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Diocese de Propriá, antes de ser resistência à ditadura, aderiu, legitimou e apoiou o golpe de 1964

Catedral de Santo Antônio, sede da diocese de Propriá (Crédito Marinelson Almeida)

A imagem de uma diocese de Propriá combativa e resistente à ditadura militar está expressa na imprensa local e em grande parte dos trabalhos acadêmicos. Após a abertura política, essa imagem foi reforçada, dada a tendência do período em valorizar a resistência democrática diante da ditadura. Porém, é preciso dizer que o processo que a levou a essa combatividade não foi automático. Pelo contrário, inicialmente, o seu posicionamento foi de adesão e legitimação da ordem instaurada via golpe.

Fundada em 1960, a diocese de Propriá observou atentamente a atualização da Igreja e os acontecimentos políticos do país. No início da década de 1960, a principal missão da diocese era a de articular a influência católica na sociedade. Tinha a preocupação em ampliar o número de padres, reformar as suas frentes de atuação e organizar a missão do laicato. Uma missão que fosse ela mesma uma extensão da missão da hierarquia, a dizer: estimular a penetração da Igreja na sociedade.

A diocese de Propriá, localizada na região mais pobre do Estado de Sergipe, foi fundada dois anos depois da sagração de João XXIII ao papado. Desde a sua primeira carta pastoral, apresentada pelo bispo dom Brandão, a preocupação com a posição da Igreja no mundo esteve presente.[1] A diocese estava ambientada com os ares da renovação proposta pelo Concílio Vaticano II. O bispo dom Brandão vinha da ordem regular dos redentoristas. Eram objetivos dos redentoristas: a evangelização dos mais pobres e o cuidado com os destituídos de apoio espiritual.[2] Apresentavam-se como preocupações iniciais do bispado a ignorância religiosa e os dilemas sociais da população ribeirinha, como o analfabetismo e a miséria.[3]

Dom José Brandão de Castro, primeiro bispo da diocese de Propriá. Crédito: Arquivo do Centro do José Brandão de Castro (CDJBC).

Geograficamente, a diocese tinha uma extensão territorial de 8.597 Km2. Havia doze paróquias. Quatro delas anexadas a paróquias de outros municípios.[4] O número exato da população era o de 175.550 mil habitantes.[5] Uma média impressionante de analfabetos, o índice girava em torno dos 90%. A situação da pobreza era uma peça-chave que aparecia na hora de descrever a região.[6] Aliás, importante frisar que estava localizava no polígono da seca.

A região era marcada pela concentração de terras; portanto, o grande latifúndio era ali sobranceiro. Para ficar em alguns números nauseantes, mesmo uma década após a instalação da diocese, a grande propriedade abocanhava 90% das boas terras. 10% das terras mais cultiváveis se dividiam nas mãos de 70% de pequenos proprietários. Nas conclusões do frade Roberto Eufrásio, metade da população não tinha um palmo de terra para plantar.[7] Rapidamente a área diocesana ficou conhecida pela divisão de região da cana, do sertão e dos projetos das grandes companhias.[8]  


Mapa de Sergipe. Divisões eclesiásticas. Ao norte, a diocese de Propriá. Ao centro, a arquidiocese de Aracaju. Ao sul, a diocese de Estância. Crédito: Rogério Andrade Santos (2019)

Um barril de pólvora: a conjuntura política nos anos iniciais da diocese

A crise política no Brasil, desencadeada pela renúncia inesperada de Jânio Quadros, mexeu decisivamente nas peças do xadrez político do país. A subida abrupta ao poder do vice-presidente João Goulart causou crispações entre militares, líderes empresariais, parlamentares e próceres da política externa norte-americana. Foram orquestradas tentativas para arrefecer os poderes do novo presidente. Primeiro, articulou-se uma campanha que visava impedir a sua posse. Depois, procurou-se castrar os poderes do novo presidente através da saída parlamentarista. Porém, reações políticas e populares articularam um plebiscito que pôs fim à manobra parlamentarista e devolveu a Jango os poderes que cabiam a um presidente da República.

As estruturas do capitalismo periférico e dependente brasileiro exigiam mudanças profundas para retirar o país da inércia no campo econômico e social. Jango levantou uma agenda política que tinha por meta reformar o capitalismo brasileiro. Essa agenda ficou conhecida como as “reformas de base”. Emergiu um bloco de poder político, capitaneado por Goulart, em defesa das reformas na sociedade. Elas atingiam o cerne da dominação do capital estrangeiro no país e definiam um amplo leque de mudanças internas na ordem política e social.

Nas sombras do poder, a oposição desenvolveu uma ampla campanha de desestabilização do governo federal. A campanha conseguiu atrair aliados importantes, incluindo até mesmo setores que defendiam as reformas de base, mas que guardavam desconfianças diante do governo que as apalmava.

Algumas frentes católicas defendiam as reformas de base estimuladas pela atualização do olhar para o social aventado pelo papa João XXIII. Porém, o anticomunismo reforçou a desconfiança dessas frentes diante dos propositores das reformas, a dizer: Jango e seu bloco de poder nacional-reformista. A presença marcante de nomes “esquerdistas” no governo ampliaram as desconfianças. A diocese de Propriá foi uma das instituições atraídas pelas suspeitas contra Jango.

Para piorar a situação, os reflexos da Guerra Fria na América Latina se radicalizaram com os conflitos entre Estados Unidos e Cuba, especialmente após a Invasão da Baía dos Porcos, no ano de 1961. As ingerências da política-externa norte-americana em assuntos locais e o desenrolar da Revolução Cubana de 1959 colocaram mais pólvora num barril que parecia estar prestes a explodir. Como ficou a personagem central deste artigo, a diocese de Propriá, em meio a isso?

