”, assegura Cláudia. Ela garante que ficou desesperada, que pensou em sumir do mundo, mas tem buscado conselhos numa igreja evangélica vizinha de casa. “Jogo é mentira, é só perder e perder, é coisa do diabo para destruir você e sua vida, mas vou me reerguer”, acredita.

Cláudia se apega à religião para se curar do vício em jogos. (Crédito: Pexels/Imagem ilustrativa)

“Confesso: desviava dinheiro da oficina”

Rosa tem 31 anos, é formada em Administração e o seu último emprego foi como gerente de oficina de veículos em Aracaju. A empresa atende clientes de carros de luxo. “Jogo vicia. Não acreditava. Tinha um mecânico que perdeu o emprego lá porque estava atolado em dívidas de jogo. Não largava o celular e passou a abordar clientes pedindo empréstimos. Seis meses depois, eu fui demitida pelo mesmo motivo, aliás, pior, cheguei a desviar dinheiro para jogar”, confessa Rosa, envergonhada.

Ela disse que via mecânicos jogando e falando que ganhavam dinheiro. “Eles me mandaram um link de um cassino e depois fui para o Tigrinho, o Ursinho, abria por curiosidade, mas é uma praga. Abrir uma vez só e pronto, qualquer coisa que mexia no celular depois disso, só apareciam jogos, vídeos de jogos, gente famosa ganhando dinheiro fácil, tudo muito rápido e envolvente. Experimentei e depois não consegui mais sair. É um vício, o som, a música, tudo chama para você jogar. Se não jogasse, parecia que o tempo não passava”.

Rosa garante que não precisava de dinheiro, “mas se tivesse um pouco a mais, que mal faria, não é? Então comecei a jogar de R$ 10,00, de R$ 20,00. Era uma vez por semana. Ganhava, mas perdia mais que ganhava. O que entrava, não retirava. Via nos vídeos que era assim mesmo, que uma hora a sorte chegava. Aparecia gente com dinheiro, mas para mim a sorte nunca chegou”, revela e acrescenta: “quando recebi o salário, gastei R$ 150,00, perdi tudo e não me conformei. No outro dia, joguei para recuperar o que tinha perdido, gastei mais R$ 200,00 e perdi. Foram R$ 350,00 do salário que não voltaram mais”.

Ela não dizia a ninguém que tinha perdido. Seus familiares não sabiam que jogava. “Eu mentia dizendo que ganhava. Eu só perdia e tinha vergonha de assumir. Com isso, acabei incentivando outras pessoas a jogar na ilusão de ganhar. A segunda coisa foi pior: convencia clientes a pagar em dinheiro o serviço do carro e aí dava desconto. Fazia isso para desviar dinheiro e jogar. O patrão descobriu e eu só não fui parar na polícia porque ele é parente de meu marido. Um dia eu devolvo esse dinheiro”, assegura.

“Meu casamento quase acabou, mas prometi não jogar mais. Estou com atendimento psicológico, ainda no começo. Fico noites sem dormir só pensando em recuperar e pagar as pessoas que prejudiquei, mesmo sabendo que o jogo só vai me afundar. Cassino, Tigrinho, bets, tudo é feito para você perder. Mesmo sabendo que vai perder, quer jogar, é uma desgraça. Não entrem nisso, acaba com sua vida, mas é sempre é tempo de sair”.

Rosa confessa desvio de dinheiro do trabalho para jogar. (Crédito: Pexels/Imagem ilustrativa)

Apostar em jogo de azar online produz a mesma dependência que álcool e drogas

A psicóloga Raquel Martins Marins da Cruz relata que vem observando um crescimento notável na incidência desse transtorno em sua prática clínica. Ela assegura que a ludopatia é um vício igual ao de álcool e drogas. “São todos comportamentos compulsivos que causam grandes prejuízos à vida do indivíduo e de seus familiares, afetando, desorganizando a rotina pessoal, profissional, financeira e social”, explica. A psicóloga Ana Franco reforça: “os jogos de azar são a terceira maior causa de vício no Brasil, só perdendo para o álcool e para o tabaco”.

