Da ‘família em conserva’ à guerra cultural: o ativismo político fundamentalista no Carnaval

A seção PONTO DE VISTA é um espaço que a Mangue Jornalismo abre para que pessoas possam expressar perspectivas que estimulem o interesse e o debate público. O artigo deve dialogar com os princípios da Mangue, entretanto ele não precisa representar necessariamente o ponto de vista da organização.

A ala ‘neoconservadores em conserva’, da Acadêmicos de Niterói (RJ), gerou repercussão negativa em segmentos do eleitorado evangélico. (Créditos: Reprodução/Instagram/@S1fotografiaecomunicacao/ @academicosdeniteroi)

Os desfiles de Escolas de Samba ao longo dos anos têm sido marcados por polêmicas, incompreensões e tentativas de silenciamento das mensagens transmitidas por meio dos sambas-enredos, do conjunto das alegorias carnavalescas e dos componentes das escolas ao desfilarem nos sambódromos. 

Esta situação se repetiu neste ano. A Acadêmicos de Niterói, ao escolher realizar uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, sofreu uma tentativa de censura prévia. Os partidos Novo e Missão (partido recém criado pelo MBL) fizeram representações no Tribunal Superior Eleitoral – TSE, pedindo liminares para impedir a Acadêmicos de Niterói de desfilar no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro.  

As representações foram sustentadas pela alegação de que o samba-enredo que retrata a história do presidente Lula ultrapassa o caráter cultural e se transforma em peça de promoção política. O TSE rejeitou por unanimidade o pedido, reconhecendo, dentre outras coisas, que restringir previamente manifestações artísticas e culturais, apenas por conterem eventual conteúdo político, configura censura prévia e restrição desproporcional ao debate democrático (TSE, 2026).

Carnaval e crítica social

O desfile aconteceu e o que tem alvoroçado religiosos conservadores e sido instrumentalizado para fins políticos eleitorais pelos políticos de extrema direita é o conteúdo da ala “Neoconservadores em conserva”. A crítica social provocou incômodo. Porém não foi uma crítica direcionada ao direito de existir da família tradicional, mas aos que negam ou enxergam como ameaça o direito à existência de outras formas de organização familiar. 

Quando bem compreendida, a crítica afeta aos que utilizam a defesa da família tradicional como um discurso moralista e hipócrita que serve de ocultação para práticas incoerentes com os princípios alegadamente professados por meio do discurso. 

Trata-se de uma crítica construída por meio da metáfora que opõe rótulo/embalagem/lata ao conteúdo. Ou seja, atinge aquelas pessoas que, enquanto expõem um rótulo bonito/estilo de vida em público, no interior/na embalagem/ na privacidade do lar ou por meio de um estilo de vida secreto, ocultam incoerências e até mesmo assustadoras ações violentas. É uma versão da metáfora bíblica anti-farisaica: “Então, Jesus disse à multidão e aos seus discípulos: Os mestres da lei e os fariseus se assentam na cadeira de Moisés. Obedeçam-lhes e façam tudo o que eles lhes dizem. Mas não façam o que eles fazem, pois não praticam o que pregam. Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês são como sepulcros caiados: bonitos por fora, mas por dentro estão cheios de ossos e de todo tipo de imundície. Assim são vocês: por fora parecem justos ao povo, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e maldade” (Mateus 23.1-3 e 27,28).

Historicamente, o debate político não é definido pela busca da verdade, mas por desqualificar o adversário político perante a opinião pública. Mas a extrema direita no Brasil tem tornado o nível do debate político extremamente rasteiro, desonesto e empenhado, não somente em vencer eleitoralmente os adversários, mas em os destruir enquanto seres humanos. 

Para a extrema direita, os que pensam diferente não possuem o direito de viver. Pois não tem apreço pela democracia, esta é tolerada como momentaneamente necessária para os seus objetivos: alcançar o poder, inicialmente por meio do voto democrático, manipulando a opinião pública; mas quando isso não logra êxito, partem para as tentativas de golpe de Estado.

Neste momento, a estratégia é a de explorar as acusações de que a crítica social presente no enredo da Acadêmicos de Niterói se constituiu em intolerância religiosa e investida contra às famílias dos cidadãos brasileiros. Com isto, estão manipulando os sentimentos das pessoas, dentre estes as paixões ancoradas em certa moral religiosa conservadora. O propósito é eleitoral, provocar a perda do voto religioso por parte de todos os candidatos de esquerda e, no tocante a Lula, prejudicar os esforços de aproximação na direção dos eleitores evangélicos.

