Em entrevista à Mangue Jornalismo, o presidente do Sindipema, Obanshe Severo, critica postura da Secretaria de Educação, denuncia autoritarismo na gestão Emília Corrêa e comenta ataques à educação pública na Câmara Municipal.

Professoras e professores da rede Aracaju estão sobrecarregados e enfrentam quase sozinhos o atendimento do alto número de alunos que necessitam de educação inclusiva em razão de deficiências e de inúmeros transtornos. Além da falta de qualificação específica, educadores denunciam o descaso da prefeitura.
“O que se observa é a ausência de respostas efetivas por parte da Secretaria Municipal de Educação, enquanto toda a responsabilidade recai sobre professores e professoras que estão, na prática, pedindo socorro”, disse Obanshe Severo, presidente do Sindicato dos Profissionais do Ensino do Município de Aracaju (Sindipema) em entrevista exclusiva à Mangue Jornalismo.
O número de matrículas de estudantes da Educação Especial na rede municipal de Aracaju apresentou um crescimento significativo no período dos anos de 2023 para 2025, totalizando um aumento de aproximadamente 97,97%. Partiu de 1.426 matrículas em 2023, passando para 2.059 alunos em 2024 e atingindo 2.823 em 2025. Esses números são do Microdados do Censo Escolar, disponibilizados pelo Ministério da Educação.

Obanshe defende, com urgência, a realização de concurso público para demais profissionais da educação principalmente na educação infantil e nas creches, para ampliação do número de cuidadoras, garantia de mediadoras de aprendizagem, melhores condições físicas na maioria das escolas “e, sobretudo, de uma mudança efetiva na relação com a Secretaria de Educação, baseada no diálogo, no respeito e na construção conjunta de soluções”, disse.
O professor revela que dentro da mesma prefeitura de Aracaju, a prefeita Emília Corrêa (Republicanos) recebe o Sindipema, negocia e implementa, mas quando o sindicato tem que lidar com a secretária de Educação, Edna Amorim, a realidade é outra e inversa, com ações autoritárias, sem negociação. “São gestões incomparáveis. Enquanto a prefeita busca o diálogo e a construção de consensos, a secretária de educação não estabelece esse diálogo”, completa.
O presidente do Sindipema ainda avalia como péssima a gestão do ex-prefeito Edvaldo Nogueira (PDT). “Ele teve uma trajetória vinculada à esquerda, mas suas gestões não apresentam características marcantes do campo progressista. Foi, no máximo, um aluno abaixo da média do prefeito João Alves, limitando-se a uma política de obras e nem sequer obras estruturantes”.
Sobre a atual gestora da capital, Obanshe analisa que há uma relação de “respeito aos servidores. No entanto, setores que destoam dessa orientação acabam prejudicando a própria gestão, retirando capital político e dificultando avanços, ou seja, há quem esteja jogando contra, comprometendo aquilo que poderia avançar…Agora, só o tempo poderá responder se a gestão da prefeita Emília manterá o compromisso com os servidores ou seguirá outro caminho”.
Na entrevista, o presidente do Sindipema aborda outras questões, como o crescimento da extrema-direita na Câmara Municipal, protagonizando ataques recorrentes à educação pública; as relações políticas com a líder da prefeita da Câmara, o vereador Isac Silveira, as mudanças autoritárias na bases curriculares, a falta de transparência pública na gestão.
“A pauta salarial ainda é bastante preocupante e segue mobilizando a categoria porque foram cinco anos de reajuste zero”, afirma.
Segue a entrevista na íntegra:
MANGUE JORNALISMO (MJ) – Depois de quase um ano e meio da gestão da prefeita Emília Corrêa (Republicanos) na Prefeitura de Aracaju, como o presidente do sindicato dos professores da rede municipal da capital avalia o trabalho da prefeita e da secretaria de educação?
OBANSHE SEVERO (OS) – São gestões incomparáveis. Temos muito mais diálogo com a prefeita do que com a secretária de Educação, Edna Amorim.