Ana informa que a pessoa com uma dependência passa por diversos processos químicos e psicológicos, e cada indivíduo deve ter sua história e suas particularidades levadas em consideração. “O agravante da ludopatia é o fácil acesso aos jogos, disponíveis 24 horas por dia. Além disso, pela constante presença da tecnologia em nossas vidas, em muitos casos os jogos são considerados como mecanismos de entretenimento. Demora-se a reconhecer que está existindo um uso desequilibrado e não saudável dos jogos”.

Raquel Martins esclarece que o jogo de azar vicia porque mexe com mecanismos de recompensa do cérebro. “Ao jogar, o cérebro libera dopamina, um neurotransmissor ligado ao prazer e à motivação. Essa sensação viciante cria uma busca incontrolável por mais prazer e excitação. Além disso, o vício pode prejudicar o córtex pré-frontal, a parte do cérebro responsável por decisões racionais, controle de impulsos e planejamento. Com essa área enfraquecida, fica muito mais difícil resistir ao impulso de jogar, mesmo quando se sabe das consequências negativas e da probabilidade de perder”.

Ressalta Ana Franco que o jogador patológico tem uma visão distorcida da realidade, sensações de euforia, satisfação com a “habilidade” no jogo e isso acaba mascarando os prejuízos que a compulsão por jogar traz. “O jogo não é saudável quando a pessoa passa a se isolar socialmente, a ter problemas nas suas relações interpessoais e profissionais, e ter prejuízos psicológicos e financeiros”, lembra. Raquel Martins completa: “Se o ato de jogar começa a trazer prejuízos nas áreas pessoal, profissional, financeira ou social, não é mais passatempo. Nem sempre é o ganhar dinheiro fácil; muitas vezes, a recompensa é a própria sensação de prazer e excitação que o jogo proporciona”.

“O vício em jogos não é uma escolha ou um desvio de caráter, é uma doença”, diz a psicóloga Ana Franco (Crédio: Arquivo pessoal)

Sinais da pessoa em processo de vício e como lidar com a situação

A psicóloga Raquel Martins chama a atenção para alguns sinais que podem indicar que uma pessoa está começando ou mesmo já esteja viciada em jogos: “ter os pensamentos focados no jogo online, aumentando as apostas e perdendo o controle sobre o tempo e o dinheiro gastos, mesmo após tentativas de parar. Sinais como irritabilidade ao não jogar, uso do jogo para escapar de problemas, perda de interesse em outras atividades, o ato de mentir sobre seus hábitos, e a busca desesperada para ‘recuperar’ as perdas, tudo isso são fortes indicativos de um comportamento viciante”.  

Segundo Ana Franco, infelizmente é parte da sociedade o julgamento. “Julgamos antes de tentarmos compreender todos os mecanismos e fatores que fazem a pessoa se tornar dependente. Somos seres únicos e complexos, e cada indivíduo possui sua história, visão de mundo, sonhos, medos e vazios. O viciado em jogos precisa de ajuda profissional e de sua rede de apoio para reconhecer seu vício e buscar formas para que essa dependência o prejudique cada vez menos, que ele possa ter uma vida mais digna e saudável”.

Para Raquel Martins, “julgar alguém com vício em jogos acontece por falta de conhecimento sobre o problema. Ninguém escolhe ser viciado. A melhor forma de ajudar é acolher, tentar entender o que a levou ao vício e, principalmente, incentivar a busca de ajuda profissional qualificada. O acolhimento é o primeiro passo”. Ana Franco destaca que o vício em jogos ainda tem uma característica que complica: o anonimato. “Demora-se a reconhecer que está existindo um uso desequilibrado e não saudável dos jogos. A aposta online permite que o usuário não seja reconhecido, escondendo sua identidade através das telas”.

Raquel Martins diz que “A melhor forma de ajudar a pessoa com esse vício é acolher (Crédito: Arquivo pessoal)

Influência de celebridades para o vício. Como enfrentar essa doença?

Para a psicóloga Ana Franco, a utilização de pessoas famosas é uma poderosa ferramenta de marketing na venda de produtos e serviços. “No caso dos jogos online, a participação delas traz uma falsa sensação de segurança, confiança e de um retorno financeiro certo”. Raquel Martins concorda, e acrescenta que “a presença de celebridades como influenciadores, artistas e atletas promovendo casas de apostas funciona como qualquer outra estratégia de marketing. O objetivo é dar credibilidade e confiabilidade à empresa, usando a imagem do famoso. Isso, sem dúvida, influencia o público, podendo levar mais pessoas a se envolverem com o jogo, muitas vezes sem perceber os riscos”.