O encontro entre a diocese de Propriá e o tio Sam

A linha político-eclesial da diocese de Propriá pretendia desafiar o liberalismo e o socialismo pela via estabelecida por Roma. Condenava a “cobiça dos patrões”, a “concorrência desenfreada” e a “usura devoradora”, típicas da ordem liberal. Porém, enxergava no socialismo o remédio que, ao invés de curar, aprofunda a doença.[9] A diocese optava pelo caminho da maioria do clero brasileiro. Por temer o avanço do “comunismo ateu”, dirimia as críticas ao liberalismo. Sua ojeriza pelo primeiro era, por assim dizer, visceral. Por conseguinte, não perdia tempo ao salientar a oposição da doutrina social da Igreja à doutrina marxista.

Em palestra realizada na Record de São Paulo, no aniversário da independência do Brasil, ano de 1962, o bispo dom Brandão se amparou na doutrina social para alertar que a indiferença dos brasileiros diante dos problemas sociais poderia deixar nas mãos dos comunistas “os argumentos com que tentarão convencer os que sofrem de que a solução só pode estar com eles”.[10] Naquela palestra, o tom usado por dom Brandão era o de quem via a marcha comunista dobrando a esquina.

O clima político na América Latina explicava o seu tom. As radicalizações no processo revolucionário em Cuba angustiavam a diocese de Propriá. Os católicos conservadores, que inicialmente viram alguma justiça naquela Revolução, rapidamente foram criando antipatia pelo processo revolucionário cubano. Rejeitavam as suas radicalizações no campo político e econômico. Certamente, o fato de o Partido Comunista Cubano banir a presença de cristãos em suas fileiras só acentuou a rejeição.[11]

A diocese de Propriá usava um tom distinto quando o assunto eram os Estados Unidos. Defendia muitas das iniciativas da política externa norte-americana, dos tempos de John Kennedy. Foi ela mesma uma das instituições que teceu loas à vinda do embaixador dos Estados Unidos, Lincoln Gordon, a Sergipe, no ano de 1963.

Importa lembrar que o embaixador norte-americano era acusado por lideranças políticas de ser um alienígena a se meter nos assuntos nacionais. Em Sergipe, manifestações públicas condenaram a sua visita. Diversas entidades da sociedade civil lançaram uma nota de repúdio contra a presença de Lincoln Gordon no Estado.[12] A União Estadual dos Estudantes Universitários de Sergipe (UEES) e o Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) encabeçaram a lista de entidades que manifestaram o seu repúdio diante da presença de Lincoln Gordon.[13]

Imagem contida no panfleto dos manifestantes. “Lincoln Gordon e seu Cupicha Lacerda: Inimigos do Brasil”. In: Folha Popular, 06 de abril de 1963, p. 1.

As críticas às ingerências de Gordon nos assuntos domésticos faziam sentido. Gordon mantinha relações que iam da Agência Central de Informações (CIA) ao Departamento de Estado norte-americano, cultivando ligações diretas com os próceres do complexo formado pelo Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (IPES) e o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD). Este complexo empreendia, engenhosamente, a desestabilização do governo Goulart.[14] Gordon era um conspirador-mor, por assim dizer.

Para os grupos ligados ao presidente, não havia dúvidas sobre a atuação de Gordon nas sombras do poder. E foi por isso que repudiaram a sua presença com uma vibrante manifestação pública, numa tarde de segunda-feira, na Praça Fausto Cardoso.[15]

Contudo, saiu do jornal da diocese de Propriá uma das mais intransigentes defesas da presença do embaixador. A matéria “Benvindo, Mr. Gordon”, publicada pelo jornal A Defesa, atacou sem rodeios os grupos que articularam a manifestação contra o embaixador. A Defesa classificou os articuladores do ato de “agitadores comunistas”, que estariam fazendo operários e estudantes de “cobaias”. Não tardou para a diocese lançar a sua “agenda do medo” contra os jovens que conseguiram levar um bom público à Praça Fausto Cardoso.

A sintonia da diocese com a política externa americana também se manifestou em seu apoio ao programa norte-americano “Aliança para o Progresso”. O referido Programa foi criado em março de 1961. Tinha como meta promover algumas reformas modestas, focadas na assistência externa, através do auxílio norte-americano. Por trás da filantropia, um interesse político que foi denunciado pelo governador de Pernambuco, Miguel Arraes. O governador acusou o programa de fazer parte do pacote de ingerências dos Estados Unidos na economia e política brasileira.[16]

Foram várias as acusações, mas nenhuma delas surtiu efeito na diocese de Propriá. A linha paternalista do bispo dom Brandão saudou a linha assistencialista do programa “Aliança para o Progresso”. Isso foi reconhecido pelo próprio bispo, mais de duas décadas depois. Segundo ele, as primeiras ações da diocese, sob a sua orientação, foram paternalistas, o que incluía a ação em defesa da campanha do leite em pó norte-americano.[17]

A tímida defesa pela reforma agrária, as tensões e medo anticomunista

No início dos anos 1960, a posição da diocese sobre a estrutura fundiária brasileira era de uma tímida defesa pela reforma agrária. Uma posição marcada pela denúncia do grande latifúndio, porém crendo que sua solução se daria com o desenvolvimento técnico-econômico e com a cooperação entre “camponeses” e proprietários. Perspectiva evidenciada na entrevista que dom Brandão concedeu ao jornal católico Senhor Bom Jesus. O bispo teceu uma crítica ríspida ao grande latifúndio no Estado de Sergipe e defendeu a necessidade “imperiosa” de uma reforma agrária no Nordeste.[18]