Avançamos de forma importante na carreira, preservando direitos, e estamos no caminho para cumprir a lei do piso em nosso município até janeiro de 2027. Também tivemos uma reforma da previdência em que, enquanto houve participação direta da prefeita, o resultado foi a Lei Complementar nº 214, considerada uma das melhores do Brasil.
Infelizmente, em dezembro, no meio da negociação do piso do magistério, dos agentes de saúde e dos agentes de endemias, além da reestruturação da carreira da administração geral, essa reforma foi totalmente descaracterizada. A própria LC 214 foi alterada de forma prejudicial, o que exige que levemos novamente essa questão à prefeita para resolução.
Se compararmos, por exemplo, com a mudança na matriz curricular e com a Lei da Gestão Democrática, processos nos quais não houve qualquer participação dos profissionais do magistério, fica evidente a diferença entre as gestões. Essas medidas foram implementadas desconsiderando completamente a posição da categoria, que sequer foi ouvida. No caso da Lei da Gestão Democrática, não fosse a determinação da própria prefeita e a nossa incidência na Câmara de Vereadores, não teríamos tido nenhuma participação e a judicialização seria inevitável. Já no caso da alteração da matriz curricular, para que se tenha uma noção da gravidade, a condução da secretária conseguiu, inclusive, unificar posições entre o CREF e o sindicato, entidades que historicamente apresentam divergências significativas e fomos obrigados a ingressar com ação no judiciário.
Enquanto a prefeita busca o diálogo e a construção de consensos, a secretária de educação não estabelece esse diálogo. E, quando somos chamados após as decisões já estarem tomadas, nada muda. Pelo contrário: tentam nos convencer de que a SEMED está correta, enquanto o sindicato, que representa os professores, estaria equivocado.

MJ – Pelo histórico, os professores na Prefeitura de Aracaju tiveram muitos embates na gestão do então prefeito Edvaldo Nogueira (PDT), com paralisações, greves e poucos ou quase nenhum avanço? É possível fazer uma comparação entre as duas gestões?
OS – É uma comparação inevitável, ainda que desagrade a muitos. Não há como negar que gestões declaradamente de direita, que em princípio defendem a privatização, o sucateamento dos serviços públicos e a desvalorização dos servidores, têm demonstrado capacidade de realizar ações que gestões da esquerda, ou que assim se declaram, não realizaram.
É importante pontuar que o prefeito ex-prefeito Edvaldo teve uma trajetória vinculada à esquerda, mas suas gestões não apresentam características marcantes do campo progressista ou de compromisso com um projeto de transformação social. Foi, no máximo, um aluno abaixo da média do prefeito João Alves, limitando-se a uma política de obras e nem sequer obras estruturantes.
As paralisações iniciadas em 2021 foram fundamentais para a nossa categoria e para todo o funcionalismo público de Aracaju. Desde 2017, vínhamos acumulando perdas e negativas de direitos sem qualquer reação, o que era insustentável. Em 2021, os salários dos professores eram uma vergonha, o empobrecimento e o endividamento da categoria atingiam níveis alarmantes. Diante disso, conseguimos mobilizar ativos e aposentados em uma luta, literalmente, pela sobrevivência.
Após essa sequência de mobilizações, a gestão do ex-prefeito Edvaldo aplicou um golpe ao criar a GEA, com o objetivo de dividir a categoria, desmobilizar aposentados e também enfraquecer a mobilização dos ativos, que tiveram um alívio momentâneo nos salários.
MJ – Ou seja, a avaliação é muito ruim da gestão do ex-prefeito?
OS – Sim, ele encerrou sua gestão sem cumprir a lei do piso, sustentando o discurso de que os professores recebiam acima do piso numa tentativa de jogar a população contra a categoria e também contra os demais servidores, propagandeando que tivemos mais reajustes do que outras categorias.