Nas redes, representantes da direita criaram fotos de famílias, com auxílio de inteligência artificial, para ironizar a escola. É o caso do deputado federal Rodrigo Valadares (União-SE) e do senador Laércio Oliveira (PP-SE). (Créditos: Reprodução/Instagram)

Com isto, estou trazendo para a reflexão que a crítica social feita pela escola de samba foi um exercício legítimo de liberdade de expressão, ancorada consciente ou não na metáfora bíblica anti-farisaica de Mateus 23. Neste sentido, dialogando com o pensamento cristão, porém se opondo às formas rígidas e autoritárias de compreensões desta fé. 

Lembrando também que há um esforço por parte do governo de aproximação dos evangélicos no sentido de demonstrar que os valores defendidos por este segmento da sociedade não estão sob ameaça, que o direito de viver segundo estes valores está protegido pelo ordenamento jurídico brasileiro. Mas é preciso compreender que a sociedade brasileira é religiosamente plural, diversa, multicultural, revelando múltiplas possibilidades de visões acerca da realidade e que isto também está protegido pelo ordenamento jurídico.

Religião pública e ativismo político religioso

Na Modernidade, em relação ao processo de separação entre Estado e religião, em termos ideais, foi atribuída à religião a condição de foro íntimo, uma questão particular e de liberdade de consciência, sendo compreendida como algo da esfera privada e não da esfera pública. 

Porém, segundo José Casanova (1994), a partir da década de 1980, tradições religiosas em todo o mundo começaram a abrir caminho para fora da esfera privada e para a vida pública, causando a “desprivatização” da religião na vida contemporânea. Não mais satisfeitas em administrar serviços compreendidos como espirituais, as instituições religiosas estão desafiando as forças políticas e sociais dominantes, levantando questionamentos e reivindicando lugares na esfera pública, tensionando as conexões tradicionais da moralidade privada e pública. 

Ocorre um processo de “publicização” do religioso e em concomitância também um processo de “repolitização” da esfera religiosa e moral. Os religiosos não se restringem a defender ideias religiosas tradicionais em público, mas ocupam a esfera pública com o propósito de disputar a obtenção de poder para definir as fronteiras modernas entre o público e o privado, entre legalidade e moralidade, entre família, sociedade e Estado. Esse processo abrangente é uma referência às formas como a religião abandonou o lugar que lhe fora designado pelo moderno modelo liberal e invadiu a esfera pública por meio de diversas vias para “tomar parte do processo de legitimação discursiva e do redesenho das fronteiras” (Casanova, 1994).

Em perspectiva histórico-sociológica, Camurça (2019) detalha como tem se dado esta “publicização da religião” no Brasil. Iniciando com o catolicismo, “considerada a religião da ‘nação’ – dentro da fórmula, ser católico = brasileiro – a quem o Estado outorgava tanto na República Velha, quanto nos governos de Vargas e sucessores, de 1900 a 1964, a hegemonia cultural na sociedade.” 

E continua por meio da exposição da quebra da hegemonia católica no campo religioso brasileiro devido ao crescimento do segmento evangélico-pentecostal nos anos 1980. E descrevendo, quando a partir da Constituinte de 1988, “os evangélicos traçam um projeto de poder e de ocupação do espaço público, que sai da abstenção da participação política: ‘crente não se mete em política’ à participação ativa do ‘evangélico vota em evangélico’.” Não esquecendo a reação católica, que nos anos 1990 por meio da Renovação Carismática Católica que lança o slogan “católico vota em católico”. 

Os anos 2000 são marcados por avanços institucionais e midiáticos, com crescimento da base evangélica no Congresso, articulada ao “centrão”; em 2014, a bancada evangélica é consolidada; e, nas eleições de 2018, há o apoio explícito a Bolsonaro por líderes de grandes igrejas evangélicas (Edir Macedo, Igreja Universal do Reino de Deus; Silas Malafaia, Igreja Assembleia de Deus; família Valadão, Igreja Batista da Lagoinha); resultando, no primeiro turno, em 40% dos votos evangélicos em Bolsonaro (Datafolha); e, no segundo turno, apoio cresce para 66% dos evangélicos. E a Bancada Evangélica salta de 74 para 91 deputados e de 3 para 7 senadores, e as pautas legislativas priorizadas são Estatuto da Familia, Escola Sem Partido, combate ao que denominam “ideologia de gênero”, endurecimento da pauta antiaborto.

Neste processo de “publicização da religião” no Brasil, podem ser reconhecidos dois tipos ideais de ativismo político religioso: o fundamentalista e o não-fundamentalista. O ativismo fundamentalista é caracterizado da seguinte forma: ativismo político definido pelas crenças da própria religião compreendida como fonte de verdade absoluta; os seus textos sagrados interpretados literalmente e de forma descontextualizada e moralista, são utilizados com fins de orientar a conduta da sociedade em sua totalidade e não apenas a conduta dos religiosos; envolvimento na esfera pública com propósitos proselitistas; defesa de um projeto absoluto de poder (nenhuma área da vida humana deve escapar da influência divina); não aceitação da dúvida e do contraditório (uma vez que, no fundamentalismo, o status de verdade absoluta é atribuído às interpretações dos textos sagrados e às formulações doutrinárias); questionamento do pluralismo, dos princípios democráticos e republicanos (ANÉAS, 2024). 