Contudo, na mesma entrevista, dom Brandão lembrou o caso de um fazendeiro de Lagarto que doou terras a 300 famílias, segundo ele, “com excelentes resultados para a economia da região”.[19] Não foi por acaso que dom Brandão lembrou esse caso. Estava alimentando a lógica da cooperação entre proprietários e trabalhadores rurais. Numa manchete de A Defesa, “Como queremos a reforma agrária”, a posição conciliatória também se manifestou nas palavras do monsenhor Sant’Ana, que agradecia a Deus pela existência dos muitos fazendeiros “compreensivos e dedicados”. Defendia uma reforma agrária com as “bênçãos de Deus e da Igreja”, num clima de liberdade, sem o controle do “Senhor Estado totalitário”.[20]

A relação da diocese com os proprietários era estável. A sua defesa pela reforma agrária não a colocava na lista de perseguidos pelo conhecido “partido do boi”. Formado por grandes proprietários de terras, o “partido do boi” era assim chamado em razão da sua influência na vida política. O “partido do boi” tinha um nome oficial no Estado: Sociedade dos Criadores. De acordo com Ariosvaldo Figueiredo, esta reunia “donos de engenhos, usineiros, grandes fazendeiros, todos os reacionários e golpistas do Estado, cada um mais armado e mais violento que o outro”. Segundo este autor, a Sociedade dos Criadores “incendeia, verbalmente, Sergipe, monta central de boatos e cochichos falam, a toda hora, em invasão de propriedades por ‘subversivos’ e ‘comunistas’”[21].

Neste contexto, dias antes do golpe de 1964, a Sociedade dos Criadores realizou um encontro na cidade de Lagarto. Segundo longa matéria do jornal Folha Popular, os latifundiários presentes no encontro bradaram contra a “intranquilidade” política no Estado. Um dos pregadores pediu a união da classe para expulsar “comunistas” de Sergipe. O arcebispo de Aracaju, Dom Távora, foi uma das pessoas que o grupo queria expulsar do Estado[22].

Diferente de dom Távora, a diocese de Propriá não causou o alvoroço na Sociedade dos Criadores. Pelo contrário, naquele momento, a seu modo, ela também entoava a “agenda do medo” no Estado de Sergipe.[23]O anticomunismo era forte na diocese de Propriá. A sua inclinação reformista foi por ele limitada. A diocese acabou rapidamente assentada nas fileiras do reformismo conservador, não aceitando posturas radicais em defesa das reformas.

A legitimação das intervenções norte-americanas e a “agenda do medo” engrossavam as páginas do seu periódico. Não tardou para que tal “agenda” caucionasse a sanha autoritária que grassou no país e em Sergipe.

Entre as reformas de base e a campanha de desestabilização do governo Jango

A diocese de Propriá foi uma entusiasta das proposições do Concílio Vaticano II. O seu periódico oficial, o jornal A Defesa, saudou as encíclias sociais de João XXIII; e o seu bispo, dom Brandão, participou de todas as sessões do evento. Portanto, a diocese se afinou com o aggiornamento (atualização) da Igreja e do olhar da instituição para os dilemas terrenos. Todavia, o anticomunismo, o paternalismo tradicional e os fisiologismos institucionais a impeliam para uma posição híbrida no cenário político.  

Essa posição híbrida siginificava isto: a diocese apoiava as reformas de base do governo João Goulart, ao mesmo tempo em que acusava esse mesmo governo de ser leniente com a “comunização” do país. As reformas deveriam ser feitas, mas conduzidas por outras “mãos”. As “mãos” de quem? Certamente não as de João Goulart. Não que ele fosse o problema. A diocese era mais uma instituição a desconfiar dos nomes que rodeavam o presidente. Para que se tenha uma ideia da complexidade da questão, muitos dos grupos oposicionistas mantinham certa crença de que João Goulart estava em disputa.

Não temiam Jango, pois sabiam que se tratava de um político do diálogo: um estancieiro vindo de rica família, que certamente nada tinha de comunista. Porém, desconfiavam da presença do que consideravam “elementos esquerdistas” presentes em seu governo. O jornal A Defesa ressaltou o apelo feito por Adhemar de Barros para que o presidente se “desvincule do Grupo Esquerdista”.[24] Nota-se que João Goulart também estava em disputa para a diocese. Contudo, a cada guinada à esquerda do governo, aumentavam as desconfianças contra ele.

Quando a relação com a política se dava no âmbito local, a questão ficava ainda mais complexa, haja vista a boa relação entre a diocese e os irmãos Maia – Geraldo, prefeito de Propriá, e Cleto Sampaio, deputado estadual. Estes eram defensores intrépidos das reformas de base e do governo Goulart. O jornal A Defesa classificou Geraldo Maia como um “médico ilustre e benquisto”. Num evento organizado pela União Sergipana dos Estudantes Secundários (USES), realizado na sede dos Cavalheiros da Noite, o bispo e os irmãos Maia ocuparam o mesmo espaço. Por lá, defenderam as reformas de base. O jornal diocesano ressaltou as falas dos três em defesa das reformas.[25]

Fica perceptível que a diocese de Propriá não tinha uma posição contrária às reformas. Aberta à atualização da doutrina social da Igreja, não havia dúvidas de que reformas estruturais deveriam ser feitas. Mas o anticomunismo e a “relação dialética entre a busca do novo e a velha prática religiosa” encetaram uma posição dúbia, escorregadia, capaz de empurrar a diocese para os panteões da oposição que vociferava contra o governo federal.[26] A atmosfera anticomunista e a “agenda do medo” orquestravam uma paranoia psicossocial em cima da crença do inimigo oculto que, para muitos, infiltrava-se no país.[27]