Entretanto, demonstramos que o município não utilizou corretamente os recursos do Fundeb, identificando, inclusive, em 2021, uma sobra de 22 milhões de reais e só por isso voltamos a ter reajustes. A atual prefeita, por sua vez, não aguardou a revolta da categoria: chamou o sindicato para o diálogo e caminha para cumprir a lei do piso.
O ex-prefeito Edvaldo é frequentemente apontado como um bom gestor por ter equilibrado as contas públicas. No entanto, é preciso problematizar esse “equilíbrio”: após cinco anos sem reajustes salariais, sem a realização de obras estruturantes capazes de enfrentar problemas históricos da cidade, com pouquíssima ampliação da rede de saúde e com o sucateamento da assistência social, torna-se evidente que esse resultado foi alcançado às custas da população e dos servidores. Dessa forma, de fato, é fácil acumular recursos, mas Aracaju não é um banco, e a gestão pública não pode se limitar a fazer caixa enquanto as demandas sociais se acumulam.
É importante destacar, ainda, que a ampliação da rede pública de ensino não foi fruto de iniciativa da gestão, mas resultado da atuação do Ministério Público, provocado por denúncias de mães e do sindicato, evidenciando a ausência de planejamento e compromisso com a educação pública. Soma-se a isso um conjunto de ações que caminham na contramão do enfrentamento ao aquecimento global, com a supressão de áreas verdes, derrubada de árvores e a ampliação excessiva de cimento e asfalto na cidade, contribuindo para o aumento das ilhas de calor e para a piora da qualidade de vida da população.
A história dirá quem esteve, de fato, ao lado dos servidores. Resta acompanhar se, na atual gestão, haverá a realização de obras verdadeiramente estruturantes para a cidade e, ao final do mandato, poderemos ter um retrato mais preciso no que se refere às questões sociais. Comenta-se, inclusive, que o início da gestão do ex-prefeito João Alves também foi positivo para servidores e servidoras, mas, posteriormente, a cidade enfrentou graves problemas, como por exemplo o acúmulo de lixo. Só o tempo poderá responder se a gestão da prefeita Emília manterá o compromisso com os servidores ou seguirá outro caminho. Embora seja evidente que não podemos avaliar uma gestão apenas por essa ótica, por nosso olhar de servidor ou servidora público/a. Aracaju precisa de mais áreas verdes, de saneamento básico em diversas regiões, de cuidado com canais, rios e mangues, além da expansão da rede de atendimento em educação, saúde e assistência social. São muitas as políticas públicas necessárias e, a julgar pela condução atual da educação, não há sinais consistentes de que estejamos avançando na construção dessas soluções.
MJ – Quais as principais pautas de reivindicação dos professores em Aracaju? Salarial? Estrutura física? Gestão democrática? Concurso público? Transparência dos dados da educação?
OS – Com certeza, a pauta salarial ainda é bastante preocupante e segue mobilizando a categoria. Foram cinco anos de reajuste zero e, no município de Aracaju, apenas entre 2013 e 2016 a lei do piso foi efetivamente respeitada. Ainda assim, naquele período houve uma mudança significativa na carreira, sem que a categoria fosse devidamente informada, o que é inadmissível! Essa alteração, inclusive, permanece desconhecida por grande parte dos professores e professoras até os dias de hoje. Todo esse histórico recente segue muito vivo na memória da categoria, o que explica por que ainda há desconfiança tanto em relação ao sindicato quanto à gestão municipal, com algumas pessoas acreditando que as definições firmadas, mesmo que já no texto da lei, não serão cumpridas.
No entanto, é fundamental avançar nas demais pautas. É preciso dar especial atenção ao atendimento do público-alvo da educação especial. O aumento do número de estudantes com deficiência, transtornos do desenvolvimento e transtornos globais de aprendizagem, sem a devida ampliação do quadro de profissionais necessários, tem gerado inúmeros conflitos nas escolas. Diante disso, o que se observa é a ausência de respostas efetivas por parte da Secretaria de Educação, enquanto toda a responsabilidade recai sobre professores e professoras, que estão, na prática, pedindo socorro sem serem atendidos.
