Mangue tem duas reportagens investigativas entre as finalistas nacionais do Prêmio de Jornalismo-Mosca

A Mangue Jornalismo tem duas reportagens investigativas entre as finalistas da 7ª edição do Prêmio Livre.jor de Jornalismo-Mosca, que neste ano bateu o recorde de inscrições, com 211 trabalhos inscritos. Foram 139 reportagens que disputam a categoria Profissional, outros 62 trabalhos inscritos na categoria Universitária e outros 10 projetos concorrendo pelo Troféu Rastilho. São 81 veículos de imprensa diferentes e de todas as regiões do Brasil. O resultado dos premiados será conhecido no dia 10 de dezembro.

O prêmio reconhece trabalhos jornalísticos e projetos que promovem a cultura da transparência e o direito de acesso à informação pública. A premiação busca valorizar jornalistas e estudantes que se dedicam a transformar dados, documentos e registros oficiais em reportagens de interesse coletivo, além de destacar iniciativas que fortalecem o ecossistema informativo, como o Troféu Rastilho, dedicado a projetos da sociedade civil que libertam dados e ampliam o acesso à informação.

Entre os trabalhos finalistas de 2025 pela Mangue estão a reportagem: Exclusivo: Banese vai esconder detalhes de contrato público sobre loteria estadual até 2045 alegando ‘sigilo’, dos repórter Wendal Carmo e José Cristian Góes. Nesse material, a Mangue solicitou, por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), que o banco público de Sergipe apresentasse cópias dos contratos públicos celebrados entre o banco e empresas para a exploração e operação da loteria estadual, a Lotese. O Banese afirmou não ser possível disponibilizar documentos porque as informações estariam “protegidas por sigilo comercial”. 

No entanto, a Mangue Jornalismo descobriu que em um comunicado de fevereiro deste ano, o Banese revelou o seguinte: o contrato tem vigência de 20 anos, ou seja, ele vai ficar escondido pelo menos até o ano de 2045, contrato que envolve um negócio público, que movimentará centenas de milhões de reais e destinará parte deles aos cofres do Estado. 

Um dos autores dessa reportagem sobre o Banese e a Lotese, o Wendal, também é um dos autores da reportagem Liberação de água para haras da primeira-dama de Sergipe teve ajuda de servidor estatal, publicada na Carta Capital e na Mangue Jornalismo.

A segunda reportagem da Mangue Jornalismo finalista no Prêmio de Jornalismo-Mosca é de autoria da repórter Ana Paula Rocha. Ela mostrou que o Governo de Sergipe usa “sem restrições” ferramenta israelense de invasão a celulares. Nesse material, a Mangue investigou a expansão do chamado tecnovigilantismo como abordagem na segurança pública em Sergipe. Com o uso de ferramentas de intrusão como a israelense UFED (sigla para Universal Forensics Extraction Device), que desbloqueia e extrai dados de dispositivos digitais, o governo de Sergipe colocou de lado a proteção de dados dos cidadãos, optando por gastar centenas de milhares de reais com uma ferramenta que atua numa lacuna normativa do Brasil onde os direitos à privacidade não são resguardados.

“A concorrência extremamente difícil. Entre os finalistas estão empresas de mídia enormes, mais de 80 veículos, emissoras de tevê, etc. Por isso, pode até parecer lugar comum, mas é real: figurar entre finalistas num prêmio nacional tão sério e concorrido e pela Mangue, que não tem recursos para essas ações jornalísticas já uma conquista enorme. Imagine se a gente tivesse condições financeiras?”, disse Cristian Góes, editor na Mangue.

No ano de 2025, a Mangue Jornalismo recebeu o “Prêmio de Reconhecimento Cultural Acadêmica Ilma Mendes Fontes”, da Academia de Letras de Aracaju; o Prêmio de Integridade do Instituto Não Aceito Corrupção (3º lugar), em São Paulo, a reportagem Municípios de Sergipe receberam mais de R$ 133 milhões via Emenda Pix de deputados federais e senadores, de Ana Paula Rocha; e o Prêmio de Jornalismo Sebrae (3º lugar na categoria texto), com a reportagem Das mangabas à rede de mulheres, como a luta ambiental se transformou em luta pelo direito à existência, de Díjna Torres e José Cristian Góes.

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Redação

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