O governo federal era atacado ostensivamente pela campanha das direitas. Assistia aos reformistas-conservadores caindo de vez nos braços da oposição. Ademais, era ainda asfixiado pelas pressões econômicas advindas da Casa Branca.[28] Sábias foram as palavras de dom Hélder, ditas para o próprio Goulart:

Presidente, vamos partir para uma ditadura militar. Os militares não vão aceitar isso. Os Estados Unidos estarão por trás, dando cobertura. Os Estados Unidos não podem permitir uma vitória da esquerda neste país. O Brasil é chave para a América Latina inteira. Vamos ter uma ditadura militar no duro.[29]

Os ecos contra a “subversão”, a “desordem” e o “perigo comunista” produziram o clima de tensão ideal para a intervenção “restauradora” dos militares. Esse clima também estava presente em Sergipe. Foram graves as denúncias feitas por Ariosvaldo Figueiredo sobre a compra de armas da Sociedade dos Criadores.[30] Não era apenas a chegada de armas que o preocupava. Segundo dito por ele, na reunião dos grandes proprietários de terra, em Lagarto, a Sociedade dos Criadores levantou um capital inicial de um milhão de cruzeiros velhos, visando construir sua sede social, montar uma estação de rádio e comprar armas.  Sobre a entrada de armas, Ariosvaldo assegurou categoricamente:

Muitas armas, caixas e mais caixas de revólveres, metralhadoras e munições entram, facilmente, em Sergipe, compradas, especialmente, por Augusto do Prado Franco, os irmãos Rosendo Ribeiro Filho e José Raimundo Ribeiro, que as distribuem entre os fazendeiros, verdadeiros arsenais nas propriedades, clima de guerra em um estado sabidamente manso, pobre, pacífico, sem nenhuma Liga Camponesa, sem nenhum conflito sério, até então, entre proprietários e trabalhadores rurais.[31]

Essas denúncias foram feitas para o coronel Arivaldo da Silveira Fontes, então Secretário de Segurança Pública do Estado. Ariosvaldo Figueiredo chegou a afirmar que o secretário confirmou as denúncias. No entanto, a confirmação não bastava e pouco efeito surtiu. Alguns anos após o golpe de 1964, um dos nomes citados na lista de compradores de armas, Rosendo Ribeiro Filho, esbravejou que para “acabar com as greves comandadas por comunistas e oportunistas que querem perturbar a paz social sergipana” prometia criar em Sergipe o grupo paramilitar Comando de Caça aos Comunistas (CCC).[32] 

E a diocese de Propriá? Como a sua posição hibrida, entre a abertura e o medo anticomunista, influenciou em sua decisão?

A instauração da nova ordem em Sergipe

Por um lado, a moral dos vencedores. Por outro, o lamento dos vencidos. Consumado o golpe, em Sergipe o governador Seixas Dória, num gesto de altivez, recusou a proposta indecente de renunciar as suas inclinações reformistas. Acabou condenado no processo encaminhado a 6º Região Militar por “culpabilidade em atividades subversivas”. Preso, foi enviado para a Ilha de Fernando de Noronha, onde já se encontrava o seu amigo Miguel Arraes, também vitimado pelas arbitrariedades da nova ordem. Com a decretação do Ato Institucional Número 1 (AI-1), selou-se um duro golpe contra a carreira política de Dória: suspendidos os seus direitos políticos por dez anos.[33]

Em sua ficha do Departamento de Ordem e Política Social (Dops), elaborada alguns anos depois da sua prisão, foram destacadas as vitórias eleitorais acachapantes de Dória. O preso era um homem popular. Porém, pesava contra ele os “laços de amizade” com Agonalto Pacheco e Miguel Arraes, a sua defesa pela legalização do PCB e a participação no comício da Central do Brasil, onde teria demonstrado suas “tendências esquerdistas”. A ficha ainda acusava Dória de instigar o povo junto de outras duas figuras das mais visadas: Cleto Sampaio e Geraldo Maia. Os três contribuíam para a “intranquilidade do Estado”.

Interrogado pelo coronel Hélio Ibiapina, o governador foi questionado sobre os motivos de não ter impedido a circulação das cartilhas sociais de dom Távora, arcebispo de Aracaju. As cartilhas que alfabetizavam também promoviam a politização de trabalhadores pobres através do conhecimento dos seus direitos sociais. Para Ibiapina, elas eram “subversivas”. Dória ainda recordou a declaração de dom Hélder Câmara sobre a aprovação das cartilhas por todos os bispos da Igreja. Em seu testemunho, o governador notou que Ibiapina reagiu com um riso malicioso, replicando-lhe da seguinte forma: “D. Hélder e D. Távora, o sr. sabe muito bem, são dos mais vermelhos da Igreja”. Disse que a Igreja “estava muito contaminada”.[34]

O cerco também se fechou para os irmãos Maia. Nada importava as realizações do prefeito Geraldo Maia. Foi vítima da arbitrariedade em razão da “subversão”.[35] Seu irmão Cleto teve o mesmo fim. Contra esse, denúncias ainda mais graves foram feitas. Classificado como subversivo e agitador, sua participação num comício da Paraíba, suas defesas pelas reformas e a acusação de que tentou invadir Cedro de São João para depor o prefeito dessa cidade rechearam sua ficha criminal. Curioso notar que Cleto também foi alvo do arbítrio por participar da campanha de alfabetização baseada no método Paulo Freire.[36] Mais uma campanha de alfabetização defendida por setores da Igreja que virava motivo para incriminar alguém. Esse ponto dava um indício do que estava por vir: a desconfiança da nova ordem com a atualização da doutrina social da Igreja.