Também é urgente discutir as condições de trabalho, com a garantia de ambientes adequados de ensino-aprendizagem e investimento consistente na formação dos profissionais. Ainda há um déficit significativo de vagas, o que reforça que a defesa da educação pública passa necessariamente por esses pontos. Nesse sentido, é indispensável a realização do primeiro concurso público para os demais profissionais da educação na rede municipal, bem como a criação dos cargos de cuidadores/as e mediadores/as de aprendizagem. É inadmissível que Aracaju, enquanto capital, nunca tenha realizado concurso para esses profissionais.
Outra pauta central é a necessidade de maior articulação entre saúde, assistência social e educação. Há uma percepção equivocada de que todos os problemas podem ser resolvidos exclusivamente no âmbito escolar, o que não corresponde à realidade.

MJ – E parece que o sindicato ainda enfrenta problemas com a atuação de uma bancada reacionária na Câmara de Vereadores de Aracaju, não é?
OS – Sim, isso também nos preocupa, o crescimento da extrema-direita na Câmara Municipal, com ataques recorrentes à educação pública, como propostas de militarização das escolas, implementação de vouchers que desviam recursos públicos da educação para a iniciativa privada e não resolve os problemas da rede pública de ensino. Pelo contrário, acaba ampliando. Na CMA também têm surgido iniciativas que ameaçam o princípio do Estado laico, entre outras questões.
E ainda tem a questão da transparência dos dados da educação. Ela tem avançado, em grande medida, a partir da nossa cobrança constante, seja nas reuniões, denúncias, ações judiciais ou do próprio aprimoramento da legislação nacional. No entanto, em Aracaju, o acesso a informações ainda é extremamente difícil. Realizamos diversas solicitações que permanecem sem resposta. Existe ainda uma ação judicial contra a da gestão passada que essa gestão herdou e não conseguimos resolver, além de uma série de ofícios protocolados já nesta gestão que também não foram respondidos. Diante desse cenário, no quesito transparência, a educação do município de Aracaju segue sendo reprovada.
MJ – Hoje a Prefeitura de Aracaju é comandada por um grupo reacionário, muitos ligados à extrema-direita, que persegue servidores, age com autoritarismo, muda matriz curricular, geralmente esse grupo é contra pautas de uma educação emancipadora. Como vocês têm lidado com isso?
OS – Nós precisamos fazer aquilo que sabemos fazer de melhor: organizar a categoria, lutar e resistir. Não há outro caminho. É fundamental nos prepararmos cada vez mais, produzir evidências, análises consistentes e sistematizar dados que revelem a realidade, para apresentar tanto à categoria quanto à comunidade escolar.
Sabemos que, junto às famílias, o engajamento ainda é limitado e precisamos avançar, enquanto a gestão, que detém a máquina pública, ou, como costumam dizer na própria Secretaria de Educação, “quem tem a caneta manda”, acaba sendo mais atrativa. Ainda assim, contamos com uma unidade importante entre categorias, com a atuação de entidades representativas como o nós (SINDIPEMA), SACEMA e o SEPUMA, além de outros sindicatos e servidores que se somam à luta, formando uma força significativa.
É preciso destacar que há, por parte da prefeita, um entendimento de respeito aos servidores. No entanto, setores que destoam dessa orientação acabam prejudicando a própria gestão, retirando capital político e dificultando avanços. Em termos mais diretos, para que todos compreendam: há quem esteja jogando contra, comprometendo aquilo que poderia avançar.
MJ – Professoras e professores da rede municipal de Aracaju são fundamentais na educação de crianças ainda na primeira infância. Nos últimos anos tem crescido a demanda para o atendimento de alunos com deficiência, transtorno do espectro autista, entre outros. São desafios enormes, mas os educadores estão preparados para isso? A prefeitura oferece condições para o acolhimento da educação especial?