Por sua vez, o ativismo não-fundamentalista, com o comportamento político definido pela religião, é caracterizado por: não adoção de “verdade absoluta” – pluralismo interpretativo. Esse não absolutiza uma “cosmovisão política”, religiosa ou político-religiosa, não há ímpeto em impor a verdade para toda a sociedade, adentra a arena pública aceitando as “regras do jogo” democrático, não usa da coisa pública para fins missionários/proselitistas e sua atuação política defende a preservação das instituições democráticas (ANÉAS, 2024).

Um dos argumentos para a bancada cristã é que a população brasileira é majoritariamente cristã (Crédito: Cristiano Mariz/O Globo)

As religiões não são homogêneas, possuem diversas formas de compreensão de si mesmas. O cristianismo não é uma exceção a regra.  E estes dois tipos ideais de ativismo religioso (fundamentalista e não-fundamentalista) manifestam na atualidade formas de compreender a atuação política de cristãos no mundo.

O ativismo cristão fundamentalista é reacionário, atua na esfera política movido por sentimentos de ameaça, principalmente por se sentir ameaçado pela ideia de transformações culturais, envolvendo participação, igualdade, direitos e novas formas de comportamento e de estilo de vida. 

Deste modo, assume uma forma de manifestação da fé cristã que historicamente é aliada de interesses políticos e imperiais mantenedores dos privilégios de classes dominantes, o mesmo tipo de cristianismo que concedeu legitimidade religiosa aos europeus em seus esforços colonialistas nos séculos XVI e XIX. 

Já o ativismo cristão não fundamentalista se inspira em teologias que legitimam uma ação dos cristãos no mundo muito mais voltada para a ideia de serviço à humanidade. Esse tipo de teologia remonta aos Pais da Igreja e a própria Bíblia, onde é possível encontrar ensinamentos sobre o dever cristão de proteger os pobres e os vulneráveis da sociedade, como crianças, idosos, mulheres, viúvas, órfãos, etc. Deste modo, identificando nas pautas relacionadas aos direitos humanos um forte elemento de convergência entre ativismo político e fé cristã.

Guerra cultural e pânico moral

Todavia, no Brasil, a presença de uma influência religiosa majoritariamente conservadora na cultura cria um ambiente propício para a atuação na esfera pública de religiosos fundamentalistas aliados aos interesses da extrema direita. Há uma instrumentalização do populismo religioso, caracterizado por retórica escatológica e de polarização entre “povo de Deus” e “inimigos da fé”. Deste modo, mobilizando paixões religiosas para sustentar projetos de poder. Que, por sua vez, faz uso de discursos moralizantes no campo político em uma lógica de guerra cultural, utilizando o pânico moral como estratégia de manipulação da opinião pública. 

Uma pesquisa da agência Ativaweb feita entre a segunda-feira, 16, e a terça-feira, 17, registrou 28,9 milhões de menções nas redes sociais às imagens da chamada “família na lata”, surgidas após o desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio de Janeiro. A análise, feita em publicações em Instagram, Facebook e X, apontou que 70,7% das menções ao assunto foram classificadas como negativas, associadas a críticas à representação simbólica e à percepção de ataque a valores culturais, religiosos e familiares. Conteúdos positivos, em defesa da liberdade artística e da sátira política, representaram 21,8%. Outros 7,5% foram considerados neutros (AMADO; SILVA, 2026).

Com foco especificamente no público evangélico, pesquisa do Instituto Ideia divulgada na quinta-feira (19) mostra que 61,1% dos evangélicos consideram que houve ofensa ou preconceito na ala “Neoconservadores em conserva” da escola de samba Acadêmicos de Niterói. Segundo o levantamento, 34,3% acreditam que o ato foi uma “ofensa à liberdade religiosa”, enquanto 26,8% dizem que foi uma “representação preconceituosa”. Por outro lado, 11% disseram que foi uma “crítica artística legítima” e 8,7% afirmaram ter se tratado de uma “sátira aceitável” (SOUZA, 2026).

A crítica social feita pela escola de samba Acadêmicos de Niterói, sob o ponto de vista de incentivar o debate público, cumpre adequadamente o seu papel. Principalmente ao desafiar setores da sociedade a transcender o senso comum vigente, compreendendo que a realidade social é histórica e culturalmente construída (BERGER; LUCKMANN, 2014), o cosmo social é como é, mas poderia ser diferente por estar aberto para as possibilidades e as transformações culturais.