Para o arcebispo dom Távora, que antes mesmo do golpe já era vitimado pela intolerância conservadora no Estado, não foi suficiente o apoio recebido por dirigentes de entidades empresariais sergipanas.[37] Ameaçado de prisão, ficou confinado no Palácio Episcopal por vários dias. Graças à intervenção do seu primo, o militar Juarez Távora – figura conhecida da Escola Superior de Guerra e do complexo IPES/IBAD -, o religioso escapou de ser vitimado por outras arbitrariedades.[38]

“Federação das Indústrias e Sesi Solidários com D. Távora”. (Crédito Gazeta de Sergipe, 01 de abril de 1964, 1.)

Depois do golpe de 1º de abril, as marchas da família continuaram a varrer o país. Chegaram a Sergipe. Na capital, os setores mais conservadores da Igreja Católica mobilizaram uma massa de fiéis para o ato, contrariamente ao arcebispo dom Távora, que, segundo o historiador Ibarê Dantas, recebeu o golpe como “um grande retrocesso político”[39]. Por seu turno, os setores conservadores demonstraram o seu entusiasmo com a chamada “Revolução de 1964”.

“Reformas certas, em mãos erradas”: a adesão da diocese de Propriá ao golpe

Entre o apelo por reformas e o medo do comunismo, a diocese de Propriá ficou do lado da “Revolução”. Puxou os seus fiéis para as marchas no baixo São Francisco. Entusiasmado, o bispo citava as dúbias palavras de dom Hélder para defender a sua posição: “as reformas eram uma bandeira certa em mãos erradas”.[40] Uma manchete de A Defesa deixava claro que “o Brasil camponês confia na Revolução”.[41] Numa outra, o terço era exaltado como a “força das forças”. Comemorava-se a Pátria livre do “Credo vermelho e de sua prole macabra: terror, despersonalização, crimes, roubos, escravidão, desespero, morte”.[42]

A confiança de que as reformas seriam feitas pelas “mãos certas” foi expressa em seus editoriais. Castelo Branco foi classificado como “o grande Presidente que Deus nos deu, notável pelo seu espírito de equilíbrio”. Nas mãos dele se depositava a confiança de que sairiam as reformas necessárias para o país, a saber: a agrária, a bancária, a habitacional e “todas as demais reformas que se fizerem mister”.[43] O editorial de 13 de junho de 1964 apresentou a visão do bispo sobre os acontecimentos recentes. Para ele, “um suspiro de alívio atravessou o Brasil” quando se tornou público que, em poucas horas, “o poder tinha saído das mãos dos que estavam para lançar-nos na órbita de Moscou ou de Pequim”.[44]

As marchas chegaram também a Propriá. De acordo com a pesquisadora Solange Simões, a grande maioria das marchas ocorreu depois de consumado o golpe de Estado, com o objetivo semelhante daquelas realizadas antes do golpe: legitimar a intervenção militar.[45] Dom Brandão estava em Recife quando aconteceu a “Marcha da Família com Deus em Ação de Graças”, na cidade de Propriá. Enviou uma mensagem que, segundo ele, foi lida pelo cura da catedral, o padre Paulo Lebeau, um dos redentoristas estrangeiros recém-chegado na diocese.[46] As marchas se seguiram pelas cidades de Japoatã, Aquidabã e Cedro de São João.[47]

No chamado “dia da vitória”, com terços nas mãos, no Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, fiéis agradeceram aos seus santos pelo “triunfo”. Contudo, disse o bispo que na “alegria da vitória” havia o perigo de se pensar que “o povo não tinha razão para se angustiar e reclamar as reformas”. De todo modo, o otimismo fazia morada em suas palavras finais: “O Brasil inteiro confia na Revolução […]. E espera que para cada brasileiro tenha raiado a aurora de tempos realmente novos”.[48]

O jornal A Defesa apresentava a versão oficial da diocese. A “alegria” das marchas e a ação das Forças Armadas foram justificadas por livrar o país de um golpe “rubro-ditatorial”, o qual “transformaria o Brasil numa nova Cuba”. Enfim, o “barril de pólvora” que “estava prestes a explodir” tinha sido paralisado.[49]

“O Brasil camponês confia na Revolução”. (Crédito: A Defesa, 13 de junho de 1964, p. 1.)

Após o golpe, mudanças agitaram a vida política sergipana. Os apoiadores do bloco nacional-reformista saíam de cena, dando lugar a novos dirigentes políticos. A diocese de Propriá saudava os novos nomes, dando a sua contribuição simbólica para a conformação da nova ordem.

Pouco foi dito sobre a perda do mandato do prefeito Geraldo Maia. Nenhum editorial do órgão oficial da diocese em defesa do prefeito antes ressaltado pelas suas páginas como um “gigante do pensamento”. Um político que levava a sério o seu “gigantesco programa administrativo”, realizando suas obras “em tempo recorde”.

As exaltações sobre o “operoso Prefeito de Propriá” se desmancharam como um castelo de areias. Elas deram lugar ao otimismo com a chegada do novo prefeito, Jackson Figueiredo Guimarães, então presidente da Câmara dos Vereadores de Propriá.[50]

Nesta cidade, uma operação militar, liderada pelo capitão Antônio Dantas Bião, foi desencadeada para aprofundar a perseguição aos opositores da “Revolução”.[51] A Defesa noticiou a operação sem tecer nenhum julgamento crítico sobre ela. Pelo contrário, utilizou do léxico “revolucionário” para reafirmar que a operação consistia na continuação dos levantamentos sobre a “subversão” na cidade e irregularidades no setor administrativo.[52] De fato, o último ponto fazia sentido. Logo que se impôs a nova ordem, os seus títeres fizeram questão de pôr atrás das grades agentes públicos envolvidos em esquemas ilícitos.