OS – A sociedade, em grande medida, ainda não está preparada para enfrentar esses desafios. No entanto, contamos com excelentes professores e professoras em nossa rede. Somos, inclusive, uma rede privilegiada no que diz respeito à qualidade dos profissionais: pessoas estudiosas, dedicadas e comprometidas, que poderiam e deveriam ser muito melhor aproveitadas pela própria gestão.
Chamar os professores e professoras para o diálogo e construir, coletivamente, propostas para enfrentar os problemas da rede resolveria uma parte significativa dessas questões. No entanto, o que vemos é o oposto: somos tratados como se não soubéssemos de nada. Há uma constante aposta na compra de pacotes prontos, palestras e soluções externas que, na prática, pouco contribuem para resolver os problemas reais.
Nos raros momentos em que somos chamados a participar, não há um reconhecimento efetivo das contribuições apresentadas, nem uma construção conjunta de políticas públicas capazes de enfrentar problemas históricos. A sensação é de que nós, principalmente do Sindicato, somos tratados como adversários permanentes, como se tudo o que defendemos precisasse ser automaticamente descartado.
É importante registrar que temos contribuído de forma significativa em outros espaços da gestão, como na SEPLOG, na SENFAZ e no AJUPREV. No entanto, na educação, essa lógica de diálogo e aproveitamento das contribuições não se concretiza.
Na educação especial, o cenário não é diferente. Como já apontado, todos os problemas acabam sendo empurrados para as escolas e, principalmente, para as professoras. São elas que precisam “dar conta” de tudo e, quando não conseguem, se estiverem ocupando cargos de gestão, ainda correm o risco de perder seus cargos, mesmo sem qualquer suporte, assistência ou estrutura adequada.
Diante disso, é urgente enfrentar questões estruturais: precisamos de mais professores na educação infantil e nas creches, da ampliação do número de cuidadoras, da garantia de mediadoras de aprendizagem, de melhores condições físicas na maioria das escolas e, sobretudo, de uma mudança efetiva na relação com a Secretaria de Educação, baseada no diálogo, no respeito e na construção conjunta de soluções. É nesse caminho que precisamos avançar e é isso que buscaremos fazer.
MS – Desde o início da gestão da prefeita, o vereador Isac Silveira, líder de Emília na Câmara, intermediou negociações com os sindicatos. Não demorou e a conta política chegou. Nas redes digitais, o vereador aparece com seu candidato ao senado André Moura e sindicalistas da prefeitura em ações que indicam apoio ao bolsonarista. Do ponto de vista político, como o presidente do Sindipema se posiciona?
OS – Isac conhece o posicionamento político de todos nós. Sabe que sou de esquerda e filiado ao PT. Era previsível que, em algum momento, surgisse a cobrança e a expectativa de uma espécie de “retribuição”, especialmente considerando as relações existentes entre parte do PT e o referido político. No entanto, mantive minhas convicções, ciente de que isso pode trazer, como consequência, algumas dificuldades no âmbito da Câmara Municipal de Aracaju (CMA) para nosso sindicato. Ainda assim, “faz parte do jogo político”.
É importante destacar que, desde 2019, buscamos dialogar com todos os parlamentares, independentemente de posicionamento político, sejam de direita ou de esquerda. Temos construído uma boa relação com a imensa maioria, sempre no sentido de apresentar ações e informações relevantes, especialmente para enfrentar os problemas da educação no município de Aracaju. Conversamos e continuaremos conversando com quem for necessário para contribuir com a educação pública sem mudar nossas concepções/convicções.
No entanto, muitas pessoas ainda não estão acostumadas com essa postura e acabam interpretando o diálogo como dependência política. Há quem acredite que, ao dialogarmos com determinados atores, passamos automaticamente a estar vinculados ou subordinados a eles. Essa é uma leitura equivocada que é comum em nossa cultura de subalternidade. Nossa atuação é pautada pela defesa da categoria, do investimento público para a educação pública, gratuita, laica, emancipatória, de qualidade, com compromisso social, para todas as pessoas e territórios e não por alinhamentos automáticos. Dialogamos com quem estiver disposto a ouvir, compreender e contribuir com as pautas que defendemos.
