Assim como fizemos no 1º turno das eleições de 2026, a Mangue Jornalismo publiciza em forma de editorial-manifesto sua posição para o 2º turno. Esta decisão se alinha à Rede Nacional de Proteção de Jornalistas e Comunicadores, da qual a Mangue é membro.
Diferentemente da imprensa tradicional, muitas vezes cúmplice de projetos autoritários, mas que tenta se esconder na falsa retórica da isenção, a Mangue tem lado nítido e transparente, pautado no Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros.
“É dever do jornalista: opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos; combater e denunciar todas as formas de corrupção”, artigo 6º do Código de Ética.
Neste momento da vida política brasileira não é força de expressão afirmar que os mínimos direitos conquistados desde a redemocratização estão sob grave risco.
Não é força de expressão dizer que o país pode se tornar espaço de influência e ação direta dos Estados Unidos de Donald Trump e da extrema-direita internacional.
Não é força de expressão alertar que o Brasil flerta com o abismo que pode nos mergulhar na barbárie, com violações de direitos básicos (salário mínimo, aposentadoria, concurso público, educação, saúde, ciência, cultura) e de ataques ao jornalismo livre e independente.
Uma possível eleição de Flávio Bolsonaro leva todo o país a ultrapassar a última fronteira do direito humano à vida para um estado golpista e de barbárie, com a destruição de políticas públicas e dos avanços sociais que buscam garantir uma vida um pouco mais digna a milhões de brasileiros.
O resultado do 1º turno já colocou parte do país, a partir de 2027, sob uma extrema-direita violenta, assentada em práticas fascistas e incapaz de soluções humanas para os problemas que temos. E para piorar, promete medidas que aprofundarão as desigualdades e a acumulação de poder e riqueza nas mãos de poucos.
Uma trágica eleição de Flávio Bolsonaro no 2º turno seria a última fronteira que o Brasil atravessaria na direção do abismo humano. Ou seja, derrotá-lo é a última chance que temos de preservar o que nos resta de democracia, mesmo fragilizada, e seguir lutando pela construção de um país mais justo e igualitário.
A Mangue Jornalismo, que participa da Rede Nacional de Proteção de Jornalistas e Comunicadores, integrada por centenas de jornalistas, comunicadores e organizações, coloca-se frontalmente contra o projeto político representado por Flávio Bolsonaro, porque ele agrava os problemas que o Brasil precisa superar e coloca em xeque a nossa soberania.
Já sabemos do que esse grupo político é capaz. Durante a pandemia de Covid-19, mais de 700 mil brasileiros morreram, enquanto Jair Bolsonaro negava auxílio, vacina e debochava das vítimas e de seus familiares. Outros milhares de brasileiros passaram fome, buscando na fila do osso a esperança de alimentar os filhos.
Os mecanismos de transparência e de combate à corrupção foram desmantelados no Governo Bolsonaro. A Amazônia atingiu níveis recordes de destruição, o Nordeste foi abandonado, as universidades atacadas. Estes e tantos outros exemplos evidenciam a completa incapacidade desse projeto administrar o país.
Neste momento não se trata apenas da proteção de jornalistas e comunicadores, mas de defesa da própria democracia e da possibilidade de fazer dela um instrumento de garantia e de ampliação de direitos.
O Brasil precisa avançar para manter-se dono do seu próprio destino e oferecer a quem mais precisa o amparo necessário para uma vida mais digna. E para isso não podemos eleger Flávio Bolsonaro presidente.
É totalmente possível derrotar esse projeto de totalitarismo. Mas, para isso, precisamos estar comprometidos com a defesa dos direitos conquistados e com a construção de um país soberano, justo e igualitário.
Não podemos aceitar passivamente que o país se afunde nas trevas. Muito ainda há por se fazer e isso nos obriga a avançar e não retroceder. É hora de nos mobilizarmos, ocuparmos redes digitais e ruas e defendermos, juntos, um Brasil que seja nosso.
Aracaju/SE
Segunda, 12 de outubro de 2026