Preocupavam-se em passar a impressão de que a nova ordem restauraria moralmente o país, afastando-o não apenas dos subversivos, mas também dos corruptos.[53] Dessa forma, muitos populares achavam que os presos políticos eram levados às grades por corrupção ou por algum ato ilícito de magnitude semelhante.

A Defesa publicava informes que enalteciam a realização “revolucionária” do expurgo “moral”, que seguia após a realização do expurgo “ideológico”.[54] Outros prefeitos de cidades acopladas pela diocese de Propriá foram caindo. Alguns até por engano, depois sendo reempossados.[55] A diocese ia legitimando a onda de cassações e intervenções.

Mas em nenhum caso a cooperação da diocese com a nova ordem ficou tão evidente quanto no da cidade de Cedro de São João. Nesta cidade, o Supremo Comando do Estado de Sergipe achou por certo delegar ao padre Manuel Guimarães, pároco da cidade, os poderes de prefeito![56] Da conhecida família Guimarães, o padre Manuel exercia suas atividades na região antes mesmo da criação da diocese. Um nome conhecido e da mesma família do também padre Evêncio Guimarães.

Dom Brandão foi consultado sobre a medida. Como bispo, poderia negar a sua anuência ao pedido. No entanto, ele informou que “nas circunstâncias atuais […], como medida de exceção, não se opunha à aceitação do cargo pelo Pároco de Cedro”.[57] Com a decisão do bispo, a diocese conquistava uma prefeitura e ressaltava a sua aliança com as forças políticas que emergiam.

Inicialmente, não parecia haver contradições entre apoiar as reformas de base em paralelo ao apoio da nova ordem política. Segundo a nota “Reformas Estruturais”, o general Castelo Branco já estudava um esquema “para as reformas estruturais do país serem encaminhadas ao Congresso”.[58]

As palavras de dom Jaime Câmara foram evocadas numa outra nota do jornal diocesano: “Veio na hora a resposta do céu”.[59] Paralelo a isso, os objetivos do novo presidente foram assim interpretados: “restaurar a legalidade e revigorar a democracia, estabelecer a paz e promover o progresso da justiça social”.[60]

A diocese também saudou o novo governador de Sergipe, Sebastião Celso de Carvalho. Vice-governador do Estado durante o governo Seixas Dória. Desejou para Celso de Carvalho a “assistência divina”.[61] Enquanto isso, pouco se comentou sobre a deposição de Seixas Dória. Assim como Geraldo Maia, foi dito que o afastamento se deu “em virtude dos últimos acontecimentos no País”.[62] A diocese também pareceu minimizar as denúncias de que os prisioneiros na Ilha de Fernando de Noronha, dentre eles Seixas Dória, estavam sendo vítimas de maus tratos e torturas.

O jornal A Defesa compartilhou entrevista concedida por Ilza Porto ao jornal Gazeta de Alagoas. Em letras garrafais, três títulos davam ênfase ao que se passava na prisão, segundo comentado na entrevista: “Absoluta tranquilidade”, “Bom tratamento” e “Clima de Paz”. Líder de um grupo feminino de Alagoas, Ilza Porto assegurava que os presos “estão muito bem tratados, com mais regalia e conforto do que merecem”.[63] Para A Defesa, apresentar a entrevista enviesada sobre os presos políticos parecia mais prudente do que apresentar os motivos arbitrários das suas prisões. Mais uma prova do aval diocesano para as cassações políticas, no âmbito local, estadual e nacional.

Portanto, não restam dúvidas que a diocese de Propriá deu o seu beneplácito para a instauração da nova ordem. Uma nova ordem que, por assim dizer, emergiu para resguardar o establishment. O “perigo comunista”, que nunca existiu, verdade seja dita, naquele momento pareceu afastado pela intervenção das “gloriosas” Forças Armadas.[64] Ansiosamente, a diocese aguardava que as “mãos certas” emplacassem as reformas estruturais no país.

Gradativamente, acontecimentos no interior e fora da Igreja Católica foram levando à diocese de Propriá a se ater mais detidamente para a realidade política e social do país e de Sergipe. O binômio “justiça social e dignidade da pessoa humana” estimulou a diocese a rever os seus posicionamentos. O reformismo conservador logo daria lugar a uma postura menos híbrida e mais assertiva em direção a uma inédita opção pelos pobres.

Esse será o foco do próximo capítulo sobre a trajetória da diocese de Propriá.

Osnar Gomes dos Santos é doutor em História pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Defendeu a tese: “Os sinais da conversão: o movimento do cristianismo da libertação na diocese de Propriá-SE (1960-1991)”. O texto na íntegra pode ser baixado aqui. Osnar possui Mestrado em História pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), onde integrou o Laboratório Interdisciplinar de Estudo das Religiões (LIER/UFAL). Possui Graduação em História pela Universidade Tiradentes (2012) e Pós-Graduação em História do Brasil pela Faculdade Pio Décimo (2014). Atualmente, é professor efetivo da Rede Pública do Estado da Bahia.


[1] CASTRO, [Dom] José Brandão de. Carta pastoral de saudação de Dom José Brandão de Castro – Bispo de Propriá. [S.l; s.n;],1960.

