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Candidatos ao governo de Sergipe “esqueceram” dos professores em planos para a educação. Veja as propostas

Fábio (PSD) apresenta só quatro propostas, sem novidades; Valmir, Dr. Helton e Ricardo Marques têm mais iniciativas, enquanto Emanoel Cacho e Taty trazem ideias frágeis. No geral, planos são pouco consistentes.

A Mangue Jornalismo segue com a sua cobertura eleitoral profissional, independente e qualificada. A partir de hoje serão publicadas reportagens temáticas e a primeira delas é sobre educação. A Mangue vasculhou os planos dos candidatos ao Governo de Sergipe registrados no Tribunal Regional Eleitoral (TRE/SE) e traz nesta reportagem um resumo das propostas deles para a educação e que podem ser úteis aos eleitores.

O que logo chama atenção é que a metade dos planos dos candidatos ao cargo de governador quase não possui citação direta e propostas para os professores. 

Candidato à reeleição, o governador Fábio (PSD), por exemplo, apresentou documento com 34 páginas para todo o Executivo estadual e só cita os professores uma vez  – e mesmo assim, sem nenhuma proposta. Situação semelhante ocorre com Emanoel Cacho (PSDB) e Taty Cristina (DC), ambos com uma só citação aos docentes e também sem propostas concretas.

Quem mais fez referências aos professores no plano de governo foram Valmir de Francisquinho (Republicanos) e Dr. Helton (PSOL), com 14 e 12 citações respectivamente. O plano de Valmir tem 55 páginas e de Helton, 47. Essas duas candidaturas foram também as que mais apresentaram propostas de ações concretas para o campo da educação, sendo as de Valmir mais completas, trazendo objetivos estratégicos e eixos estruturantes. 

O vice-prefeito de Aracaju e candidato pelo PL, Ricardo Marques tem um amplo plano de governo com 75 páginas e cita sete vezes os professores.

No geral, olhando a educação nos planos do governo, percebe-se uma enorme fragilidade. Os documentos apresentados à Justiça Eleitoral não apresentam diagnósticos amplos e precisos sobre a realidade da rede estadual, alguns somente citam dados soltos e sem contextualização, em outros planos sequer existem diagnósticos. 

O fato é que a maioria não traz propostas concretas para a educação, nem para alunos nem para professores, usam retóricas da moda como empreendedorismo e novas tecnologias, e mistura atribuições com a educação do estado, municípios e União. Além disso, as candidaturas não indicam fontes de recursos, prazos e metas. Parte dos planos também parece ter sido feita às pressas e apenas para atender uma obrigação legal.

A seguir, um resumo padrão das propostas dos planos dos candidatos para a educação:

Segundo o plano do candidato, a “ação do governo começará pela primeira infância. O Estado cofinanciará a expansão de vagas em creches e pré-escolas municipais, priorizando os municípios de menor capacidade fiscal, investirá na formação específica dos professores da educação infantil e integrará as políticas de educação, saúde e assistência social voltadas às crianças pequenas”. 

“No ensino médio, a rede estadual caminhará para consolidar o tempo integral como padrão, com currículo articulado à educação profissional técnica e às cadeias produtivas de cada região. Em paralelo, será implantado sistema de monitoramento nominal de frequência, capaz de identificar cedo o risco de evasão e acionar a busca ativa dos estudantes, junto com programas estruturados de recomposição de aprendizagens. A infraestrutura receberá tratamento igualmente sistemático: conectividade de qualidade em todas as escolas, plano plurianual de reformas com critérios públicos de priorização e laboratórios técnicos nas unidades profissionalizantes. E, sustentando tudo isso, a valorização do magistério, com formação continuada centrada em práticas de impacto comprovado, plano de carreira com progressão clara e previsível e atenção à saúde e ao bem-estar do professor”. Leia o plano na íntegra AQUI.

O plano do candidato informa que, se eleito, ele vai implantar “de forma efetiva a Gestão Democrática nas escolas públicas, ampliando a participação do controle social, participação do sindicato, discentes e seus responsáveis”. No plano consta que “será compromisso do governo a devolução imediata do foi confiscado indevidamente dos professores e professoras aposentadas (14%), e a retomada da carreira do magistério estadual”. 

Outras propostas são: “levar internet banda larga gratuita a todas as escolas públicas, praças e centros comunitários, e criar polos de tecnologia nas periferias com incubadoras de startups, priorizando jovens negros e de comunidades periféricas. Ampliar progressivamente a rede de escolas de tempo integral, com infraestrutura adequada. Pagamento do piso salarial nacional sem atrasos, garantir plano de carreira atrativo e criar programas de formação continuada. Convocação de todos aprovados do concurso em vigência. Estruturar a rede para atender estudantes com deficiência com profissionais concursados (Apoio I e II, intérpretes de Libras). Implantar a educação inclusiva de crianças neurodivergentes. Criar a Universidade Estadual, com campus em Aracaju e polos no interior, com reserva de vagas para negros, indígenas, quilombolas e estudantes de escolas públicas. Implementar Cursinhos Populares e Acesso ao Ensino Superior. Leia o plano na íntegra AQUI.