A maior força da categoria sempre foi, continua e continuará sendo nossa capacidade de mobilização. Estamos, portanto, prontos e prontas para organizar e mobilizar a categoria diante de qualquer tentativa de ataque aos nossos direitos, independentemente de onde venha.
Isac compreende e respeita essa posição, e tem colhido, entre os servidores e servidoras, o reconhecimento pelo trabalho que vem desenvolvendo. Seguimos, inclusive, com a expectativa e também o compromisso de que as relações e coligações no período eleitoral não comprometam toda a construção coletiva que realizamos até aqui. Uma construção que, independentemente de declarações formais de apoio ou, no nosso caso, da ausência delas, tem contribuído para fortalecer todos os envolvidos.
*Após a publicação da reportagem, a Prefeitura de Aracaju enviou nota à Mangue Jornalismo. Leia abaixo:
A Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Educação (Semed), esclarece informações divulgadas em entrevista concedida pelo presidente do Sindicato dos Profissionais do Ensino do Município de Aracaju (Sindipema), Obanshe Severo, à Mangue Jornalismo, publicada nesta terça-feira, 19.
A Semed reafirma que mantém diálogo permanente com os representantes da categoria, pautado no respeito institucional, na escuta e na construção coletiva de soluções voltadas à valorização dos profissionais da educação e ao fortalecimento da qualidade do ensino na rede municipal.
Inclusive, nessa segunda-feira, 18, a secretária municipal da Educação, Edna Amorim, juntamente com equipes técnicas de setores estratégicos da pasta, recebeu representantes do Sindipema na sede da Semed para discussão de pautas relacionadas às demandas da categoria. Durante o encontro, houve espaço para apresentação de reivindicações, escuta das demandas e esclarecimentos acerca das ações desenvolvidas pela Secretaria.
Dessa forma, a Semed considera importante reafirmar seu compromisso com a manutenção do diálogo institucional e da construção democrática das políticas públicas educacionais, prática adotada desde o início da atual gestão.
Desde 2025, diversas reuniões foram realizadas com representantes sindicais, sempre com abertura para debate, apresentação de demandas e encaminhamento de ações relacionadas às necessidades da rede municipal de ensino. Com esses propósitos, em cerca de um ano e cinco meses, ocorreram dez reuniões com integrantes do Sindipema, sendo oito no ano passado e duas neste ano. A primeira aconteceu ainda no início da gestão, no dia 21 de janeiro de 2025.
As demais ocorreram nas seguintes datas em 2025: 2 de abril; 15 de maio; 23 de maio; 27 de agosto; 4 de setembro; 31 de outubro; e 1º de dezembro. Em 2026, houve encontros nos dias 2 de março e 18 de maio.
Entre os temas discutidos na reunião desta semana, estiveram os desafios relacionados à Educação Inclusiva e às condições de trabalho dos profissionais que atuam no atendimento aos estudantes público-alvo da Educação Especial. Sobre esse ponto, a Secretaria destaca que permanece acompanhando as demandas apresentadas pelos profissionais da rede e vem adotando medidas de suporte pedagógico, técnico, jurídico e institucional, buscando fortalecer as condições de atendimento, acolhimento e permanência dos estudantes e profissionais no ambiente escolar.
A Semed reforça ainda que segue empenhada na ampliação de estratégias voltadas à Educação Inclusiva, reconhecendo a importância do diálogo contínuo com os profissionais da educação, famílias e demais segmentos envolvidos na construção de uma escola pública cada vez mais acessível, acolhedora e comprometida com a aprendizagem de todos os estudantes.



Uma resposta
O problema não é o aumento de estudantes com deficiência, mas a falta de estrutura e de financiamento para recebê-los. Do jeito que está escrito, parece que a “culpa” é dos estudantes.