[2] HEINZMANN, padre Josef. Afonso de Ligório e os redentoristas. Estrasburgo: Sadifa, 1985. p. 29.

[3] CASTRO, José Brandão de. “Bispo de Propriá lança um apelo: “‘Um seminário para a terra de Dom Cabral’”. Fala à imprensa de Belo Horizonte Dom José Brandão de Castro”. In: Senhor Bom Jesus, março de 1961.

[4] A de Canhoba estava anexa à de Propriá; a paróquia de Gararu estava anexada a de Porto da Folha; a de Muribeca estava anexada a de Cedro; e a de Brejo Grande estava anexada a de Japoatã. Cf. “Paróquias e seus respectivos párocos”. In: A Defesa, 16 de outubro de 1961, p. 1.

[5] Cf. CASTRO, dom José Brandão de. Carta pastoral de saudação de Dom José Brandão de Castro – Bispo de Propriá. 1960, p. 11.

[6] Alguns exemplos: “Bispo de Propriá lança um apelo: ‘Um seminário para a terra de Dom Cabral’. Fala à imprensa de Belo Horizonte Dom José Brandão de Castro”. [Entrevista] Dom José Brandão de Castro, Bispo de Propriá, Senhor Bom Jesus, março de 1961; NASCIMENTO FILHO, Isaías. Ob. Cit., p. 50-51; [Depoimento] Carlos Alberto Santos, ex-membro do Movimento de Educação de Base (MEB) em Sergipe. Resgate de uma história que perpassa a fronteira do saber, através da educação contextualizada, 2013, 7f.

[7] CF. OLIVEIRA, frei Roberto. Caminhando com Jesus: uma experiência missionária no Nordeste. João Pessoa: Ideia, 2006, p. 91.

[8] Cf. “Uma visão do Baixo São Francisco Hoje – Depoimento de dom José Brandão de Castro na CPI das Enchentes”, 10 de setembro de 1981, p. 6.

[9] “Nova figura de trabalhador”. In: A Defesa, 28 de outubro de 1962, p. 2.

[10] “140 anos de Independência com Cristo”. In: A Defesa,14 de outubro de 1962, p. 2.

[11] BETTO, Frei. Fidel e a religião: conversas com Frei Betto. São Paulo: Brasiliense, 1987, p. 212-215.

[12] FOLHA POPULAR. “Protestar junto ao povo contra a vinda a Sergipe do Gringo Lincol [sic] Gordon”, 06 de abril de 1963, p.1.

[13] FIGUEIREDO, Ariosvaldo. História Política de Sergipe (1962-1975), p. 14. 

[14] DREIFUSS, René. 1964, a conquista do Estado. Petrópolis: Vozes, 1981, p. 80-81 e 102.

[15] “Lincoln Gordon e seu Cupicha Lacerda Inimigos do Brasil”. In: Folha Popular, 06 de abril de 1963, p. 1

[16] PARKER, Phyllis. 1964:o papel dos Estados Unidos no golpe de Estado de 31 de março. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1977, p. 71.

[17] CASTRO, [Dom] José Brandão. Mensageiro de Santo Antônio. [Entrevista concedida pelo Bispo de Propriá a Luciano Bernardi. [S.l], 04 de abril de 1984, p. 10.

[18] “O bispo de Propriá fala ao jornal ‘Senhor Bom Jesus’”. In: A Defesa, 15 de novembro de 1961, p. 3.

[19] Ibidem.

[20] SANT’ANA, [Monsenhor] José Moreno. “Como queremos Reforma Agrária”. In: A Defesa, 30 de novembro de 1961, p. 1.

[21] FIGUEIREDO, Ariosvaldo. História Política de Sergipe (1962-1975). Aracaju: [S.n; s.d], p. 51.

[22] FOLHA POPULAR. “O regime de latifundiários envelheceu e ninguém poderá evitar sua morte”, 21 de março de 1964, p. 1.

[23] Essa expressão foi primeiramente usada por Wellington Teodoro da Silva para se referir às publicações anticomunistas do jornal O Lampadário que, para o autor, cumpriam uma “agenda do medo”. Cf. SILVA, Wellington. Catolicismo e golpe de 1964. Belo Horizonte: PUC Minas, p. 247.

[24] Cf. “Ademar e Jango”. In: A Defesa, 15 de abril de 1963, p. 1.

[25] Cf. “Vida estudantil”. A Defesa, 30 de maio de 1963, p. 3.

[26] Sobre a questão da “relação dialética entre a busca do novo e a velha prática religiosa”, ver: IOKOI, Zilda. Igreja e camponeses: Teologia da Libertação e movimentos sociais no campo, Brasil e Peru, 1964-1986. São Paulo: Hucitec, 1996, p. 21.

[27] José Paulo Netto apontou a existência de uma “atmosfera psicossocial de confronto e de caos”. Estampava-se a mensagem: “’a corrupção’ e a ‘subversão’ estariam tomando conta do Brasil e as ‘forças vivas na nação’ já não podiam ‘suportar um presidente desacreditado’”. Cf. NETTO, José. História da Ditadura Brasileira (1964-1985), p. 63. 

[28] Ibidem, p. 59-60.

[29] Cf. CASTRO, Marcos. Dom Hélder, o bispo da esperança. Rio de Janeiro: Graal, 1978, p. 58.

[30] Quando fez as denúncias, Ariosvaldo era Delegado da Superintendência para a Reforma Agrária (SUPRA), do governo Seixas Dória.

[31] Cf. FIGUEIREDO, Ariosvaldo. História Política de Sergipe (1962-1975), p. 68.

[32] Ibidem, p. 220. 

