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É negra a maioria das 215 mil pessoas em Sergipe que não sabem ler nem escrever. O racismo se revela na alta taxa de analfabetismo e na baixa escolaridade

CRISTIAN GÓES, da Mangue Jornalismo, com IBGE

No país do forró, os dados sociais fazem qualquer sanfona desafinar. A cada rodada de divulgação das pesquisas, vai aparecendo um Sergipe profundamente desigual, elitista e racista. Levantamentos denunciam a forte concentração de renda, a existência de 1 milhão de pessoas em situação de pobreza, gente esperando por oito anos por uma simples cirurgia, entre outras tragédias humanas e sociais.

A Agência Mangue Jornalismo insere neste rosário de problemas o analfabetismo. Segundo dados do IBGE/2022, Sergipe tem mais de 215 mil pessoas que não sabem ler nem escrever. O menor estado do Brasil tem a 6ª pior taxa de analfabetismo, com um índice que chega a 11,9%, que é o dobro da média nacional, 5,6%.

No país do forró tem mais gente que não sabe ler nem escrever (só comparando o Nordeste) que os estados de Pernambuco (11%), Rio Grande do Norte (10,4%) e da Bahia (10,2%). Lidera essa tragédia humana do analfabetismo o estado do Piauí, com 14,8%. O Distrito Federal tem a menor taxa do país, 1,9%.

E não termina aí. A pesquisa também revelou que Sergipe ostenta a 4ª colocação no Brasil no número de pessoas com baixa escolaridade, apenas possuem o ensino fundamental incompleto ou mesmo sequer têm instrução.

Para completar, em termos gerais, Sergipe apresenta somente 12,8% dos estudantes em nível superior e esse é o 5º menor percentual de todo o país. Por exemplo, no Distrito Federal, o percentual de estudantes em nível superior chega a 37%.

Analfabetismo e baixa escolaridade deixam nu o racismo estrutural

Os dados da baixa escolaridade e do analfabetismo em Sergipe também confirmam a condição racista no estado. Por exemplo, em todas as faixas etárias pesquisadas, os índices da população analfabeta “preta ou parda” (critério usado pelo IBGE) superam a da população “branca”. No grupo de pessoas com 15 anos ou mais de idade, 12,5% dos analfabetos são pretos ou pardos, enquanto 9,6% são brancos. Veja mais no quadro:

Grupo de IdadeBranca (%)Preta ou Parda (%)Total (%)
15 anos ou mais9,612,511,7
18 anos ou mais10,213,312,5
25 anos ou mais11,815,714,7
40 anos ou mais17,523,321,7
60 anos ou mais30,237,835,5

O levantamento do IBGE também denuncia que, em Sergipe, 47,7% das pessoas com 25 anos ou mais e que são pretas ou pardas possuem apenas o ensino fundamental incompleto ou sequer têm instrução. Entre pessoas brancas, esse percentual é de 37,7%.

Na outra ponta, o racismo também se revela de modo nítido e estruturado na sociedade sergipana: enquanto 10,9% das pessoas pretas ou pardas e que têm 25 anos ou mais de idade possuem ensino superior completo, o percentual, quando aplicado nas pessoas brancas sobe para 18,5%.

O quadro é tão grave que das quase 1,5 milhões das pessoas com 15 anos ou mais em Sergipe que chegaram à escola, 46% delas estavam em situação de classe de alfabetização, ensino fundamental, Educação de Jovens e Adultos (EJA) ou curso equivalente. Esse percentual é de 48,3% entre pessoas pretas e pardas, e de 38,9% entre pessoas brancas.

E o ensino médio? Em Sergipe, apenas 35% das pessoas com 15 anos ou mais concluíram o ensino médio, segundo dados de 2022. Terminou o ensino médio e vai para universidade? Não é bem assim: somente 11,4% estão no ensino superior. E quanto à questão da raça, revela-se: 13,8% entre pessoas brancas e somente de 10,5% entre as pessoas pretas ou pardas com nível superior.

O quadro se afunila mais ainda na pós-graduação. Somente 3,9% chegam na pós, seja especialização, mestrado ou doutorado. Novamente o racismo se revela: na pós-graduação, 5,9% das pessoas são brancas e 3,2%, são pretas ou pardas. Os dados mostram que Sergipe é um dos 12 estados que possuem menos de 4% dos estudantes na pós-graduação e ainda nessa condição racista.

Baixa escolaridade: Sergipe é o 4º pior do Brasil

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) do IBGE em 2022 também apontou que é altíssima a quantidade de pessoas vivendo em Sergipe com baixa escolaridade. São 41,6% que apenas possuem o ensino fundamental incompleto ou estão sem instrução.

Nesse quesito, o estado de Sergipe ostenta a 4ª colocação no Brasil com um índice elevado de pessoas com baixa escolaridade. O estado da Paraíba lidera com 44,3%. Os dados mostram que essa baixíssima escolaridade em Sergipe é maior entre homens (44,7%), sendo que o percentual entre as mulheres ficou em 38,7%.

E não termina aí. Em termos gerais, Sergipe apresenta somente 12,8% dos estudantes em nível superior e esse é o 5º menor percentual do país. Por exemplo, no Distrito Federal, o percentual de estudantes em nível superior chega a 37%.

Na “capital da qualidade de vida”, Aracaju, a pesquisa apontou que 22% das pessoas possuem como grau de escolaridade apenas o ensino fundamental incompleto ou estão sem instrução e 41% de pessoas possuem ensino médio completo ou superior incompleto.

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