Raquel Martins afirma que sair sozinho do vício é extremamente difícil. “A melhor estratégia é buscar ajuda profissional imediatamente, com psicólogos e psiquiatras. O tratamento busca entender os motivos, trabalhando essas questões para evitar recaídas. É fundamental contar com uma rede de apoio, composta por familiares e amigos. Eles são essenciais para o suporte emocional e prático nesse momento”. Ela pede que as pessoas que se sentem viciadas não tenham vergonha. “Reconhecer que há um problema é o primeiro e mais importante passo para iniciar o caminho da recuperação. Não hesite em procurar ajuda e compartilhar sua situação”.

Ana Franco também segue nessa linha. Para ela, o processo de dependência é único para cada pessoa, mas é importante que o usuário e sua família procurem ajuda profissional. “É interessante que a pessoa seja acompanhada em um processo psicoterapêutico, e em alguns casos também se recomenda o uso de psicofármacos, que auxiliam nos sintomas de compulsão, ansiedade e depressão. A pessoa deve ser compreendida, acolhida e cuidada”.

A psicóloga defende ainda o uso da psicoterapia familiar já que todos ao redor do jogador patológico podem ser afetados. “Frequentar grupos de apoio também pode ser importante para que o usuário e sua rede de apoio percebam que não estão sozinhos no enfrentamento desse problema. Além disso, orientações sobre alimentação e atividade física podem auxiliar nos sintomas de ansiedade, depressão, baixa autoestima e para o restabelecimento de uma rotina para o usuário”.

Atendimento na rede de saúde do estado e da prefeitura

A Mangue Jornalismo procurou a Secretaria de Estado da Saúde sobre o atendimento a pessoas com vícios em apostas online, mas foi informada de que “esse atendimento é dado pelo município nas unidades básicas de saúde. O estado é para urgências e emergências. O estado atende em caso de urgência mental no Hospital São José, em Aracaju”.

A Secretaria Municipal de Saúde da capital também foi procurada para saber se tem algum programa, área, algum local específico com profissionais que atendam pessoas viciadas em jogos de azar, quais os horários de funcionamento, quantos profissionais estão envolvidos nesse atendimento e as formas de acesso. A resposta foi protocolar: “No momento não temos nenhum fluxo específico sobre atendimento para as pessoas que estão adoecidas com compulsão por jogos. Ainda é algo que está sendo debatido em nível ministerial. No entanto, os psicólogos que atendem nas unidades de saúde podem atender esses casos”.

A prefeitura não informou para a Mangue, mas a secretaria de Saúde de Aracaju tem “um Pronto Atendimento de Saúde Emocional, um serviço gratuito, 24 horas por dia e todos os dias da semana. Esse atendimento é feito por telefone, por meio do número 0800 888 6466. Ao ligar e selecionar a opção 1, o usuário é direcionado imediatamente a um profissional de psicologia, sem necessidade de deslocamento ou agendamento. O atendimento é seguro, sigiloso e está ao alcance do cidadão a qualquer momento”.

Informações sobre as psicólogas entrevistadas

Ana Cristina Novelino Penna Franco (CRP 19/5434) é formada em Psicologia pela Universidade Tiradentes. Estuda e atua na Abordagem Humanista, possuindo como principais temáticas de interesse a psicologia social, enfrentamento de lutos, transtornos de ansiedade, transtornos depressivos e transtornos de personalidade. Atua como Psicóloga Clínica no Instituto Lyra. Instagram: @_ana.franco

Raquel Martins Marins da Cruz é psicóloga Clínica (CRP-19 004719), pós graduada em Terapia Cognitiva Comportamental, especialista em Transtorno de Humor. site: www.psicologaraquelmartins.com.br. Instagram: @raquelmartinspsic

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Cristian Góes

Jornalista pela Universidade Tiradentes, mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal de Sergipe e doutor em Comunicação e Sociabilidade pela Universidade Federal de Minas Gerais. Experiência como repórter e assessor de Comunicação nas áreas sindical e pública.

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