Porém, sob a ótica do desgaste político exacerbado por adversários oportunistas, a crítica social prejudica eleitoralmente o campo político da esquerda, ampliando o distanciamento em relação aos eleitores evangélicos e católicos conservadores.  Principalmente quando a formação cultural religiosa dos brasileiros é majoritariamente fundamentalista, fazendo com que a apreensão dos textos sagrados e as formulações de doutrinas religiosas sejam realizadas de forma literal e absolutizadora. 

Neste sentido, quaisquer críticas ou desafios a pensar diferente são entendidos como ofensas ou ameaças. O convite a realizar um exercício de reinterpretação da tradição religiosa à luz de fatos novos, de avanços no campo do conhecimento e de exigências da realidade ou dos novos tempos não é bem acolhido. 

Os fundamentalismos, dentre as suas características, rejeitam a possibilidade hermenêutica (VASCONCELLOS, 2008). Não conseguem assumir que interpretações de textos sagrados e as formulações doutrinárias resultantes estão histórica e culturalmente condicionadas. Ou seja, são construções ou possibilidades interpretativas. Esta rejeição da possibilidade hermenêutica se fundamenta em atribuir um caráter absoluto à interpretação feita pelo grupo religioso. Assim, esta adquire um sentido objetivo imposto e passa ser compreendida como expressão direta da vontade divina. E como expressão da mente divina não pode ser questionada ou aberta a interpretações, deve ser literalmente aceita e obedecida.  

Sobre isto, Pace e Stefani (2002, p.20-21) realizam uma síntese esquemática de como a referência indispensável ao livro sagrado caracteriza um grupo religioso como fundamentalista quando: a) o conteúdo do texto é visto numa totalidade de sentido supostamente objetiva; b) ele considera o texto a-histórico, ou seja, como completamente independente da conjuntura específica de onde surgiu, e como portador de uma mensagem que não pode ser adaptada aos novos tempos; c) ele julga possível deduzir do texto um modelo de sociedade perfeita que necessita ser concretizado.

Este tipo de mentalidade não está somente fechado a qualquer crítica como também não dialoga com quem possua concepções diferentes, porque não ser capaz de perceber na alteridade (o outro) uma fonte de renovação da própria identidade, o “eu” que se reconhece diante do “tu”. Pelo contrário, o outro, o diferente, é concebido como ameaça e, por isso, deve ser extinto. Diante do exposto, não é difícil entender o que torna tão fácil a identificação entre pessoas pertencentes a grupos religiosos com estas características e a proposta política da extrema direita.

Referências

AMADO, Guilherme; SILVA, Gustavo. ‘Família na lata’ da Acadêmicos de Niterói teve 70% de menções negativas nas redes. PlatôBr. 18 de fev. 2026. Disponível em: https://platobr.com.br/familia-na-lata-da-academicos-de-niteroi-teve-70-de-mencoes-negativas-nas-redes.

ANÉAS, André. Manual do comportamento político dos evangélicos: quem são os político-fundamentalistas e os político-protestantes? São Paulo: Editora Recriar, 2024. 

BERGER, Peter L.; LUCKMANN, Thomas. A construção social da realidade: tratado de Sociologia do Conhecimento. Petrópolis: Vozes, 2014.

CAMURÇA, Marcelo. Religião, política e espaço público no Brasil: perspectiva histórico/sociológica e a conjuntura das eleições presidenciais de 2018. Estudos de Sociologia. Recife, Vol. 2, n. 25, 19 de dez. 2019. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/revsocio/article/view/243765/34005

CASANOVA, José. Public Religions in the Modern World. Chicago: The University of Chicago Press, 1994.

PACE, Enzo; STEFANI, Piero. O fundamentalismo religioso contemporâneo. São Paulo: Paulus, 2002.

SOUZA, Renata. Ideia: 61,1% dos evangélicos veem ofensa ou preconceito em ala de desfile. CNN Brasil. 20 de fev. 2026. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/ideia-611-dos-evangelicos-veem-ofensa-ou-preconceito-em-ala-de-desfile/.

TSE. TSE nega liminares em ações sobre desfile de escola de samba em homenagem ao presidente Lula. Tribunal Superior Eleitoral. 12 de fev. de 2026. Disponível em: https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2026/Fevereiro/tse-nega-liminares-em-acoes-sobre-desfile-de-escola-de-samba-em-homenagem-ao-presidente-lula.

VASCONCELLOS, Pedro Lima. Fundamentalismos: matrizes, presenças e inquietações. São Paulo: Paulinas, 2008.

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Alexandre de Jesus dos Prazeres

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