O plano de reeleição propõe “fortalecer o regime de colaboração, priorizando o Programa de Apoio aos Municípios para a Expansão da Educação Infantil e o Programa Leitura e Escrita na Educação Infantil, além do Programa Estadual de Melhoria e Fortalecimento dos Anos Finais. Também será criada a Política Estadual de Educação Especial Inclusiva e fortalecidos os programas Escola Nota 10 e Sergipe no Mundo”. O plano garante “modernizar a infraestrutura com a criação do Programa Escola Mais Sergipe, com a construção de novas escolas e a continuidade da realização das obras. As novas unidades contarão com ambientes voltados à tecnologia, inovação, inteligência artificial, robótica, cultura maker e conectividade, integrando o Programa Sergipe Educação 5.0”. 

Segundo o plano, Fábio irá, num segundo mandato, “expandir a educação profissionalizante em tempo integral, a partir da criação do Programa de Aprendizagem e Inclusão Produtiva dos Jovens, ampliando os cursos de Educação Profissional e Tecnológica da rede nas formas integrada, concomitante, subsequente e da Educação de Jovens e Adultos integrada à Educação Profissional. O programa tem a criação do Centro de Referência em Artes da Rede Estadual de Ensino, uma escola de Educação Profissional e Tecnológica voltada à economia criativa”. E por fim, o plano garante “implementar a oferta de ensino superior pelo Estado, com a Universidade Estadual, que deverá ter 15 cursos implantados até 2031”. Leia o plano na íntegra AQUI.

O plano informa que vai “fortalecer e aprimorar a articulação entre educação profissional e setor produtivo; ampliar programas de estágios, aprendizagem e formação prática; ampliar a formação e a retenção de talentos científicos e tecnológicos; criar o “Programa Professor Pesquisador’’; criar a política estadual do ‘’Alfabetiza Sergipe’’; atualizar o Plano Estadual de Educação; fortalecer a política estadual de recuperação e aceleração das aprendizagens; tornar o ensino médio mais atrativo e conectado aos projetos de vida dos jovens; criar o programa ‘‘Educação para o Futuro’’; expandir a educação em tempo integral; garantir uma educação inclusiva; ampliar e qualificar a alfabetização e a Educação de Jovens e Adultos; fortalecer os programas de valorização dos professores, atualização e retomada do plano de carreira; modernizar a infraestrutura das escolas e reduzir as desigualdades territoriais; universalizar a conectividade educacional; prevenir a evasão e fortalecer a proteção integral dos estudantes; ampliar e fortalecer os programas e ações de atenção psicossocial, educação inclusiva e promoção da saúde mental; modernizar a gestão educacional e fortalecer a autonomia administrativa e financeira das escolas estaduais; profissionalizar a gestão escolar e fortalecer a participação da comunidade escolar no planejamento e no acompanhamento da educação pública. Leia o plano na íntegra AQUI.

O plano da candidata assegura que ela vai “ampliar progressivamente escolas em tempo integral conforme demanda, infraestrutura e capacidade financeira; fortalecer infraestrutura, climatização, conectividade e ambientes de aprendizagem; valorizar professores e profissionais da educação; ampliar educação profissional e tecnológica; integrar esporte, cultura, música, dança e artes ao ambiente escolar; fortalecer educação financeira, empreendedorismo e projeto de vida; melhorar integração entre escola, família e rede de proteção”. 

O plano prevê também a criação de uma “política de desenvolvimento da comunicação dos estudantes, respeitando as diretrizes educacionais, com expressão oral, leitura, argumentação, apresentação de trabalhos, escuta, liderança e comunicação digital responsável”. 

Por fim, diz o plano que a candidata vai “ampliar educação empreendedora e financeira nas escolas; desenvolver criatividade, planejamento e solução de problemas; conectar formação escolar às vocações econômicas locais; oferecer formação prática de gestão para jovens e adultos interessados em empreender; e estimular economia criativa, tecnologia e inovação”. Leia o plano na íntegra AQUI.

O plano prevê 45 propostas para a educação: “articular com os municípios ações para garantir a universalização da Educação Infantil; universalizar o ensino fundamental; universalizar o atendimento escolar para toda a população de 15 a 17 anos; universalizar, para a população de 4 a 17 anos com deficiências; alfabetizar todas as crianças, no máximo, até o final do 3º ano do Ensino Fundamental; ampliar a oferta de educação em tempo integral; elevar a taxa de alfabetização da população; fortalecer e aperfeiçoar o Programa de Transferência de Recursos Financeiros Diretamente às Escolas Públicas Estaduais; oferecer, no mínimo, 25% das matrículas da educação de jovens e adultos, no ensino fundamental e médio, de forma integrada à educação profissional; ampliar a efetivação da gestão democrática da educação; Fortalecer o Programa de Alfabetização na Idade Certa (PAIC) e o Programa Alfabetizar pra Valer; criar Centros de Línguas Estrangeiras em todo o estado; buscar a valorização dos profissionais da educação com recomposição salarial e qualificação permanente; melhorar e ampliar o serviço de transporte escolar; desenvolver políticas de incentivos aos estudantes do ensino médio; fortalecer as ações do projeto PRÉ Vestibular; expandir e aperfeiçoar a infraestrutura e a rede de internet nas unidades escolares; estabelecer parcerias com Instituições de Ensino Superior e com o Sistema S; instituir, por lei, o Prêmio Pacto pela Educação para os profissionais da escola”. Leia o plano na íntegra AQUI.

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Cristian Góes

Jornalista pela Universidade Tiradentes, mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal de Sergipe e doutor em Comunicação e Sociabilidade pela Universidade Federal de Minas Gerais. Experiência como repórter e assessor de Comunicação nas áreas sindical e pública.

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