
Os jornalistas que trabalham em Sergipe recebem um dos mais baixos pisos salariais do Brasil. Enquanto no vizinho estado de Alagoas, os profissionais acabaram de conquistar um reajuste de 5,32%, fazendo o piso salarial chegar aos R$ 5.000,92, em Sergipe, os donos das empresas de mídia só ofereceram 3%. Hoje, o piso dos jornalistas sergipanos é de apenas R$ 2.433,86.
“Como já é comum as empresas de Comunicação de Sergipe, através do seu sindicato, nunca apontam uma valorização do profissional do Jornalismo em Sergipe. Exigem trabalho de excelência, mas nunca apresentam como contrapartida a valorização das trabalhadoras e trabalhadores, isso tem que acabar”, afirma o presidente do Sindicato dos Jornalistas no Estado de Sergipe (Sindijor), Milton Alves Júnior.
A pauta de reivindicação dos jornalistas sergipanos foi definida em uma assembleia realizada no dia 07 de abril deste ano. Além da atualização do piso do jornalista acima da inflação, os profissionais também exigem a inserção dos dependentes no plano de saúde, a criação do auxílio vestuário, a inserção de cláusula sobre assédio sexual e moral na convenção de trabalho, o incremento no salário base para quem tem mestrado e doutorado, entre outras.
“O sindicato patronal, o Sinertej, demorou 44 dias para receber o Sindijor e não apresentou nenhuma contraproposta de valorização e, no que já é de praxe, os patrões contestaram todas as reivindicações da convenção coletiva apresentadas, tendo o despautério de apresentar como índice de atualização para o piso do jornalista uns míseros 3% de atualização. Esse percentual sequer cobre o índice inflacionário do período que é de 5,33%”, explicou Milton.
O vice-presidente do Sindijor, Guilherme Fraga, disse que os jornalistas formalizaram o pedido de um reajuste de 3% acima do INPC (Índice Nacional de Preço ao Consumidor) que atingiu 5,32% no último período, ou seja, um reajuste de 8,32%. Além disso, por exemplo, o jornalista tem plano de saúde pago em apenas 50% e não se estende aos dependentes. A reivindicação é que esse plano deve contemplar os familiares dos jornalistas.
Existe uma exigência de que o jornalista se apresente bem vestido, está certo, pedimos um auxílio vestuário em cota única de 20% do piso e nada de retorno sobre isso. Também é preciso colocar na nossa convecção cláusulas sobre assédio sexual e moral, mas os patrões se recusam. Além disso, vários jornalistas têm especialização, mestrado, nada mais justo que eles tenham um incremento na remuneração. A proposta é incorporar no salário mensal 1,5% em caso de especialização, 3% para mestres e 5% para doutores. Entretanto, os patrões se negam a discutir”, revela Milton Júnior.
Guilherme Fraga informou que a partir da má vontade do sindicato patronal em acatar as reivindicações apresentadas pela categoria, o Sindijor já solicitou audiência no Ministério do Trabalho para que a próxima reunião seja mediada. Esse encontro vai acontecer na terça-feira, 17.
“Estamos em processo de negociação”
José Messias Carvalho, representante do Sindicato das Empresas de Rádio, Televisão, Internet e Jornais de Sergipe (Sinertej), informou à Mangue Jornalismo que “nós estamos em processo de negociação com o sindicato (dos jornalistas)”. Messias disse que foram expostas as reivindicações para os empresários e foi elaborada uma contra proposta “dentro do entendido possível neste momento. Mas estamos em processo de conversa com todos, de forma aberta e tranquila”, afirmou Messias.



Uma resposta
Por Riva / 14 de junho de 2025 / sábado / 10h27
A desvalorização e as exigências são enormes, mas o Sindicato dos Jornalistas no Estado de Sergipe – representado pelo Presidente Milton Alves Junior – precisa reverter essa situação. A diferença do piso salarial dos jornalistas de Alagoas para Sergipe é muito grande e é necessário um reajuste minimamente compatível. O representante do Sindicato das Empresas de Rádio, Televisão, Internet e Jornais de Sergipe, Messias Carvalho, está defendendo a classe empresarial e, portanto, já demostrou que vai lutar para que jornalistas de Sergipe continuem com um piso salarial defasado e fora da realidade da classe.
Somente uma pergunta: Milton Alves Junior é o “chefe” da editora / gráfica do Estado de Sergipe localizada na Rua Propriá?
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