[33] Cf. DOSSIÊ de João de Seixas Dória. Aracaju, [19–]. Arquivo do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), nº P95/05. In: Acervo da Comissão Estadual da Verdade Paulo Barbosa de Araújo (CEV).

[34] Cf. DÓRIA, Seixas. Eu, réu sem crime. Aracaju: J. Andrade/ASL/Fundação Oviêdo Teixeira, 2007, p. 92.

[35] Cf. DOSSIÊ de Geraldo Sampaio Maia. Aracaju, [19–]. Arquivo do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), nº P193/05. In: Acervo da Comissão Estadual da Verdade Paulo Barbosa de Araújo (CEV).

[36] Cf. DOSSIÊ de Cleto Sampaio Maia. Aracaju, [19–]. Arquivo do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), nº P88/05. In: Acervo da Comissão Estadual da Verdade Paulo Barbosa de Araújo (CEV).

[37] Cf. “Federação das Indústrias e Sesi Solidários com D. Távora”. In: Gazeta de Sergipe, 01 de abril de 1964, p. 1.

[38] Cf. DANTAS, Ibarê. A tutela militar em Sergipe: 1964-1984: (partidos e eleições num Estado autoritário). São Cristóvão: Editora UFS, 2014, p. 40.

[39] Ibidem.

[40] Cf. “O Brasil Camponês Confia na Revolução”. In: A Defesa, 13 de junho de 1964, p. 1.

[41] Ibidem.

[42] Cf. “Força das Forças – O Terço”. In: A Defesa, 15 de abril de 1964, p. 1.

[43] Cf. “O Brasil Camponês Confia na Revolução”. In: A Defesa, 13 de junho de 1964, p. 1.

[44] Ibidem.

[45] SIMÕES, Solange de Deus. Deus, Pátria e Família: mulheres no golpe de 1964. Petrópolis: Vozes, 1985, p. 107.

[46] O padre Paulo Lebeau era um redentorista belga. Chegou à diocese com outros redentoristas para ampliar o quadro de sacerdotes na diocese. A chegada desses religiosos foi estimulada pelos pedidos de dom Brandão enquanto esteve na Europa, durante o Concílio Vaticano II. Cf. “Festivamente recebidos em Propriá os redentoristas”. In: A Defesa, 23 de fevereiro de 1964, p. 1.

[47] Cf. “O Brasil Camponês Confia na Revolução”. In: A Defesa, 13 de junho de 1964, p. 1.

[48] Ibidem.

[49] Cf. “Força das Forças – O Terço”. In: A Defesa, 15 de abril de 1964, p. 1.

[50] Cf. “Notícias de Propriá”. In: A Defesa, 30 de abril de 1964, p. 4.

[51] Cf. FIGUEIREDO, Ariosvaldo. Ob. Cit., p. 95-96.

[52] Cf. “Militares trabalham ainda em Propriá”. In: A Defesa, 13 de junho de 1964, p. 4.

[53] O mesmo acontecia com os acusados de corrupção. Por isso, o prefeito do município de Telha asseverou: “Não esqueçam que eu estou preso por corrupção”. Com essas palavras, parecia que o prefeito preferia ser corrupto que subversivo. Cf. FIGUEIREDO, Ariosvaldo. Ob. Cit., p. 95.

[54] Cf. “Expurgo moral”. In: A Defesa, 15 de abril de 1964, p. 1.

[55] O prefeito do município de Amparo do São Francisco, Epaminondas Martins, foi preso por equívoco. Cf. FIGUEIREDO, Ariosvaldo. Ob. Cit., p. 95. O prefeito Carlos Torres, de Neópolis, foi afastado da prefeitura. Depois que assumido o equívoco do afastamento, Carlos Torres foi reempossado. Cf. “Reempossado o Prefeito Carlos Torres”. In: A Defesa, 30 de maio de 1964, p. 2.

[56] O informe se referia, certamente, ao Alto Comando Revolucionário em Sergipe. Segundo Ibarê Dantas, ele era composto pelos comandantes do 28º Batalhão de Caçadores (28º BC), da 19º Circunscrição de Serviço Militar (19º CSM) e da Capitania dos Portos. Cf. DANTAS, Ibarê. Ob. Cit., p. 38.

[57] Cf. “Padre Manuel Guimarães à frente da Prefeitura de Cedro”. In: A Defesa, 27 de junho de 1964, p. 1.

[58] Cf. “Reformas estruturais”. In: A Defesa, 15 de abril de 1964, p. 1.

[59] Cf. “Dom Jaime Câmara”. In: A Defesa, 15 de abril de 1964, p. 1.

[60] Cf. “Novo presidente da República”. In: A Defesa, 15 de abril de 1964, p. 1.

[61] Cf. “Novo Governador de Sergipe”. In: A Defesa, 15 de abril de 1964, p. 4.

[62] Ibidem; Cf. “Notícias de Propriá”. In: A Defesa, 30 de abril de 1964, p. 4. No caso do prefeito de Neópolis, monsenhor Sant’ana leu uma crônica na emissora de rádio Rio São Francisco que foi publicada no jornal diocesano. A diocese tomou uma posição contrária ao afastamento do prefeito, afirmando que ele se deu em razão de uma “injusta denúncia”. Cf. “Reempossado o Prefeito Carlos Torres”. In: A Defesa, 30 de maio de 1964, p. 2.

[63] Cf. “Sobre Fernando de Noronha”. In: A Defesa, 30 de abril de 1964, p. 1.

[64] Cf. “Força das Forças – O Terço”. In: A Defesa, 15 de abril de 1964, p. 1.

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